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‘Herói do PT’ e ‘fez a diferença’: o que especialistas dizem sobre atuação de Janones na vitória de Lula

Deputado administrou o canal de WhatsApp ‘Exército do Lula’, que soma quase 11 milhões de inscritos, e mobilizou eleitores após o 1º turno

26 out 2026 - 05h00
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Lula falou primeiro para ‘soldados’ de Janones após ser reeleito presidente: ‘Não pode parar’:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil na noite de domingo, 25, em uma virada histórica. Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas no primeiro turno, o petista foi eleito com mais de 51,79% dos votos e especialistas ouvidos pelo Terra apontam o deputado federal André Janones (Rede-MG) como um dos responsáveis pela vitória.

Acompanhe em tempo real neste domingo todos os resultados da apuração da Eleição 2026

Isso porque, após o resultado não esperado do primeiro turno, a campanha de Lula buscou se modernizar e contou com o apoio de aliados políticos mais jovens. Nesse momento, a mobilização de Janones nas redes sociais se intensificou e ganhou cada vez mais força entre os apoiadores do petista.

O deputado administrou o canal de WhatsApp ‘Exército do Lula’, que soma quase 11 milhões de inscritos. Lá ocorria a divulgação de conteúdos de campanha e o parlamentar também mobilizava eleitores em ações como um panelaço durante a sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo e pedido para apoiadores publicarem fotos com a camisa da Seleção e fazendo o ‘L’ com a mão, para demonstrar que os símbolos nacionais não são apenas da direita.

André Janones (Rede-MG) e Lula (PT) durante apuração dos votos no segundo turno
André Janones (Rede-MG) e Lula (PT) durante apuração dos votos no segundo turno
Foto: Reprodução/Instagram

João Ricardo Matta, doutor em Marketing e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), descreveu Janones como “herói do PT” por ter assumido a campanha digital, tirando da primeira-dama Janja da Silva e da liderança do partido esse processo e da estrutura oficial da organização das ações e trazendo para ele.  

“Ele com certeza virou o jogo, né? Eu acho que o nome dessa eleição é Janones. Ele sai gigante, sai com moral para qualquer cargo hoje como ministro. Essa eleição, para mim, foi vencida pelo Janones”, analisa. 

Adriane Buarque de Holanda, coordenadora do ESFERA Lab - Laboratório de Pesquisa Política da ESPM, reforça o que Matta diz e afirma que o parlamentar fez a diferença na campanha do petista, sobretudo na atuação com os jovens, que mobilizaram familiares mais velhos. 

O deputado federal André Janones cuida do canal 'Exército do Lula' no WhatsApp.
O deputado federal André Janones cuida do canal 'Exército do Lula' no WhatsApp.
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

“Essa mobilização que o Janones fez com o exército de Lula mostrou o quanto os jovens têm que olhar para o seu futuro, o quanto pais, avós foram votar, que não votaram no segundo turno. Então, foi uma boa uma mobilização muito bonita, em prol da democracia. A gente precisa pensar nos nossos filhos, precisa pensar no amanhã. E governos de extrema direita são governos totalmente elitistas. Acho que essa é a grande diferença."

“A gente viu o quanto essa mobilização do ‘Exército de Lula’, esse engajamento, o algoritmo atrapalhando e todo mundo lá compartilhando, todo mundo curtindo, isso fez a diferença nas redes. E as ruas com o povo emocionado, Lula ali do lado do povo, mostrando que realmente ele representa cada um dos brasileiros. Vejo que essa eleição é uma das mais emocionantes de todas que eu já analisei. É uma eleição em que todos lutaram pela democracia e realmente viram que a democracia está acima de tudo", aponta. 

Matta, ainda complementa que, a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) foi perdida, principalmente, pela influência do Pablo Marçal no segundo turno. O empresário cinco dias antes do primeiro turno. Na visão do especialista, ele teria orientado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a ser mais “virulento” e “agressivo”, sem qualquer necessidade. 

O especialista o caso do candidato do PL ter chamado Lula de "nove dedos" durante o debate da TV Globo, na última sexta-feira, 23. “Foi uma indelicadeza que talvez não seja visto como algo natural numa campanha política de um candidato à presidência da república.”

“Basta dizer que hoje, no começo da tarde, a última declaração que ele deu foi: ‘Eu vou almoçar, porque já são quase 15h e quando eu voltar, já volto para falar com vocês como Presidente da República’. Quer dizer, no dia da eleição, não é de bom tom. Ele veio mantendo uma postura, fazendo reuniões, não de campanha eleitoral, e sim reuniões de prévia de um novo governo. E isso para mim é mortal numa reta final de eleição”, examina. 

Lula em live com Janones nesta quinta-feira, 22
Lula em live com Janones nesta quinta-feira, 22
Foto: Reprodução via Youtube / Estadão

Ao contrário de Lula, que segundo o especialista, entregou para Janones tomar conta da campanha, fazendo virar o jogo. Por fim, Matta destaca que a decisão do presidente foi "muito corajosa", pois zeraram a importância do Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, um profissional muito experiente em campanhas. 

"[Sidônio é] um vencedor, um cara que já venceu muitas eleições estaduais, eleições grandes, mas viram que o resultado não foi bom e deram uma guinada de 180 graus, entregaram na mão de um rapaz que de fato tem o DNA, é o único líder, é a única pessoa da esquerda que tem de fato esse poder de liderança", finaliza. 

Em festa na Av. Paulista, Lula diz que deve vitória à 'juventude rebelde' e às mulheres do Brasil:
Fonte: Portal Terra
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