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Na Globo, Augusto Cury fala em taxar bets, diz que 'mundo vai virar de ponta cabeça em 5 anos' e cita necessidade de investir em IA

Candidato do Avante é o sexto entrevistado da série de sabatinas promovidas após o Jornal Nacional com os presidenciáveis

29 ago 2026 - 21h38
(atualizado às 22h46)
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Augusto Cury nos Estúdios Globo
Augusto Cury nos Estúdios Globo
Foto: Manoella Mello/Globo

O candidato Augusto Cury (Avante) é o sexto e último a participar da série de sabatinas com os presidenciáveis promovidas pela TV Globo na noite deste sábado, 29. Na entrevista conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, ele fala sobre taxar bets, afirma que 'mundo vai virar de ponta cabeça em 5 anos' e cita necessidade de investir em IA.

  • Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos

A bancada da Globo começou a entrevista trazendo o assunto que foi tratado com todos os demais candidatos: a dívida pública do Brasil. Em junho deste ano, a Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto), alcançando R$ 10,4 trilhões no mês. Esse é o maior valor desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,62% do PIB. Esse montante engloba dívidas do governo federal, da Previdência Social (INSS), e dos governos estaduais e municipais. "Para qual percentual do PIB você se compromete a trazer essa dívida, se eleito?", perguntou Tralli.

Cury elencou uma série de estratégias: ter 10 milhões de microempresas financiadas para aumentar a massa de pagamentos de impostos; promover uma séria auditoria na gestão pública; reaver cerca de 50 mil cargos comissionados para cortar o que não é essencial; combater seriamente a corrupção; ajustar o Bolsa Família para possibilitar que a família tenha uma segunda renda sem perder o benefício; e "taxar seriamente as bets".

Os jornalistas apontaram que esses ajustes ainda passam distante da realidade do problema. Em resposta, Cury reforça a questão da taxação das bets e vê isso como a solução para desafogar a dívida brasileira. O candidato também cita a importância de "digitalizar toda a máquina pública" para economizar o suficiente.

Com relação a maiores detalhes sobre eventuais mudanças no arcabouço fiscal ou para onde seriam direcionados cortes, Cury diz que "não quer se antecipar" e que estudos serão feitos sem carater "eleitoreiro". 

Pressionando o candidato, os jornalistas perguntam sobre a redução de ministérios que ele propõe em seu plano de governo -- um corte de 8 a 10 pastas. Ele não responde quais ele planeja cortar. "Não quero me adiantar a esse respeito", repete. O que explica é que, em paralelo aos cortes, planeja criar um novo ministério voltado a Robótica e Inteligência Artificial.

"O mundo vai virar de cabeça para baixo em 4, 5 anos", alega, justificando a importância de ter um ministério ou uma secretaria executiva voltada apenas para isso. Será uma forma de "neutralizar" problemas que aponta que serão enfrentados em um futuro breve com relação a inovações tecnológicas.

Sobre salário mínimo, ele diz que quer uma "classe média pujante". "Isso é tão caro pra mim. O dinheiro não garante a felicidade. Por isso, até, que há muitos miseráveis morando em palácios. Mas a falta de dinheiro garante a ansiedade. E há milhões de pessoas que não conseguem ter o mínimo de dignidade nesse pais", afirma. 

Augusto Cury cita imposto que não existe no Brasil e propõe aumentar taxação das bets:

Drone contra o feminicídio?

Renata pergunta para Cury sobre uma das propostas apresentadas em seu plano de governo voltada à proteção das mulheres: o uso de drones como parte da política.  Nesse trecho, a jornalista e o candidato mantiveram um diálogo desencontrado. "Sabe quantas mulheres morrem no ano passado?", pergunta Cury. "Acabei de falar que 4 mulheres morrem todos os dias. Só ano passado mais de 1500", responde Renata.

O que o candidato do Avante explica é que o drone servirá como um método de ação rápida, mas que o foco é um aplicativo que permita que as mulheres acionem socorro com georreferenciamento. A jornalista então questiona sobre o valor disso, como isso seria distribuído em todas as cidades do Brasil, e como funcionaria com relação à conectividade, considerando que muitas áreas brasileiras carecem de acesso à internet. 

"Nós somos um dos países mais digitalizados do mundo. Esqueça a questão do drone, por favor, pense em um aplicativo que possa ter uma resposta mais rapida", responde Cury, em tom de arrependimento pela citação do drone. "Mas o senhor prometeu drones", reforça Renata. 

A bancada pergunta como isso funcionaria considerando que cerca de 70% dos casos de feminicídio acontecem em casas. Cury explica que a mulher acionaria o aplicativo, que alertaria a polícia. Nisso, o drone conseguiria chegar no local mais rápido que os policiais e tocaria uma sirene para "impedir o predador de matar" a vítima. "Mas esquece a questão do drone, você está se prendendo a um detalhe pequeno. Quero dizer que é possível um aplicaitvo que pode proteger as mulheres", suplica Cury. "Foi o senhor que prometeu", responde a jornalista.

Augusto Cury com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo
Augusto Cury com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo
Foto: Manoella Mello/Globo

Saúde e telemedicina

De cada 4 brasileiros, 3 são atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS). "O senhor defende que 80% das consultas básicas passem a ser feitas através da telemedicina. E, pela sua proposta, só os atendimentos mais complexos seriam feitos de forma presencial. Em que estudo, ou experiência concreta, o senhor se baseia?", pergunta Tralli. Na sequência, Cury responde: "Eu sou médico, esqueceu disso?".

Cury defende que o Brasil pode construir "a melhor telemedicina do mundo" e que esse projeto é revolucionário. "Não seria uma telemedicina privada, mas uma que o próprio governo criaria".

