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Economista da Rede critica reforma da Previdência sem debate

Para André Lara Resende, coordenador do programa econômico da presidenciável Marina Silva, proposta foi feita com base em acordos do governo

10 ago 2018
11h50
atualizado às 12h12
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A proposta de reforma da Previdência é um tema impopular porque o governo não a discutiu com a sociedade, disse nesta sexta-feira, 10, o economista André Lara Resende, responsável pelo capítulo econômico do programa de governo da candidata à Presidência Marina Silva (Rede).

O economista participou da Série Estadão FGV Ibre "Os economistas das eleições", em São Paulo. O problema, de acordo com Lara Resende, é que o governo construiu a proposta da Previdência com base num acordo com as forças de apoio ao governo, sem a participação da população.

"Não se faz uma reforma como a da Previdência empurrando-a goela abaixo na população", disse o economista. Para ele, uma reforma previdenciária não pode ser feita de forma a prejudicar os mais pobres. Contudo, Lara Resende não tem ainda uma proposta de reforma previdenciária fechada.

André Lara Resende é um dos responsáveis pelo programa econômico da campanha de Marina Silva (Rede) à presidência
André Lara Resende é um dos responsáveis pelo programa econômico da campanha de Marina Silva (Rede) à presidência
Foto: FELIPE RAU / Estadão Conteúdo

Criticando a paralisia da estrutura governamental, Resende afirmou que a capacidade de o Brasil entregar superávit fiscal passa por uma reforma da Previdência e tributária. "Temos de criar urgentemente um superávit fiscal de 1,5% a 2% do PIB. Não é fácil e possível sem a reforma da Previdência e tributária", declarou.

A proposta do economista para a Previdência é de uma reestruturação, sem que se seja instituído um regime de capitalização inicialmente. "Não podemos fazer a capitalização pois a transição de modelos gera um custo adicional", comentou.

Salário mínimo

Para o economista, a política de reajuste do salário mínimo também pode ser alterada. "Temos um volume muito grande de gastos do governo atrelados ao salário mínimo. Estas despesas precisarão ser revisitadas", comentou, afirmando que a atual política de reajuste do salário mínimo, com recomposição da inflação medida pelo INPC somada à taxa de crescimento real do PIB apurada dois anos antes, gera pressão adicional sobre as contas públicas.

Para ele, a política de reajustes poderia ser mais atrelada a ganhos de produtividade. "Faz sentido atrelar o salário mínimo ao desempenho do PIB", afirmou. Questionado pelo colunista do Estadão Celso Ming se, em caso de retração da economia, o salário mínimo seria cortado, Lara esclareceu que não. "A correção seria feita por uma média móvel de três a cinco anos, para evitar distorções como essa.

Em sua fala, Resende criticou ainda a atuação de "forças tecnocráticas" em benefício próprio e em detrimento ao crescimento econômico. "Forças patrimonialistas estão inviabilizando o crescimento. O Judiciário e o Supremo estão politizados. Se observarmos o Banco Central com esta lupa, também veremos a atuação de grupos de interesse", declarou. "Não se pode aliar a quem paralisou o País", emendou.

"Estas forças não eleitas, que deveriam funcionar com racionalidade e de forma impermeável à captura corporativista e patrimonialista dos interesses de saquear a sociedade, estão no limite", criticou.

Banco Central

Lara Resende se disse contrário à independência formal do Banco Central. Para ele, faz mais sentido uma independência prática do que independência formal ao BC. "Um Banco Central formalmente independente não resolve nada". "O BC não pode ser um quarto poder. O Banco Central precisa se submeter ao governo", afirmou.

Sabatinas

A sabatina com Lara Resende foi o segundo de oito encontros que o 'Estado' e o Instituto Brasileiro de Economia da FGV promovem com os profissionais responsáveis pela elaboração dos programas econômicos de governo dos principais candidatos à Presidência.

Além de Lara Resende, da chapa da Rede, estão confirmadas sabatinas com os economistas das campanhas de João Amoêdo (Novo), Lula/Haddad (PT), Henrique Meirelles (MDB), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin(PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL). A do PSOL já ocorreu, com Marco Antonio Rocha, coordenador do programa econômico de Guilherme Boulos.

Os fóruns são abertos ao público e têm entrada gratuita mediante inscrição pela internet, no site da FGV (fgv.br). As vagas são limitadas. O público presente também participa do evento mediado por jornalistas do Estado com perguntas aos economistas.

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Estadão Conteúdo

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