vc repórter: profissionais da Educação protestam no Cristo
A categoria pede a retomada de diálogo com as autoridades competentes, mas a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro afirma que as negociações nunca foram encerradas
Em greve unificada desde o dia 12 de maio, os educadores das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro realizaram na manhã do último domingo uma manifestação no Cristo Redentor, símbolo da capital fluminense. Cartazes em diversas línguas (como inglês, francês e alemão) exibiam mensagens de protesto. Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ (Sepe), o objetivo do ato era denunciar à população e aos turistas a situação de “sucateamento” que o setor vive.
De acordo com Marta Moraes, coordenadora do Sepe, cerca de 100 pessoas participaram do protesto no maior cartão postal do Rio de Janeiro. Às vésperas da Copa do Mundo, a categoria promete realizar ações diariamente, até que que os governos do Estado e do município se manifestem positivamente quanto à reabertura das negociações. A pauta de reivindicações inclui plano de carreira unificado para profissionais da educação, jornada de trabalho de 30 horas semanais para funcionários administrativos, eleição direta para direção de escolas e autonomia pedagógica contra à meritocracia.
Atos têm sido realizados pelos trabalhadores em diversos pontos da cidade. Marta afirmou que, nesta segunda-feira, protestos e panfletagem foram realizados no Centro Cultural Banco do Brasil, na Candelária e em Copacabana. “Vamos aproveitar a presença de da imprensa e de vários turistas do brasil e de outros lugares do mundo para mostrar a realidade do Rio de Janeiro”, disse a coordenadora.
Quanto à reação das pessoas presentes no Cristo Redentor, Marta relatou que, no geral, as manifestações da categoria têm encontrado bastante apoio por parte da população e dos turistas. “O povo tem nos aplaudido”, afirmou a coordenadora. A representante do sindicato disse ainda que as demonstrações contrárias costumam aparecer em protestos realizados em horários de pico. “É claro que as passeatas nestes momentos deixam as pessoas chateadas, mas temos explicado para elas que é a única maneira de chamar a atenção das autoridades para a situação”, contou. A gestora garantiu que não houve repressão ao movimento de trabalhadores no ponto turístico.
Procurada pelo Terra, a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) afirmou que as negociações nunca foram encerradas. O órgão argumentou que, no dia 29 de abril, Wilson Risolia Rodrigues, responsável pela pasta, recebeu o sindicato e informou que um projeto de lei de reajuste salarial seria enviado à Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) entre maio e junho. “O sindicato não quis esperar”, disse um representante da secretaria. “Na verdade, eles não querem negociar. Não comparecem às reuniões, ignoram a secretaria, e a pasta já se vê sem saber o que fazer”, explicou.
Segundo a Seeduc, nesta segunda-feira, faltaram ao trabalho 218 professores, de um total de 75 mil. O número, em porcentagem, seria equivalente a cerca de 0,3% dos docentes. A expectativa da pasta é de que, com a aprovação do projeto de lei e a concessão do reajuste, a paralisação seja interrompida antes da volta às aulas após a Copa do Mundo. Devido ao torneio, as aulas serão suspensas entre os dias 12 de junho e 13 de julho. A greve foi considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça do Estado.
Em resposta ao posicionamento da Seeduc, o Sepe afirmou que foi a todas as reuniões marcadas com a secretaria. Marta explicou que a categoria apenas se recusou a participar de um grupo de trabalho sobre questões pedagógicas. A coordenadora disse que o grupo foi criado em Brasília e que foi imposta a presença da União dos Professores Públicos no Estado (Uppes) no encontro. “Não temos nada contra, nem a favor da Uppes, mas esse sindicato não tem nada a ver com a nossa greve. Levamos para assembleia a proposta de participar do grupo, mas ela foi rejeitada, porque entendemos que o secretário estava gerando uma tensão desnecessária e uma dificuldade nas negociações”, argumentou.
O Sepe afirmou que participou de uma audiência no Tribunal de Justiça do Estado, na última terça-feira, informação confirmada pela secretaria. A associação sindical disse que a Seeduc chegou ao encontro sem propostas, ou dados concretos sobre a pauta de reivindicações dos trabalhadores. “Quem não está querendo negociar é governo do Estado”, alegou Marta. A coordenadora acrescentou que a desembargadora do TJ-RJ se comprometeu a agendar uma nova sessão para uma data próxima ao dia 10, terça-feira. "É o que estamos esperando para discutir novamente", finalizou.
Para a próxima quarta-feira, o Sepe programou uma campanha de doação de sangue que promete concentrar manifestantes e apoiadores do movimento no Hemorio, no centro da cidade. Na sexta-feira, uma assembleia no Club Municipal, na Tijuca, definirá os rumos do movimento. O encontro está marcado para as 14h.
A leitora Flavia Correa Galloulckydio, do Rio de Janeiro (RJ), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.