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RS: Temer encara corpo-a-corpo e faz ataques a Marina

29 ago 2014
18h27
atualizado às 18h27
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O PMDB, partido de Michel Temer, vice da presidente Dilma Rousseff (PT), mostrou nesta sexta-feira no Rio Grande do Sul como pretende colocar em prática a nova estratégia da campanha de Dilma à reeleição. A mudança inclui não só muita agenda de rua, mas artilharia pesada sobre Marina Silva, que já aparece “colada” na petista.

<p>Temer comprou charque para o almoço de domingo no Mercado Público</p>
Temer comprou charque para o almoço de domingo no Mercado Público
Foto: Flavia Bemfica / Terra

Coube ao próprio Temer deixar claras as alterações. Conhecido por sua capacidade de articulação nos bastidores políticos, mas em geral comedido em manifestações públicas, o peemedebista partiu para o corpo-a-corpo em Porto Alegre. De terno e gravata, Temer foi ao Mercado Público, localizado no Centro Histórico (e um dos pontos de maior circulação diária de pessoas na capital gaúcha), onde fez uma espécie de tour gastronômico.

O vice começou pelo tradicional cafezinho. Depois comprou charque “para o almoço de domingo”, beliscou um prato de frios, tomou chimarrão e ainda experimentou salada de frutas e sorvete. Ganhou cuia e erva-mate, fez dezenas de fotos, recebeu reivindicações de representantes da Associação dos Permissionários do Mercado Público e conversou com donos de bancas e eleitores. Ouviu pacientemente quando o aposentado Lair de Paula o abordou e disparou. “O PMDB é o maior partido do Brasil e não tem candidato a presidente porque não tem unidade.” “Estamos trabalhando para isso”, rebateu Temer. E seguiu em frente.

A segunda parte da nova estratégia foi aplicada durante a entrevista coletiva, também no Mercado. Questionado sobre o empate técnico entre Dilma e Marina e se as agendas de rua se tornarão uma constante da campanha, Temer primeiro disse que o crescimento de Marina não surpreendeu. “Para nós não foi nenhuma surpresa. Em abril o Datafolha havia incluído o nome da Marina em uma pesquisa e ela aparecia com 27%. Agora são os 27% e mais 2 de emoção”, respondeu. Em seguida, o peemedebista disse que sim, as agendas de rua vão aumentar. “Mas elas vão se intensificar em função da proximidade da eleição, já estava previsto”, ressalvou.

<p>Vice-presidente tomou cafezinho, tirou fotos e ouviu reclamação de eleitor pedindo candidato próprio do PMDB</p>
Vice-presidente tomou cafezinho, tirou fotos e ouviu reclamação de eleitor pedindo candidato próprio do PMDB
Foto: Flavia Bemfica / Terra

Ataque
Após minimizar tanto o desempenho da adversária como a reação da própria aliança, Temer lançou a artilharia pesada. “Queria apenas destacar que precisamos ter muito cuidado com essas pregações de governar com pessoas e não com instituições. Levamos muito tempo para consolidar as instituições no País. O mundo é cheio de exemplos de pessoas que tentaram governar por conta própria. Isso é extremamente perigoso”. A argumentação foi repetida em outro momento, quando o vice discursou para lideranças regionais. “As pessoas não podem ser colocadas acima dos partidos. A ideia do personalismo gera situações drásticas. Aparentemente é uma tese nova, mas, na verdade, é a tese do autoritarismo”, afirmou Temer.

Encerrada a maratona no Mercado, o vice participou da inauguração-relâmpago do comitê Dilma/Temer na avenida Farrapos. Do comitê, seguiu a pé até o Ritter Hotel, onde foi organizado o encontro com lideranças locais. No caminho, passou por um trecho da rua Garibaldi conhecido por abrigar pontos de prostituição com funcionamento 24 horas. Prostitutas e cafetões pararam para olhar e sacaram seus celulares para fotografar. “É a primeira vez que passa um candidato aqui. Nunca eu tinha visto”, revela Edivânia, de seu ponto em frente a um sobrado de dois andares, sem numeração, na Garibaldi. “Em quem você vai votar, Edivânia?” O cafetão para de olhar a comitiva de Temer e faz um sinal para que Edivânia e outras duas garotas deixem de conversar. Mas ela responde: “eu? Eu voto na Dilma”.

A última agenda de Temer, o encontro no hotel, teve a participação de aproximadamente 300 peemedebistas, em sua maioria candidatos, prefeitos, vices e lideranças do partido vinculadas a causa municipalista, como os presidentes da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, e da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Seger Menegaz. Integrante do chamado “PMDB autêntico”, o ex-ministro Odacir Klein abriu o voto. Afastado da vida pública e ligado ao agronegócio, Klein parodiou Chico Buarque. “Eu estava à toa na vida e o Michel me chamou, mas não foi para ver a banda passar, foi para tocar um instrumento”.

O encontro, que ao final teve fila de candidatos para tirar fotos com Temer, foi uma demonstração de força da ala do partido que no Rio Grande do Sul está alinhada à Dilma e é encabeçada pelo deputado federal Eliseu Padilha. A ela se contrapõe a ala do senador Pedro Simon e seus apoiadores, como o candidato ao governo do Estado, José Ivo Sartori. Na eleição estadual, o PMDB está aliado ao PSB. Simon e Sartori estão engajados na campanha de Marina à presidência e ganharam pontos na disputa interna após o senador, na semana passada, ter sido o escolhido para ocupar na chapa estadual o lugar que antes era de Beto Albuquerque (PSB).

“Vou repetir aqui o que eu disse na reunião de terça-feira à noite no comitê central da campanha”, afirmou Padilha. “Eu disse que, sem infantaria, não tem guerra. Não se ganha eleição sem política e sem militância política. Nós temos força política, militância, plano de governo e candidato. O que nos falta é trabalho. Porque estava todo mundo em casa de braço cruzado achando que a eleição estava ganha”.

Enquanto Temer cumpria agenda no Rio Grande do Sul, Simon estava em São Paulo para participar do lançamento do programa do governo PSB/Rede ao lado de Marina. Sartori, por sua vez, recepcionou o vice-presidente no Aeroporto Internacional Salgado Filho, mas não participou de nenhuma das agendas dele em Porto Alegre.

Fonte: Terra

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