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‘Choque fiscal’, reformas, investimentos: o que os candidatos à Presidência propõem para a economia do Brasil?

Programas de governo dos postulantes também falam sobre políticas industriais, inclusão social e participação da iniciativa privada

11 set 2026 - 04h58
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Presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante)
Presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante)
Foto: Wilton Junior, Pedro Kirilos, Wilton Junior, Taba Benedicto, Isabella Finholdt, Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Regras fiscais mais rígidas, passando por reformas e investimentos. O Terra traz para você, a menos de um mês para o 1º turno, um resumo do que os candidatos a presidente da República propõem para a área de economia caso sejam eleitos. Os programas de governo dos 13 postulantes também falam sobre políticas industriais, inclusão social, abertura econômica e participação da iniciativa privada. 

  • Essa reportagem faz parte da série O Brasil Que Eles Querem, que vai destrinchar os planos de governo dos candidatos à Presidência sobre TecnologiaEducação, Cultura, Saúde, Segurança, Economia,  Meio Ambiente, Relações Internacionais,  Esporte e Diversidade

Os candidatos ideologicamente mais alinhados à direita defendem uma menor participação direta do Estado na economia, com prioridade para redução de gastos, do tamanho da máquina pública e maior protagonismo do setor privado. Já os alinhados à esquerda defendem um Estado mais ativo na indução do desenvolvimento, com uso de investimentos públicos e proteção social. 

Especialistas ouvidos pelo Terra avaliam que os candidatos apresentam propostas ambiciosas para estimular o crescimento, reorganizar as contas públicas e mudar a relação entre Estado e mercado, mas deixam dúvidas sobre como essas promessas podem ser colocadas em prática.

A seguir, veja o que diz cada candidato (em ordem alfabética pelo nome de urna) sobre suas propostas para a economia no Brasil.

Augusto Cury (Avante)

Augusto Cury, durante debate dos candidatos a presidência da república, realizado nos estúdios da Tv Band
Augusto Cury, durante debate dos candidatos a presidência da república, realizado nos estúdios da Tv Band
Foto: MARINA UEZIMA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

A agenda econômica do candidato é centrada no empreendedorismo, na inclusão produtiva e na descentralização do desenvolvimento. De diferente, ele propõe criar um Ministério do Empreendedorismo. A proposta prevê formar até 10 milhões de novos empreendedores, com ampliação do acesso a crédito, capacitação, inovação e simplificação para abertura e formalização de empresas. Entre as medidas estão redução da burocracia, licenças mais rápidas, tributação reduzida e acesso facilitado de pequenos negócios ao crédito. 

Outra frente é a industrialização e agregação de valor à produção brasileira, com a proposta de estimular a criação de 10 mil novas indústrias e 10 mil agroindústrias. O plano defende que o Brasil deixe de exportar apenas matérias-primas e passe a transformar mais grãos e produtos agropecuários em alimentos processados, biocombustíveis, energia e outros produtos de maior valor agregado. A estratégia inclui investimentos em inteligência artificial, robótica, automação, semicondutores e outras tecnologias. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

Clariana Barão (DC) 

Clariana Barão é candidata à Presidência da República pelo DC
Clariana Barão é candidata à Presidência da República pelo DC
Foto: Reprodução/Instagram/@clarianabarao

O plano de governo da candidata apresenta uma agenda econômica baseada na criação de um ambiente de negócios mais simples, previsível e seguro, com redução da burocracia, digitalização da abertura de empresas e revisão de normas para ampliar a segurança jurídica. Em infraestrutura, o plano defende investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem, utilizando concessões e parcerias público-privadas, além da expansão da conectividade e de condições para estimular a indústria, a inovação e a economia digital.

Na área fiscal, o programa propõe revisão de gastos e subsídios, planejamento plurianual orientado por metas e transparência na avaliação dos benefícios concedidos pelo poder público. A intenção é acompanhar indicadores como resultado fiscal, relação entre dívida e PIB e economia obtida com a revisão de despesas. A agenda também busca aumentar a competitividade e a produtividade, com maior segurança e confiabilidade energética, expansão da infraestrutura digital e estímulo à produção e às exportações de maior valor agregado. 

A campanha de Clariana Barão não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

Edmilson Costa (PCB)

Edmilson Costa é candidato à Presidência da República pelo PCB
Edmilson Costa é candidato à Presidência da República pelo PCB
Foto: Reprodução/Instagram

O plano econômico do PCB propõe uma ruptura com o modelo econômico que chama de “neoliberal” e uma transição para uma economia sob maior controle público. Entre as principais medidas estão a estatização do sistema financeiro, a criação de um Banco dos Trabalhadores e a retomada de empresas estratégicas privatizadas. O partido também defende o fim da autonomia do BC, a revogação do Arcabouço Fiscal, o controle público do câmbio e do comércio exterior e uma reforma tributária progressiva, com maior cobrança sobre fortunas, lucros, dividendos, heranças e transações financeiras.

