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"O Ateneu": resumo da obra de Raul Pompeia

Um dos mais importantes livros do século 19, obra supera a motivação biográfica pela técnica de um exímio prosador

20 dez 2022 - 17h07
(atualizado em 20/12/2022 às 11h49)
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Publicado como folhetim da Gazeta de Notícias em 1888, O Ateneu saiu em livro no mesmo ano. Com o subtítulo Crônica de Saudades, trata-se de um romance de inspiração autobiográfica. Narra a experiência do menino Sérgio, que perde o aconchego do lar para estudar em um internato.

Foto: Arquivo/Wikimedia Commons / Guia do Estudante

Assim se inicia o romance: "Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta." Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico.[...] Eu tinha onze anos". Raul Pompeia transformou em literatura a experiência como aluno do Colégio Abílio, no Rio, entre seus 10 e 16 anos. Evidentemente, é o produto final e o modo dessa trans­fi­gura­ção que importam à história literária.

Narrada em primeira pessoa pelo protagonista já adulto, a narrativa se constrói pelas impressões que Sérgio tem da escola, dos professo­res, dos colegas e do diretor, Aristarco Argolo de Ramos, que "enchia o Império com o seu renome de pedagogo", cujos "gestos, calmos, soberanos, eram de um esforço, a cada passo, que ele fazia para levar adian­te, de empurrão, o progresso do ensino público".

Vítima maior da ironia e das descrições meticulosas do escritor, Aristarco representa uma fi­gu­ra autoritária e caricatural que alguns críticos entendem também como uma alegoria do Império, vigente na época. É o Ateneu simplesmente um microcosmo, a representação miniaturizada do mundo, con­di­ção explícita de maneira recorrente no romance: "Ensaiados no microcosmo do internato, não há mais surpresas no grande mundo lá fora, onde se vão sofrer todas as convivências, respirar todos os ambientes; onde a razão da maior força é a dialética geral, e nos envolvem as evoluções de tudo que rasteja e tudo que morde, porque a perfídia terra-terra é um dos processos mais eficazes da vulgaridade vencedora".

A classificação de O Ateneu opõe várias leituras da obra. Naturalis­ta ou realista, impressionista ou expressionista, há um pouco de todas essas esco­las no romance: naturalista ao insinuar a homoafetividade que se manifesta no regime fechado e opressivo do colégio; realista ao se deter na com­po­sição psicológica dos persona­gens; impressionista ao pin­­tar lugares e pessoas que lhe fizeram bem nessa fase da infância; expressioni­sta ao sobrecarregar nas tintas que com­põem os mo­mentos mais angustiantes da sua reclusão.

Quando se situa O Ateneu entre as mais importantes obras da literatura brasileira do século 19, isso se deve ao pro­sa­dor consciente das técnicas que dominava, da capacidade de descrever minuciosamente sensações de modo novo, inventivo, surpreendente.

Raul Pompeia, autor da obra, nasceu em Angra dos Reis, em 1863, e suicidou-se em 1895, no Rio de Janeiro. Filho de família abastada, formou-se em direito em São Paulo, onde tomou contato com ideias abolicionistas e positivistas. Era bom desenhista e caricaturista, como se vê nas ilustrações que fez para o livro. São também de sua autoria Canções Sem Metro (poemas em prosa) e Uma Tragédia no Amazonas.

O GUIA DO ESTUDANTE tem um podcast focado nas obras obrigatórias dos vestibulares, o Marca Texto. Na segunda temporada conversamos com com professores do curso pré-vestibular Anglo sobre os livros cobrados na Unicamp, inclusive O Ateneu. No episódio, você encontra o resumo, interpretação, contexto histórico e análise de personagens da obra. Dá o play e bom estudo!

Título: O Ateneu

Autor: Raul Pompeia

Esse texto faz parte do especial "100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira", publicado em 2009 pela revista Bravo!

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