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Greve na USP supera 50h na reitoria e estudantes planejam até Dia das Mães: 'Não vamos ceder'

Entre 150 a 200 estudantes se revezam em diferentes turnos durante a ocupação, segundo DCE; reitoria descarta novas rodadas de negociação

9 mai 2026 - 23h14
(atualizado em 10/5/2026 às 00h50)
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Mais de 50 horas depois de ocupar o prédio da reitoria, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) afirmam que não vão encerrar a greve até ter suas reivindicações atendidas, com destaque para o aumento do valor do auxílio-permanência. Neste domingo, 10, eles planejam inclusive realizar ações para o Dia das Mães.

"A ideia é que o dia de amanhã seja um momento em que a gente traga as mães dos estudantes que estão aqui presentes", disse Rosa Baptista, aluna de Educomunicação. Segundo ela, estão previstos desde um almoço até dinâmicas culturais ao longo do dia.

Entre 150 a 200 estudantes, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), se revezam em diferentes turnos durante a greve, com divisão de tarefas, agenda cultural e limpeza do espaço. Eles insistem nos pontos levantados nas última semanas, mas a reitoria descarta novas rodadas de negociação.

Estudantes ocupam a reitoria da USP desde quinta-feira, 7
Estudantes ocupam a reitoria da USP desde quinta-feira, 7
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

A reportagem do Estadão acompanhou um pouco da movimentação na reitoria na noite deste sábado. Em geral, o tom era de insatisfação em relação às declarações recentes do reitor da USP, Aluísio Segurado. "Não vamos ceder", repetiam alguns deles.

Como mostrou o Estadão, o reitor afirmou que não descarta acionar a Justiça para obter uma reintegração de posse e retomar o prédio da reitoria, invadido por estudantes na tarde da última quinta-feira, 7.

Em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira, 8, Segurado lembrou que, em 2023, durante uma greve estudantil que também resultou na ocupação de um prédio da antiga reitoria, foi necessário recorrer a "soluções jurídicas" para recuperar o espaço.

"Naquele momento, foi seguido o mesmo protocolo: foram acionadas a Guarda Universitária e a Polícia Militar e, como a situação se prolongou, incluindo danos ao patrimônio físico, como instalações e câmeras de vigilância, buscaram-se soluções jurídicas de mediação para conseguir a liberação do prédio. Isso foi obtido depois de algumas intervenções", afirmou. "Isso (buscar a Justiça) não está afastado."

Apesar disso, o reitor avalia que ainda não é o momento mais adequado para essa medida. Segundo ele, assembleias estudantis previstas para a próxima semana poderão levar cursos atualmente paralisados a votar pelo encerramento da greve, diante de possíveis avanços nas negociações com a reitoria.

"Temos que observar o andamento dos próximos movimentos, nas próximas horas e nos próximos dias. Pode haver uma mudança nessas correlações de força, nessa adesão ao movimento, a partir dos avanços reais que já foram obtidos", disse Segurado, que voltou a descartar novas rodadas de negociação.

Os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril. Liderado pelo DCE, o movimento começou inicialmente em apoio a uma mobilização de servidores, que também cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.

Após pressão e mobilização, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.

"A greve dos funcionários foi rápida, durou apenas uma semana, porque o reitor Aluísio cedeu à demanda dos funcionários", disse Rosa neste sábado. Os estudantes afirmam que, desde o começo da semana, estão buscando diálogo com Segurado, mas sem sucesso.

"O que nós estamos colocando é que, se o reitor quer mesmo acabar com esse processo de ocupação, se ele quer mesmo que a universidade volte às dinâmicas, ele precisa sentar com os estudantes e atender às reivindicações estudantis", acrescentou ela, que é integrante do DCE.

A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente oferece benefícios entre R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil e R$ 885 para auxílio integral.

A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Dessa forma, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para estudantes com moradia subiria para R$ 340. A proposta, no entanto, é considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.

Segundo eles, trata-se de uma reivindicação antiga. "Faz mais de um ano que os estudantes já estabeleceram que uma de suas pautas principais em relação às bolsas estudantis está ligada ao aumento para um salário mínimo", afirmou Dany Oliveira, estudante de Artes Cênicas.

"Essa ocupação existe por alguns motivos. O primeiro deles é que hoje existe uma grave crise permanente em relação à educação aqui dentro da USP, relacionada à permanência, à qualidade do ensino", disse ela, que também integra o DCE.

A reitoria abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta apresentada, decidiu encerrar unilateralmente as conversas, gerando insatisfação entre os grevistas.

Entre outros pontos, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, conhecido como "bandejão", a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

Estadão
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