Ministério da Educação: presidente do FNDE é exonerado

Exonerações nos principais cargos do MEC são indicações de enfraquecimento e saída de Abraham Weintraub no próximo ano

23 dez 2019
21h05
atualizado às 22h37
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Rodrigo Sergio Dias foi exonerado da presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) nesta segunda-feira, 23. O órgão é um dos principais braços do Ministério da Educação (MEC), com um dos maiores orçamentos da pasta, cerca de R$ 58 bilhões, é responsável por garantir a transferência de recursos para programas que vão desde a merenda ao Financiamento Estudantil (Fies).

Ministério da Educação
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Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / Estadão Conteúdo

Nos últimos dias, o ministério sofreu um esvaziamento, com nomes importantes deixando os cargos que ocupavam. Segundo fontes, essa é uma indicação de que o próprio ministro Abraham Weintraub vai sair do cargo.

A exoneração de Dias foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial na noite desta segunda. Para o cargo, foi nomeada a servidora Karine Silva dos Santos. Em nota, o MEC disse que a "escolha do nome se deu pelo perfil técnico". Karine trabalha no FNDE desde 2009 e já atuou em diversos cargos de chefia do órgão.

O Estado apurou que a demissão cria novas atritos a Weintraub, já que Dias tem forte ligação e foi uma indicação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Nomeado em agosto para o cargo, o advogado, que fez parte do governo Michel Temer, nunca agradou o ministro por ter muito trânsito político. Ele assumiu o cargo em meio à votação da reforma da Previdência no Congresso.

Também deixam os cargos Guilherme Arthur Botelho Victorio Cerioni (chefe de gabinete) e Gilvan Silva Batista (diretor Financeiro).

Segundo fontes, Weintraub é malvisto tanto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto pelo secretário-geral da Presidência, Jorge Antonio de Oliveira Francisco, que avaliam que suas polêmicas são desnecessárias e prejudicam o governo. Na Economia, reclama-se ainda do fato de ele pensar em projetos e sequer comunicar a área econômica, como o Future-se, que previa criação de fundos. O ministro também não tem apoio no Congresso, onde foi convocado a explicar declarações polêmicas e acusações sem provas.

Karine é a terceira a ocupar a presidência do FNDE somente neste ano, sendo que a chefia do órgão ficou sem ninguém no comando por mais de 45 dias no início do ano - o que levou ao atraso de pagamentos para faculdades privadas. Antes de Dias, o fundo foi presidido por Carlos Alberto Decotelli, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e indicado ao cargo pela ala militar do governo Jair Bolsonaro.

Os principais órgãos do MEC tiveram muitas mudanças de chefia neste ano, como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes).

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Estadão
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