Professores e alunos dão dicas de como se livrar da recuperação
Recuperar o tempo perdido. Esse é o mantra que muito alunos das redes pública e privada de ensino entoarão durante o segundo semestre do ano letivo, que começa nesta segunda-feira em todo o Rio. Estudantes que viram suas médias naufragarem durante o primeiro semestre, precisam correr contra o relógio e se agarrar a professores e colegas com melhores notas como tábua de salvação.
"Não me saí bem em Matemática e preciso me recuperar se não quiser levar bomba e ficar em recuperação", explica Andrea Leoncio, aluna da oitava série da Escola Municipal Conjunto Praia da Bandeira, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.
Uma das estratégias de Andrea são os grupos de estudos organizados por colegas na mesma situação, e que contam também com alunos com boas médias, que se comprometem a ajudar os amigos em situação de risco.
"Os grupos são uma boa opção para que os alunos tirem suas dúvidas e se sintam mais motivados a estudarem. Mas é necessário que as dúvidas surgidas durante estes encontros sejam tiradas também com o professor, em sala de aula", orienta a pedagoga Aline Feijó.
Aos 16 anos, Renata de Oliveira não sente orgulho de seu desempenho escolar nos últimos dois anos. Aluna repetente do primeiro ano do segundo grau na rede estadual, a estudante já sabe que vai ficar pendurada em, pelo menos, três matérias: matemática, química e física. Desta vez, porém, ela promete se esforçar para não perder o ano mais uma vez. A saída encontrada para alcançar boas notas e não ficar em recuperação foi aumentar as horas de estudo diariamente, além de recorrer aos professores para tirar as dúvidas que surgirem em casa.
"Sempre estudava na véspera das provas, isso quando estudava. Aí era sempre a mesma coisa: recuperação no final do ano. Quero fazer diferente agora e entrar de férias junto com todos os alunos, sem correr o risco de ser reprovada mais uma vez", afirma.
Professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio, Leandro de Assis afirma que o grande desafio, nesta época, é justamente mudar antigos hábitos. Segundo ele, alunos pendurados em diversas matérias não estão acostumados a estudar várias horas por dia e isso requer disciplina e força de vontade. Segundo Leonardo, a motivação da família, em casa, também é fundamental para o successo de alunos com notas baixas no primeiro semestre. Além disso, é importante que os alunos identifiquem suas principals dificuldades em cada matéria e estudem estes ítens por tópicos, diariamente. Somente depois que um assunto for realmente entendido, deve-se passar para outro.
Na casa de Renata, o apoio vem em forma de fiscalização. É a mãe da adolescente, Lucia de Oliveira, quem acompanha as horas de estudo diárias, bem como o tempo gasto na internet. Por causa da queda no desempenho escolar, festas, shopping e cinema foram oficialmente cortados da lista de atividades de Renata. Em seu lugar entraram livros, cadernos e uma explicadora, que dá aulas particulares em casa três vezes na semana (os outros dois dias são ocupados pelo curso de inglês).
"Fiz uma promessa para minha mãe e para mim mesma: se não ficar em recuperação em nenhuma matéria, no ano que vem vou estudar direito desde o início do ano letivo", promete Renata.