O que está acontecendo com Augusto Cury nas redes sociais?
O crescimento de Augusto Cury no ambiente digital passou a chamar a atenção de campanhas e analistas que acompanham a corrida presidencial. Levantamentos recentes apontam uma forte alta na popularidade do candidato do Avante nas redes sociais nas últimas semanas, movimento que contrasta com a queda registrada por nomes de candidatos considerados mais fortes como Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no mesmo período.
Segundo o Índice de Popularidade Digital (IPD), medido pela Quaest, Cury apresentou uma evolução expressiva entre 10 de agosto e a última quarta-feira. O desempenho fez o candidato praticamente dobrar sua presença no indicador, enquanto Renan Santos permaneceu estável e Romeu Zema teve uma pequena retração.
A expansão da presença digital de Cury também provocou desconfiança entre algumas campanhas. Um dos pontos que chamou atenção foi o aumento no número de seguidores: o candidato teria passado de cerca de 8,3 milhões para mais de 10,7 milhões em menos de uma semana.
Nos bastidores, integrantes das campanhas de Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Ronaldo Caiado levantaram a possibilidade de que perfis automatizados, conhecidos como robôs, estejam contribuindo para inflar os números do candidato.
A hipótese, porém, não é suficiente para explicar sozinha o desempenho apontado pelo IPD.
Quaest diz conseguir identificar atuação de robôs
O indicador da Quaest não considera apenas o número bruto de seguidores. A metodologia procura medir aspectos como influência, relevância e reputação dos políticos no ambiente digital e possui mecanismos para identificar comportamentos associados a robôs e desconsiderá-los dos cálculos.
O histórico do índice também é citado como um sinal de que o desempenho nas redes pode antecipar movimentos eleitorais que inicialmente passam despercebidos.
Segundo a consultoria Bites, Cury foi o presidenciável que mais conquistou seguidores em seus perfis oficiais na semana analisada. Foram aproximadamente 2,6 milhões de novos seguidores, o equivalente a um crescimento de 18% em sua base.
O candidato também alcançou 6,7 milhões de interações, ficando atrás apenas de Flávio Bolsonaro, que registrou 6,9 milhões no período.
Nas buscas, Augusto Cury também apareceu em posição de destaque. Na semana passada, foi o segundo presidenciável mais procurado pelos brasileiros, atrás somente de Lula.
Apesar dos números expressivos, o crescimento nas redes sociais não significa necessariamente aumento proporcional nas intenções de voto. A experiência eleitoral mostra que engajamento, seguidores e buscas na internet podem ajudar a construir uma candidatura, mas não garantem, por si só, desempenho nas urnas.
Por isso, os próximos levantamentos eleitorais serão importantes para medir até que ponto a repercussão digital de Cury está ultrapassando as redes e chegando ao eleitorado. As pesquisas divulgadas pela Quaest e pelo Datafolha nesta semana devem ajudar a responder justamente essa questão: se o forte crescimento de Augusto Cury no ambiente digital representa apenas um fenômeno das redes sociais ou se já começa a se transformar em intenção de voto.
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