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Pais vão à Justiça para matricular filhos na escola em MG

Pais vão à Justiça para matricular filhos na escola em MG

17 jan 2012 - 19h56
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Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) motivou uma ação judicial impetrada por mais de 60 pais de crianças com idade escolar em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A resolução, que entrou em vigor este ano, prevê que só poderão ser matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental crianças que completem 6 anos até o dia 31 de março do ano corrente.

A "nova resolução só serve para quem nunca frequentou uma escola e não iniciou nenhum processo de alfabetização", reclamou a professora Regina Melo, que tem duas filhas que estudam desde os 2 anos de idade em escolas privadas.

A filha mais velha de Regina vai completar 6 anos em 5 de maio de 2012, e está impedida de frequentar o primeiro ano. A mãe da menina diz que a filha já tem "bagagem para avançar para o ensino fundamental, já iniciou o processo de alfabetização e reconhece o valor sonoro das sílabas". Para Regina, "repetir o que ela já viu é regredir e pode cansar a cabecinha da menina".

Segundo o promotor Fernando Martins, a "Constituição Brasileira não estabelece idade mínima paro o ingresso do estudante no ensino fundamental". Martins informou que já acatou o pedido dos pais e entrou com uma ação judicial pedindo a matrícula imediata das crianças que foram impedidas de serem matriculadas em escolas públicas e privadas da cidade.

Para o promotor, "a resolução do CNE fere o direito de personalidade da criança e cria um déficit intelectual, além de trazer sofrimento e discriminação, já que as crianças vão ser excluídas do convívio social," disse. Martins ressaltou ainda que vai pedir que todas as crianças que já terminaram os dois períodos da educação infantil, e que tenham capacidade cognoscitiva, mesmo com idade abaixo da permitida, possam ser matriculadas imediatamente e frequentem o primeiro ano do ensino fundamental.

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Por telefone o Conselho Nacional de Educação, disse que "a decisão não é lei" e que cabe a cada município garantir a educação infantil. O MEC disse que só vai se pronunciar por nota, que até as 19h40 desta terça-feira não havia sido enviada.

Tribunal de Justiça determina que escola matricule criança

Em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que a Escola Infantil Núcleo Educacional Conviver realize a matrícula de um menino 3 anos que já estuda na escola na infantil e cursava o período denominado "infantil III".

O garoto não completou a idade mínima exigida, que é de 4 anos, e por isso os pais foram impedidos de matricularem o menino no "infantil IV", no ano de 2012. No processo, a escola alegou que apenas cumpriu o disposto na resolução nº 6 do Ministério da Educação, que diz que o menino deveria ter 4 anos, o que vai acontecer em maio deste ano.

De acordo com o Tribunal de Justiça, diante da situação os pais ajuizaram um mandado de segurança, com pedido de liminar para que a escola fosse obrigada a inscrever a criança. Os pais alegaram que o critério de idade exigido não serve de parâmetro de verificação de aptidão da criança, que, ao superar o objetivo do infantil III, comprovou seu progresso intelectual e, portanto, encontra-se apta a curasar o período seguinte.

A liminar foi negada em primeira instância, o que resultou no recurso enviado ao Tribunal de Justiça. O desembargador Wanderley Paiva, da 11ª Câmara Cível, determinou a efetivação da matrícula da criança. Segundo o magistrado, "a idade mínima prevista na resolução nº 6 do MEC, de 20/10/10, em seu artigo 2º, não pode ser utilizada como meio de impedir o acesso de crianças à rede de ensino privada ou pública, sob pena de tornar letra morta o direito constitucional de acesso à educação¿.

"Não me parece prudente e justo, decidir com base exclusivamente no critério etário se a criança está ou não preparada para ingressar no próximo ciclo de a lfabetização... até porque verifica-se que o menor irá completar os quatro anos de idade no dia 02/05/2012", relatou.

Fonte: Especial para Terra
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