A origem da Olimpíada: a importância na cultura grega
Evidentemente não há nenhuma precisão quanto ao início das práticas que levaram aos Jogos Olímpicos, mas é inquestionável a importância que eles adquiriram na cultura grega desde que se efetivaram no século VIII a.C.. Tanto é que o registro do primeiro deles, quando Coribos venceu a primeira rupestre, que pelo nosso calendário teria ocorrido no ano de 776 a.C., passou a ser o marco inicial do calendário grego.
As lendas que envolveram seus começos são muitas. Numa delas, Zeus, ainda bem jovem, hospedado por Cronos-pai (o tempo), resolveu disputar-lhe o poder. Vencido o rei do tempo, a jovem divindade que o sucedeu teria organizado os jogos para que os mortais registrassem sua coroação, escolhendo como local da celebração exatamente aquela região da Élida. Noutra, a iniciativa teria partido de Hércules (Héracles), o gigante grego, um forçudo, que para estimular seus cinco irmãos, chamados de Curetes, à guerra, teria organizado as primeiras provas.
Tendo a competição tido início, possivelmente, com o diaulos, uma corrida a curta distância, depois as provas se diversificaram, aumentando os desafios. A iniciativa de coroar o vencedor com um ramo de oliveira colocado na cabeça do bem-sucedido seria sugestão de Hércules.
Por outro lado, a construção original do templo de Olímpia fora erguida em homenagem a Cronos, não a Zeus, visto que este teria usurpado o edifício para si. Provavelmente os jogos olímpicos resultaram de uma evolução natural, sendo costume antiquíssimo organizar essas disputas nos momentos fúnebres, quando um grande herói era cremado e depois sepultado.
Não se pode deixar de destacar que nenhum outro povo da antiguidade deu tanta ênfase às práticas do esporte e ao culto da exuberância e perfeição física como fizeram os gregos, sendo os primeiros que edificarem um local específico para competirem entre si, ao tempo que Olímpia passou a ser um monumento vivo para celebrar a beleza anatômica dos atletas, o seu desempenho, e sua capacidade fenomenal de superar-se nas provas.
Não foi sem razão que a partir do século VI a.C. (acredita-se que em 558 a.C.) os vencedores passaram a ser objeto de atenção dos escultores. Deste modo, eles foram elevados à categoria dos mitos, dos heróis imortais e por que não, de deuses.
Os jogos homéricos
Um dos melhores e mais sucintos relatos desses jogos fúnebres existentes na literatura grega foi deixado pelo próprio Homero (Ilíada, Canto XXIII), cultivado pelos tempos a fora por sua veracidade e emoção narrativa. Tendo incinerado Pátroclo, depois de um funeral bárbaro cheio de vítimas, humanas e animais, imoladas em sua honra, Aquiles, o maior herói grego, tratou de promover as competições em homenagem ao seu escudeiro morto em combate.
Mandou então que trouxessem dos seus barcos as caldeiras, os trípodes sagrados, touros, bois, mulas, armas, ferro, baixelas de prata, belas e prendadas escravas e alguns talentos de ouro. Seriam os prêmios dados aos vencedores da competição que se faria ao longo da área onde estava o acampamento dos gregos. Não tardou para que cinco guerreiros, empunhando as rédeas dos seus fogosos corcéis, dessem a partida para uma sensacional corrida equestre pela planície de Tróia. Em meio às areias e as nuvens de pó que as rodas das bigas levantavam os demais guerreiros à sombra, numa arquibancada improvisada, faziam a algazarra das torcidas enquanto alguns apostavam, até que despontou ao longe a testa de lua branca do cavalo avermelhado de Diomedes, o vencedor da prova e do prêmio.
Corridas, lutas e provas
No relato feito pelo imortal poeta constam praticamente todos os elementos que acompanhavam um desafio daquele tipo, desde a descrição dos animais e a decoração de alguns carros, até os conselhos que um pai, atuando como treinador, dá ao seu filho. Em seguida, Aquiles, presidindo os jogos e distribuindo prêmios, estimula a que se faça prontamente a luta de murros, a qual foi vencida por Epeio; a luta livre (hoje chamada de luta greco-romana) terminou empatada entre Ulisses e Ajax; uma corrida de velocidade foi ganha por Ulisses, com o auxílio da invocação da deusa Palas Atenéia; uma luta de gládio, que opôs Ajax ao feroz Diomedes; o lançamento de peso, ganho folgadamente por Polipetes, enquanto uma precisa flechada num pombo deu um dos prêmios a Meriones. A prova derradeira daquela jornada, o lançamento de dardo, Aquiles achou por bem cancelá-la, distribuindo os regalos finais a Agamemnon e a Meriones.
Naquelas páginas de Homero estão presente todos os jogos que se travavam então: a corrida de bigas, a luta de murros, a luta-livre, a corrida de velocidade, o choque do gládio, o lançamento de peso, de dardo e o arco e flecha. Com o passar do tempo outras variações vão sendo acrescentadas (corrida à longa distância, competições com carros puxados só por potros, só com éguas, com cavalos e mulas, etc) nos diversos jogos disputados depois na Grécia, mas, basicamente, as modalidades eram sempre as mesmas.