Tralli comenta que especialistas reconhecem o avanço da telemedicina, mas que isso não descarta a importância do atendimento presencial principalmente para acompanhamento de famílias e populações de áreas mais afastadas. "E os próprios especialistas apontam que nenhum país do mundo conseguiu implantar 80% dos atendimentos em telemedicina. Como fazer isso no Brasil?", perguntou o jornalista.

"Vota em mim que você vai.... desculpa a brincadeira", respondeu Cury. Sem detalhar como exatamente, ele afirma que isso será possível. Sobre o compromisso constitucional de garantir a assistência presencial -- evidenciado no Conselho Federal de Medicina --, Cury diz que o conselho precisa ser atualizado diante da "revolução tecnológica". Ele elogia o SUS, mas pede por renovação.

Cury é embaixador de uma empresa de telemedicina e, até 2023, aparecia como sócio. Questionado sobre isso representar conflito de interesse, o candidato diz que isso, na verdade, representa que ele já teve experiência na área. Ele alega que não é mais embaixador da iniciativa, por mais que a informação conste no site oficial da empresa.

'Desenvolvimento emocional'

Cury é questionado sobre o que a bancada da Globo aponta como mais um possível conflito de interesse: a proposta de medidas de aprendizado e programas de desenvolvimento emocional que ele mesmo criou e comercializa na iniciativa privada. Os jornalistas apontam, com base em análises de especialistas, que "não cabe a um presidente definir métodos de ensino"

Cury diz que "esse programa eu daria gratuitamente para todas escolas públicas do Brasil e do mundo" e que se trata de um "programa para a humanidade". Ele ressalta que "não há dúvidas" de que seguiria todo o processo legal de revisões para propor as mudanças. 

O candidato sobe o tom e leva o assunto à sua realidade financeira. Ele diz que se "furar a bolha", abrirá mão do cartão corporativo para despesas pessoais. "Eu já tenho uma situação financeira privilegiada. [...] Pra mim é uma dor. Eu não amo o poder, não dependo do poder, não amo mesmo. Estou renunciando a minha tranquilidade porque pior do que a ação dos maus, é a omissã dos bons e daqueles que tem que contribuir".

Influenciadores digitais em embaixadas

Outra proposta de Cury é a de contratar influenciadores digitais para trabalhar nas embaixadas brasileiras pelo mundo. Como posto em seu plano de governo, seriam ao menos 10 em países com de ate 50 milhões de habitantes e pelo menos 20 contratados para países maiores ou estratégicos. "Na sua avaliação, o Itamaraty não cumpre atualmente a tarefa de representar e defender os interessses brasileiros no exterior?", pergunta Renata.

Cury diz que vai colocar a questão de outra forma, como um método de "vender o Brasil com dignidade". Ele diz que também não é algo que aumentará custos, pois sua ideia é treinar os próprios funcionários e embaixadores para serem influenciadores "para venderem melhor o Brasil lá fora".

Considerando o contexto de guerras e tarifas da política internacional, a bancada da Globo pergunta para Cury como ele avalia que o Brasil deve se posicionar diante de países como os Estados Unidos e a China. "Eu sou um pacificador", afirma. Nisso, na reta final da entrevista, Cury puxou a situação para falar sobre seu papel de "pacificar a guerra entre a direita e a esquerda" e não deu sua opinião sobre a questão geopolítica.

*Matéria em atualização

Outros candidatos

Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Foto: Wilton Junior/Tiago Queiroz/Cauê Del Valle/Divulgação MBL/Taba Benedicto Foto: Wilton Junior/Tiago Queiroz/Cauê Del Valle/Divulgação MBL/Taba Benedicto

Foram convidados para as entrevistas na TV Globo os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenções de voto, divulgada em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi sorteada e cada sabatina contou com 40 minutos de duração, com dois blocos, e um minuto para considerações finais no encerramento.

As entrevistas tiveram início na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo). O candidato defendeu anistia a Bolsonaro, disse ser contra a obrigatoriedade de vacina, e sofreu mais de 10 interrupções de Renata e Tralli. 

Na terça-feira, 25, foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD). O candidato evitou responder perguntas comprometedoras, detalhar planos econômicos, tentou se colocar como 3ª via e se comprometeu com um projeto de 'anistia ampla, geral e irrestrita' aos condenados pelo 8 de janeiro para pacificar o Brasil. A entrevista foi marcada por cerca de 40 interrupções ou tentativas de interrupções de Renata Vasconcellos e César Tralli, que muitas vezes foram ignorados pelo ex-governador de Goiás.

Na quarta-feira, 26, Renan Santos (Missão) foi entrevistado. O candidato defendeu o desenvolvimento de bomba nuclear para fazer do Brasil protagonista e soberano, se disse alinhado do entendimento "prendeu, matou", e reivindicou uma reforma da Previdência.

Na quinta-feira, 26, o entrevistado foi Lula (PT). O candidato começou sendo questionado sobre o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado em três inquéritos pela Polícia Federal. "Vai ter que provar a inocência", rebateu. Além disso, polêmicas deram tom à noite, com casos do INSS, Master, dívida pública e crise em estatais sendo elencados.

Na sexta-feira, 27, foi a vez de Flávio Bolsonaro (PL). O candidato, que foi à emissora com uma "cola" na palma da mão, começou sendo questionado sobre o escândalo do Banco Master e defendeu o uso do dinheiro de Daniel Vorcaro para filme do pai, Jair Bolsonaro, citou ligação da Globo com Master e alfinetou Lula. Tarifaço do governo Trump, relação com Adriano da Nóbrega e dívida pública também foram assuntos da noite.

Fonte: Portal Terra
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