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Negação do Holocausto pode cair no vestibular

27 fev 2009 - 12h48
(atualizado às 14h44)
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As declarações polêmicas do bispo britânico ultraconservador Richard Williamson - de que câmaras de gás nazistas não teriam sido utilizadas para exterminar judeus e que no Holocausto, em vez de 6 milhões de pessoas, morreram entre 300 mil e 400 mil -, provocaram reações pelo mundo e podem parar nas provas de História no vestibular.

As declarações polêmicas dadas pelo bispo britânico ultraconservador Richard Williamson - de que as câmaras de gás nazistas não teriam sido utilizadas para exterminar judeus e que o número de mortes teria sido menor do que se acredita -, podem virar questão na prova de história do próximo vestibular
As declarações polêmicas dadas pelo bispo britânico ultraconservador Richard Williamson - de que as câmaras de gás nazistas não teriam sido utilizadas para exterminar judeus e que o número de mortes teria sido menor do que se acredita -, podem virar questão na prova de história do próximo vestibular
Foto: Getty Images

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de Bush às Guerras do Golfo

Em 21 de janeiro, a televisão pública sueca Svt divulgou uma entrevista, gravada em novembro, na Alemanha, na qual o bispo questionava o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. O episódio levou à ameaça de expulsão do governo da Argentina, onde ele morava, obrigando-o a voltar à Inglaterra.

Em 12 de fevereiro, Bento XVI afirmou que "está claro que toda negação ou amenização deste terrível crime (Holocausto) é intolerável e, ao mesmo tempo, inaceitável". De volta a seu país, o bispo pediu desculpas nesta quinta-feira, dizendo que "se soubesse antes de todo os danos e feridas provocados, especialmente à Igreja, mas também aos sobreviventes e entes queridos das vítimas de injustiça sob o Terceiro Reich, não as teria feito".

O Holocausto praticado pelos nazistas é um dos temas mais freqüentes nas provas de História quando o assunto é a Segunda Guerra Mundial. "É importante o candidato ter em mente que a perseguição aos não-arianos, na comunidade de Hitler, é um critério político. E o alvo não era apenas o judeu, mas também o comunista, o socialista, o homossexual, o negro - todos aqueles que não pertencessem à raça superior", diz Rafael Menezes, professor de História no Elite Vestibulares.

Ele ressalta que houve uma série de medidas de exclusão, como parte da política nazista, que culminou no Holocausto. Primeiro, foi a exclusão política: quem não era considerado ariano perdeu seus direitos civis e teve bens confiscados. Depois, a exclusão geográfica, com a criação de guetos e, em seguida, de campos de concentração - que podiam ser campos de trabalho, de extermínio ou os dois, como era o campo de Auschwitz, na Polônia.

"Quando ocorre a exclusão geográfica, ocorre também a exclusão física, com o extermínio dessas pessoas. Todo esse processo começa com a ascensão do nazismo, em 1933, e só termina em 1945. E foi acelerado justamente quando a Alemanha começa a entrar em colapso. Mesmo perdendo a guerra, a ordem era não parar a matança", reforça o professor.

Menezes lembra ainda a Conferência de Wannsee como um marco nas decisões que levam ao massacre. Em janeiro de 1942, um grupo de oficiais nazistas se reúne para discutir acerca da "solução final da questão judaica", que desejava a expulsão total dos judeus de todas as esferas da vida alemã.

"Os nazistas pensavam de maneira prática e organizada, não emocional. O extermínio deveria ser rápido e de forma industrial. Os campos pareciam fábricas ou hospitais. Até a forma de matar era otimizada: o gás zyklon-B, até então usado para combater epidemias de tifo, age rapidamente e não é necessário grandes quantidades", detalha o historiador.

Outro aspecto que pode ser cobrado pelas universidades é a localização dos campos de concentração nazistas. "A maior parte deles ficava fora da Alemanha, especialmente na Polônia, e os principais eram interligados por uma malha ferroviária. É uma cena que o cinema retrata muito bem: famílias de judeus deixando os guetos em vagões de trem rumo aos campos de concentração", diz Menezes.

Menos comuns nas provas, mas não totalmente descartadas, são questões que abordem autores que questionam o Holocausto, como fez o bispo Williamson. "Na década de 70, na França, intelectuais ligados à extrema direita começaram a questionar os relatos de mortes de nazistas em campos de concentração, o que foi chamado de Negacionismo.

Eles pegaram detalhes e imprecisões históricas para sustentar a idéia de que o Holocausto não existiu", explica o professor. Ele diz que uma provável questão sobre Negacionismo pode relacionar a extrema direita européia com as reações neonazistas atuais, como a política de exclusão de imigrantes em alguns países daquele continente.

Fonte: Redação Terra
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