Futuro já é realidade na pós-graduação

Instituições criam especializações nas áreas de big data e inteligência artificial (IA), que devem oferecer mais vagas e maiores salários

28 jun 2020
10h11
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Com a pandemia, muitas indústrias interromperam linhas de produção e fecharam escritórios e fábricas. Em muitas delas, talvez as portas não voltem a abrir. Em outras, as máquinas só serão religadas com a ajuda de tecnologias capazes não só de reduzir custos como de otimizar processos frente aos desafios do futuro próximo.

É no desenvolvimento dessas tecnologias que as ofertas de trabalho devem ser mais abundantes em quantidade e mais valorizadas em relação a salários. Se antes da covid-19 profissionais com pós-graduação embig data e inteligência artificial já eram disputados, a tendência é que sejam ainda mais requisitados.

As instituições de ensino já se adaptam a esse cenário, seja na oferta de cursos a distância sobre esses temas, seja garantindo que as aulas dos cursos concebidos como presenciais aconteçam na modalidade EAD e garantam a formação desse profissional. No catálogo, há desde ofertas de formação com abordagens mais generalistas como outras com aplicações das tecnologias já direcionadas a áreas específicas como saúde, educação, marketing ou negócios.

Soluções. Apesar de o nome parecer distante da nossa vida trivial, conceitos de big data já fazem parte de muitos objetos cotidianos. Celulares, relógios inteligentes, cartões e sensores produzem uma quantidade quase imensurável de dados. Literalmente. Para ter sua dimensão quantificada, são utilizadas grandezas inimagináveis para a maioria de nós. Já ouviu falar em quintilhões de bytes?

É trabalho do especialista em big data administrar esses volumes imensos de dados e traçar estratégias diversas de uso dos resultados obtidos. Ofertada em algumas unidades do Senac, a pós-graduação em Big Data aborda desde os fundamentos da área, com detalhes sobre as terminologias e importância para o mundo corporativo, até técnicas de processamento e produção de análises de informações. O conteúdo passa ainda pela discussão de práticas de governança nacionais e internacionais ligadas a essa tecnologia.

Com algumas turmas em andamento, o curso já tem alunos com trabalhos acadêmicos aplicados no mercado. "Um de nossos alunos desenvolveu projetos em instituições financeiras na área de processos regulatórios do Bacen (Banco Central do Brasil) e cadastro positivo de clientes. Outro implementou soluções sobre governança aplicando técnicas avançadas de big data", diz João Carlos Neto, coordenador do curso no Centro Universitário Senac Santo Amaro.

Já na esteira dos cursos voltados a profissionais específicos, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) oferece a pós-graduação em Big Data e Inteligência de Marketing. "O marketing digital está diretamente associado às grandes bases de dados. Dominar ferramentas de análise de informações é vital para qualquer campanha e de qualquer tamanho na realidade do mundo virtual", explica Paulo Borba, um dos professores do curso.

O público-alvo consiste prioritariamente em profissionais de marketing, mas também abrange envolvidos em inteligência de negócios e tecnologia, em início de carreira ou experientes. No programa, análise de dados obtidos em redes sociais, geolocalização e estudos comportamentais são abordados junto a aspectos técnicos como infraestrutura de dados, arquitetura da informação, modelagem e captura de dados em ambientes corporativos e via web.

"No fim do curso, os alunos criam modelos de negócios que devem lidar com big data. Assim, desenvolvem ideias como ferramentas de marketplace, e-commerce, e de tomadas de decisões estratégicas e rentáveis para empresas", diz Borba.

Mundo real. Popularizada em filmes e séries de ficção científica, a inteligência artificial (IA) pode ser resumida como uma tecnologia que emula características de inteligência de seres vivos para tomar decisões e aprender como fazê-las. É uma tecnologia complexa, mas já faz parte do cotidiano. Pode ser naquela conversa dos chatbots que interagem com os clientes nos sites de instituições como lojas e laboratórios, como no interior de indústrias, com robôs que coordenam o andamento de atividades executadas no chão de fábrica.

Na crise atual, a tecnologia ganhou proeminência até no combate ao coronavírus. Um grupo de pesquisadores ligados a instituições como o King's College London, no Reino Unido, e do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, desenvolveu um modelo de IA que permite prever contaminações. Usando um modelo matemático que compara sintomas específicos de qualquer pessoa com os apresentados por quem testou positivo para o Sars-CoV-2, a IA obteve 80% de precisão.

"Com a pandemia, temos percebido que as empresas estão buscando uma adoção mais rápida de IA, especialmente em atendimento virtual. A demanda por capacitação continua grande e a procura por IA, que já era alta, se manteve durante esse período", comenta Keylla Saes, integrante da coordenação acadêmica do MBA Artificial Intelligence & Machine Learning do centro universitário Fiap.

O curso se organiza em módulos, como o de análise da língua humana - envolvendo sistemas de reconhecimento de voz e processamento de linguagem - e abordagens de componentes visuais, considerando realidade aumentada e interpretações de deslocamentos e desenvolvimento de projetos aplicados.

"Um dos produtos desenvolvidos pelos alunos é o reconhecimento inteligente de clientes por imagem, apontando gênero e idade. Os clientes são identificados e associados a compras baseados na hora de abertura do ticket no ponto de venda onde a câmera está instalada. Com as informações coletadas e associadas, os perfis de compras são gerados com algoritmos para análise de intenção, baseado no histórico de compras", diz Keylla.

Outras instituições buscam estudar a aplicação de inteligência artificial a áreas em que muitos não imaginam ser possível, como no planejamento de estratégia de negócios. É o que propõe o Grupo Uniftec com o MBA em Inteligência Artificial aplicada aos Negócios.

"Quando se fala sobre o uso da IA nos negócios, é muito comum vir à mente a automação de processos, sistemas acionados por reconhecimento de voz e o uso de veículos autônomos. Estima-se, no entanto, que nem 10% do potencial da IA tenha sido explorado, o que abre uma infinidade de novas possibilidades", afirma Márcio Marins, coordenador dos cursos de pós-graduação da instituição.

Na especialização, é explorada a aplicação de inteligência artificial para otimizar processos decisórios em áreas como marketing, vendas, finanças e supply chain. Em alguns casos, há uso de IA aplicada em análise de documentos com algoritmos inteligentes, possibilitando eficiência ao lidar com grandes volumes de processos. Outras vezes, a ferramenta tem revolucionado o processo de recrutamento e seleção de pessoas.

"Se pensarmos na inteligência artificial como uma criança cujo Q.I. é de 5.000, e seus pais possuem a missão de ampliar suas aptidões ao máximo, conseguimos ter uma breve noção do quanto a IA ainda pode ser aplicada de forma a criar uma conexão inteligente entre empresas e mercados", conclui Marins.

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Estadão
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