Novo ministro é a derrota dos olavistas e a vitória dos militares da reserva

Conservador, é visto como um profissional pragmático e que deve retomar a interlocução com Estados e municípios

25 jun 2020
17h02
atualizado às 18h14
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O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, significa a derrota da ala ideológica e uma vitória do grupo moderado militar. Decotelli foi tirado do MEC justamente por Abraham Weintraub, que deixou o cargo na semana passada, mas também havia travado embate com os integrantes ligados a Olavo de Carvalho durante a curta e conturbada gestão de Ricardo Velez.

Professor da Fundação Getulio Vargas e da Fundação Dom Cabral, o oficial da reserva da Marinha participou do grupo de militares que discutiu a transição para o governo Bolsonaro. Entre eles estão general Villas Bôas e vice-presidente Hamilton Mourão. Foi assim que ganhou o cargo no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) no começo de 2019.

Decotelli, especialista em gestão com pós doutorado na Alemanha, ficou nove meses no órgão que cuida do dinheiro do MEC. Weintraub o tirou do cargo para acomodar um indicado do DEM, Rodrigo Sérgio Dias, na época da votação da reforma da Previdência. Dias foi exonerado pouco tempo depois, sem nem ser avisado, para que o então ministro colocasse no cargo Karine Silva dos Santos, concursada do próprio fundo. Em junho de 2020, mais uma mudança, entra Marcelo Lopes, indicado pelo Centrão.

Conservador, é visto como um profissional pragmático e que deve retomar a interlocução com Estados e municípios, perdida desde o início do governo Bolsonaro na educação. Ele é bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Enquanto esteve no FNDE tentou modernizar o órgão em processos de prestação de contas e trabalhou muito com as prefeituras.

Sua visão de educação é a de que falta boa gestão para que os sistemas funcionem de maneira adequada, ideia compartilhada por alguns economistas, mas que não é consenso entre educadores que acreditam que é preciso focar na aprendizagem.

No entanto, vai embora definitivamente do cargo mais alto do MEC a ideia da educação que precisa combater comunistas. A preocupação de especialistas é como devem se comportar os integrantes da área ideológica que continuam por lá, como Carlos Nadalim, secretário de Alfabetização e ligado a Olavo de Carvalho.

"É um claro sinal de espaço limitado do presidente, que já está reciclando autoridades que ele mesmo demitiu porque ele não tem capacidade de atrair quadros para o seu governo, diz o Diretor de Estratégia Política do Todos pela Educação, João Marcelo Borges. "O mais importante nesse momento é pacificar o diálogo, estabilizar a crise em torno de MEC e construir conjuntamente as soluções", completou.

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