Na área produtiva e trabalhista, o PCB cita política de reindustrialização, com investimentos públicos em tecnologia, informática, telecomunicações e setores considerados estratégicos. A Petrobras seria transformada em uma empresa 100% estatal, com retomada de ativos privatizados e maior controle sobre exploração, produção, refino e distribuição de petróleo. O programa também prevê recuperação do poder de compra dos salários, com o objetivo de elevar gradualmente o salário mínimo ao piso calculado pelo Dieese, redução da jornada para 30 horas semanais sem redução salarial e fim da escala 6x1. 

“Nossa proposta na área da economia parte da compreensão de que o Brasil precisa realizar uma profunda mudança no modelo econômico construído ao longo das últimas décadas. Queremos substituir a lógica neoliberal, subordinada aos interesses do capital financeiro e dos grandes monopólios, por uma política econômica voltada para o desenvolvimento soberano do País, a valorização do trabalho e a melhoria das condições de vida da maioria da população”, comentou Edmilson Costa.

Flávio Bolsonaro (PL)

Flávio Bolsonaro ao lado do vice, Alfredo Gaspar, durante ato na Avenida Paulista
Flávio Bolsonaro ao lado do vice, Alfredo Gaspar, durante ato na Avenida Paulista
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

A proposta econômica do candidato adota uma linha liberal, tendo como eixo central o equilíbrio das contas públicas e a redução do tamanho do Estado. O plano combina redução de gastos, controle da dívida pública em relação ao PIB, redução da carga tributária e maior protagonismo do setor privado. Defende também regras fiscais mais rígidas e busca de superávits, com a expectativa de que isso permita juros menores e inflação no centro da meta. Na parte tributária, propõe rever a reforma atual, reduzir impostos sobre consumo e produção, diminuir o IVA e desonerar investimentos e exportações.

Para gerar crescimento, o plano aposta no investimento privado, segurança jurídica, desburocratização e aumento da produtividade, com meta declarada de elevar o crescimento sustentado para 4% ao ano. Há também a meta de ampliar o acesso ao crédito e incentivar o empreendedorismo, além de investimentos em infraestrutura, energia, agronegócio, tecnologia e minerais críticos. O documento também defende maior abertura comercial e integração às cadeias globais de valor, com apoio à internacionalização de empresas brasileiras e atração de investimentos. 

"O plano de governo mostra as diretrizes do que é o melhor caminho para o País. Nosso foco é oferecer ao País soluções concretas, técnicas e, mais importante: que sejam exequíveis", disse Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro, ao Terra.

Hertz Dias (PSTU)

Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência da República
Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência da República
Foto: @canaldohertz via Instagram/Reprodução / Estadão

O plano econômico do PSTU parte de uma crítica ao modelo econômico brasileiro, que, segundo a candidatura, mantém a dependência do país em relação às grandes potências e concentra riqueza nas mãos de multinacionais, grandes empresas e do agronegócio. A proposta defende a estatização de empresas estratégicas, como Petrobras e Vale, além do controle dos grandes bancos e da conta de capitais para impedir a saída de riquezas do país. 

O programa também propõe uma taxação fortemente progressiva sobre os lucros das grandes empresas e o direcionamento dos recursos para investimentos produtivos e serviços públicos. O programa também prevê a revogação das reformas Trabalhista e da Previdência, o fim da terceirização e uma bolsa equivalente ao salário mínimo para desempregados enquanto não houver pleno emprego. 

“É impossível avançar de forma consistente diante de qualquer grande problema nacional sem colocar o dedo na ferida: o ciclo de dominação de um país subordinado ao capital estrangeiro, que impede investimentos continuados nos setores estratégicos que caracterizam o mundo atual, quer seja pelo Estado ou pela economia privada”, afirma Gustavo Machado, assessor econômico da candidatura do Hertz Dias.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula é candidato a reeleição a presidente da República pelo PT
Lula é candidato a reeleição a presidente da República pelo PT
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O plano econômico do candidato tem cinco pilares: retomada do crescimento e do emprego; combate às desigualdades e promoção da justiça social; controle da inflação com responsabilidade fiscal; modernização produtiva; e maior integração do Brasil com o mundo. O programa defende elevar os investimentos públicos, ampliar infraestrutura, fortalecer a indústria e utilizar o Estado como indutor do desenvolvimento. Na área fiscal, há promessas de manter o novo arcabouço fiscal, controlar o crescimento das despesas e melhorar a qualidade do gasto público para redução dos juros e da inflação.

