Recôncavo Baiano não esquece de benefícios sociais da era petista
Município marcado por forte desigualdade social deu 81% dos votos válidos a Lula e 13% a Bolsonaro no primeiro turno
Concentrado na soldagem de uma grade de ferro, Hernandez Lopes, de 47 anos, faz questão de deixar a toalha estampada com o rosto do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pendurada no muro de sua casa, no bairro popular do Caípe, em São Francisco do Conde (BA). "Não é só a picanha... Você comia o que tinha vontade e não tinha que se preocupar com o que, no outro dia, ia colocar na panela", afirmou. Ele lembra, ainda, dos eletrodomésticos que pôde comprar na época (com a isenção do IPI) e da oportunidade que os dois filhos tiveram de entrar na universidade. Ambos estudaram Engenharia.
Geografia do voto: como o brasileiro votou desde 1996?
Pesquise votações proporcionais e majoritárias por Estado, município ou zona eleitoral
A beleza do centro, contudo, esconde a pobreza e desigualdade de bairros periféricos, como o Caípe, onde mora Hernandez. De lá, avista-se a antiga Refinaria Landulpho Alves, fundada em 1950, que foi privatizada no ano passado - o que resultou em aumento do preço da gasolina no Estado.
A refinaria é responsável pela arrecadação da cidade, que recebe royalties e repasses do ICMS, o que faz o município ter uma das maiores rendas per capita do País. Essa riqueza, contudo, não se traduz em benefícios para a população mais pobre.
Lulista de carteirinha, José Raimundo de Jesus, de 56 anos, disse que os eleitores da região lembram dos benefícios econômicos e sociais que tiveram nos mandatos de Lula. Ele citou também a implementação do câmpus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) no município, inaugurada em 2014. Para José, a atenção dada pelo ex-presidente não foi esquecida.
Raio X
Com 32.980 eleitores, São Francisco do Conde tem o quarto maior PIB da Bahia, (R$ 8,4 milhões). O Índice de Desenvolvimento Humano é 0,674 (médio).