Na área tributária, o documento defende que os mais ricos contribuam proporcionalmente mais. Na área produtiva, Lula apresenta a Nova Indústria Brasil (NIB) como instrumento para estimular setores estratégicos, inovação e empregos de maior qualidade, enquanto o Novo PAC é citado como instrumento para agregar recursos públicos, estatais, privados e financiamentos para obras de infraestrutura. O plano também defende o fim da escala 6x1 e a valorização real do salário mínimo. 

A campanha de Lula não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

Pablo Marçal (PRTB) 

O candidato do PRTB à Presidência da República é Pablo Marçal
O candidato do PRTB à Presidência da República é Pablo Marçal
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

O plano de governo do PRTB apresenta como eixo econômico a ideia de transformar o Brasil em uma economia mais dinâmica, produtiva e voltada ao empreendedorismo. Para isso, o programa propõe uma redução progressiva da carga tributária sobre produção, investimentos e geração de empregos, simplificação do sistema tributário e responsabilidade fiscal, com redução gradual da relação entre dívida e PIB. Também defende a revisão de despesas públicas, o fim de subsídios sem retorno comprovado e a priorização de investimentos em infraestrutura, educação, segurança e tecnologia.

Outra aposta central é a chamada “empresarização da sociedade”, com estímulo ao empreendedorismo, especialmente entre pequenos negócios e moradores das periferias. O programa prevê a criação de um Ministério da Empresarização. Na área produtiva, Marçal propõe modernizar a infraestrutura, ampliar ferrovias e concessões, fortalecer o agronegócio, criar uma nova política industrial e desenvolver setores como mineração, semicondutores, energia e tecnologia. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

Renan Santos (Missão)

Renan Santos concedeu entrevista ao 'Estadão' nesta segunda-feira.
Renan Santos concedeu entrevista ao 'Estadão' nesta segunda-feira.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

O plano de governo do Missão, que a campanha chama de “remédio amargo”, coloca o ajuste fiscal e o aumento da produtividade como bases da política econômica. A proposta prevê uma forte contenção das despesas públicas, com uma PEC de Transição para desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo (corrigindo-os apenas pela inflação), desvincular os pisos de saúde e educação das receitas, revisar o abono salarial e reduzir renúncias fiscais. 

Renan também defende em seu plano a reforma do funcionalismo, o fim dos supersalários, mudanças nas emendas parlamentares e uma nova legislação para as finanças públicas. Segundo o documento, essas medidas seriam necessárias para abrir espaço fiscal para investimentos e, posteriormente, permitir a redução de impostos. Na área de crescimento, Renan defende uma agenda de reformas microeconômicas para elevar a produtividade e reduzir entraves à iniciativa privada. 

“O plano econômico da Missão é o único que encara a matemática de maneira realista e sem fazer populismo barato. A nossa dívida pública já passou dos R$ 8,6 trilhões. O atual "arcabouço fiscal" do governo é uma piada matemática: estabelece que os gastos só podem crescer 2,5% ao ano, mas as despesas obrigatórias, como previdência e assistência, estão crescendo quase 6%. A conta não fecha, e se a gente não fizer nada, a dívida vai bater 100% do PIB até 2030”, disse Kim Kataguiri.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema é candidato à Presidência da República pelo Novo
Romeu Zema é candidato à Presidência da República pelo Novo
Foto: LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O plano para a economia do Novo tem como principal eixo um “choque fiscal”, com redução dos gastos públicos e do tamanho do Estado. A proposta prevê uma reforma da Previdência que inclua estados, municípios, trabalhadores rurais e militares, além da revisão de despesas obrigatórias e das regras que ampliam automaticamente os gastos. Zema também defende uma ampla reforma administrativa, com redução de ministérios, cargos comissionados, autarquias e fundações, além do combate a fraudes em programas sociais. 

No campo das estatais, o plano propõe privatizar todas as empresas públicas, ampliar as parcerias público-privadas e vender imóveis e ativos públicos considerados não essenciais. A agenda também prevê simplificação tributária, abertura econômica para atrair investimentos privados, especialmente em tecnologia, inteligência artificial, energia limpa e minerais críticos, e medidas para facilitar a renegociação de dívidas das famílias. 

"Tem muito dinheiro no mundo hoje procurando onde investir em tecnologia. E o que esse dinheiro procura, o Brasil tem de sobra. Energia barata e limpa e muito potencial para inovação. O que falta é o governo deixar acontecer. Vamos atrás desse pessoal para atrair investimentos em data centers, terras raras, biotecnologia, igual fiz em Minas com o Vale do Lítio. E vamos dar oportunidade para o brasileiro trabalhar com isso, abrindo vagas onde tem oferta de emprego", frisou Romeu Zema em comentário enviado à reportagem.

Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

No plano econômico do PSD, a iniciativa privada é apresentada como o principal motor da economia, enquanto o Estado teria a função de coordenar prioridades, eliminar obstáculos, garantir segurança jurídica e investir em áreas nas quais o retorno social seja maior. Para isso, o programa propõe elevar a taxa de investimento, reduzir o custo do capital, qualificar trabalhadores, modernizar a infraestrutura e integrar indústria, agronegócio, mineração, energia, ciência e comércio exterior.

Na área fiscal, o plano defende estabilizar a dívida pública, reconstruir superávits e reduzir o peso dos juros, sem aumentar permanentemente a carga tributária. Propõe ainda revisar gastos, combater fraudes, reorganizar emendas e proteger os investimentos públicos, além de coordenar as políticas fiscal e monetária respeitando a autonomia do Banco Central. O programa também dá bastante importância à infraestrutura, buscando ampliar a participação do capital privado por meio de regras previsíveis, projetos bem estruturados e segurança jurídica. 

A campanha de Caiado não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Rui Costa Pimenta é candidato à Presidência da República pelo PCO
Rui Costa Pimenta é candidato à Presidência da República pelo PCO
Foto: WAGNER ORIGENES/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O plano de governo do PCO apresenta uma proposta econômica de ruptura com o modelo capitalista e de forte ampliação dos direitos dos trabalhadores. Entre as principais medidas estão salário mínimo de pelo menos R$ 7.500, Bolsa Família de um salário mínimo, anulação das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro e redução da jornada para 35 horas semanais, sem redução de salários. Também defende a revogação das reformas trabalhista e da Previdência.

Na estrutura econômica, o PCO propõe cancelar as privatizações e reestatizar empresas, incluindo Petrobras, Eletrobras, Vale, além de nacionalizar reservas minerais e colocar a exploração do petróleo sob controle estatal e dos trabalhadores. O partido também defende o fim do teto de gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal. Propõe ainda redução imediata dos juros, estatização dos bancos e fim da independência do BC. Na tributação, prevê o fim dos impostos sobre consumo e salários e a cobrança concentrada sobre as grandes fortunas.

“Defendemos um duro combate à verdadeira ditadura dos bancos, suspendendo e auditando a dívida pública, reduzindo as taxas de juros, que aqui são as maiores do mundo em termos reais, e impulsionando a economia no sentido do desenvolvimento nacional e do atendimento às necessidades populares. Para isso, é preciso estatizar ou reestatizar setores fundamentais  e colocar a economia sob o controle dos trabalhadores, por meio da mobilização popular”, comentou Antônio Carlos Silva, vice de Rui.

Samara Martins (UP)

Samara Martins, candidata à Presidência pelo UP
Samara Martins, candidata à Presidência pelo UP
Foto: LEANDRO CHEMALLE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O plano econômico da Unidade Popular (UP) propõe maior intervenção do Estado na economia. Entre as principais medidas estão o reajuste de 100% do salário mínimo, a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais e o fim da escala 6x1, além da revogação das reformas trabalhista e da Previdência. A UP também defende a suspensão dos pagamentos da dívida pública e uma auditoria para investigar sua origem, a nacionalização dos bancos e a reestatização de empresas privatizadas. 

Na produção e no campo, a proposta inclui uma reforma agrária popular, com o fim do latifúndio, além do controle estatal dos preços dos alimentos. O programa também defende o fim da exploração estrangeira de minérios e da submissão do Brasil a potências como Estados Unidos e China. A UP propõe ainda a estatização de serviços como transporte público, com passe-livre para estudantes e trabalhadores, e o aumento dos investimentos públicos em educação e saúde. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

Wilson Grassi (Democrata) 

Veterinário Wilson Grassi, candidato à Presidência da República pelo Democrata
Veterinário Wilson Grassi, candidato à Presidência da República pelo Democrata
Foto: @wwgrassi via Instagram/Reprodução / Estadão

O plano econômico do Democrata tem como principal proposta uma ampla reforma tributária, baseada na criação do Imposto Único Federal (IUF). A ideia é substituir nove tributos federais por um único imposto. O candidato propõe também elevar a faixa de isenção do IR para quem recebe até cinco salários mínimos — R$ 8.105 em valores de 2026. O programa também prevê o fim da contribuição patronal sobre a folha de pagamentos, com o objetivo de reduzir o custo da contratação formal.

Na área de emprego e renda, o partido aposta que a desoneração da folha estimulará a formalização dos trabalhadores e a geração de postos com carteira assinada. O plano também prevê medidas para facilitar o acesso à casa própria, permitindo que pessoas que pagam aluguel obtenham financiamento com parcelas equivalentes ao valor já desembolsado. 

Fonte: Portal Terra
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