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Espelho da redação do Enem 2023: leia redações nota 1.000

O espelho da redação do Enem 2023 já foi divulgado. Estudantes escreveram sobre invisibilidade do trabalho realizado pela mulher no Brasil.

20 mar 2024 - 17h12
(atualizado às 17h44)
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O espelho da redação do Enem 2023 já foi divulgado. Também chamado de vista pedagógica, o espelho mostra a imagem da folha na qual o estudante escreveu o texto.

O tema da redação do Enem 2023 foi os "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil". 

Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com a vista pedagógica da redação, o participante terá a possibilidade de verificar a pontuação alcançada em cada uma das competências aferidas pelos avaliadores da prova de redação.

Exemplos de espelhos da redações nota 1.000

Redação de Rafaela Pinto Muller

Rafaela Pinto Muller
Rafaela Pinto Muller
Foto: Brasil Escola

Historicamente, o mundo do trabalho foi dominado pelos homens, restando para as mulheres, principalmente, o trabalho doméstico e de cuidado com a família. Com efeito, no Brasil não foi diferente, e, ainda hoje, existem desafios que precisam ser enfrentados para reduzir a invisibilidade do trabalho do cuidado realizado pela mulher no país, uma vez que esse grupo da sociedade permanece em situação de exclusão e subserviência ao mercado trabalhista. Diante desse cenário, é fundamental compreender as causas desse revés, dentre as quais a desigualdade social e o patriarcalismo enraizado na sociedade são agravantes dessa problemática.

Em uma primeira análise, destaca-se a desigualdade social como um dos desafios a ser enfrentado para amenizar a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil. Nesse sentido, a escritora Carolina Maria de  Jesus, em sua obra literária "Quarto de despejo", escrita em meados do século XX, traz uma denúncia social, com uma visão feminista de uma moradora da favela, na qual retrata a invisibilidade das pessoas que vivem em regiões desprestigiadas pelo poder público e que precisam de submeter a situações degradantes para conseguir sobreviver e não morrer de fome. Sob essa ótica, percebe-se que a desigualdade social gerada pela ausência do amparo estatal para as camadas mais pobres da população, acarreta na aceitação de trabalhos mal remunerados e informais, principalmente pelas mulheres. Assim, é fundamental que haja politicas públicas que reconheçam a importância do trabalho do cuidado no país e tragam garantias para essa atividade que será cada vez mais demandada com o envelhecimento da população. 

Outrossim, salienta-se que o patriarcalismo enraizado na sociedade brasileira é outro fator que contribui para a falta de visibilidade do trabalho de cuidado desempenhado pela mulher no país, sendo a desconstrução dessa cultura de inferioridade feminina mais um desafio a ser superado para solucionar esse gravame social. Segundo preconiza a Constituição Federal, em seu artigo 3º, é o objetivo do Estado a construção de uma sociedade justa e igualitária, sem distinção de gênero, raça, etc. No entanto, as mulheres ainda são prejudicadas quanto aos direitos trabalhistas, recebendo salários menores e não sendo valorizadas especialmente nos trabalhos realizados em ambientes domésticos. Dessa forma, é preciso que haja uma mudança cultural no pensamento patriarcal a fim de ampliar a importância desse trabalho de cuidado feminino com o reconhecimento de garantias constitucionais. 

É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para solucionar esse problema. Para tanto, o Congresso Nacional, por meio da elaboração de leis específicas, deve criar normas que asseguram a visibilidade do trabalho de cuidado existente no país, executado majoritariamente por mulheres, com a regulamentação de direitos trabalhistas para essa categoria, afim de que essas trabalhadoras possam ter uma vida digna, uma jornada legal de trabalho e uma remuneração justa que lhes permita ter acesso à moradia, alimentação, saúde e lazer.    

Exemplo de redação notal 1.000 no Enem 2023/ Clique para ampliar 
Foto: Brasil Escola

Redação de Mariana Goulart 

Mariana Goulart 
Mariana Goulart
Foto: Brasil Escola

Conforme o pensamento aristotélico, a justiça é a base da sociedade. Contudo, o contexto do Brasil, no século XXI, contraria esse conceito, uma vez que a permanência de invisibilidade do trabalho de cuidado realizado por mulheres é uma injustiça ao bem-estar social. Dessa forma, a desvalorização da figura feminina e a falta de apoio são alguns dos desafios desse impasse que precisam ser enfrentados. 

Em primeira análise, o ato de não valorizar mulheres como cidadãs que têm os mesmos direitos que a população masculina é uma das causas para que suas atividades de cuidado sejam menosprezadas. De acordo com a pensadora Simone de Beauvoir, "o maior dos escândalos é que nos habituamos a eles". A partir do exposto, o habito de delegar integralmente às mães, às avós o cuidado de crianças e dos afazeres domésticos , por exemplo, demonstra o enraizamento de ideias machistas. Desse modo, o estado de subserviência é visto como inerente à realidade feminina, que é invisibilizada. Assim, o esforço físico e psicológico da rotina diária de mulheres que cuidam de outras pessoas não é visto ou valorizado por conta do não enfrentamento da discriminação de gênero. 

Além do mais, o escasso apoio ao público feminino que trabalha auxiliando indivíduos também é uma das razões para que tais práticas laborais permaneçam invisíveis. Segundo o filósofo Émile Durkheim, é dever do estado gerenciar questões relacionadas ao bem-estar da coletividade. Todavia, ao não haver o reconhecimento e o auxílio às mulheres que exercem trabalhos como cuidadoras, tal preceito não é efetivo por completo. Dessa maneira, patologia como depressão e ansiedade podem ser desenvolvidas pelo desgaste da alta carga horária de tarefas não remuneradas e pela sensação de desamparo social e governamental. Logo, a falta de apoio contribui para o apagamento da colaboração dessa parte da população ao corpo social. 

Portanto, mudanças são necessárias para alterar essa realidade. É preciso que o Ministério da Mulher promova campanhas sobre o trabalho do cuidado realizado por mulheres. Tal ação pode ser feita por meio de documentários divulgados nos meios de comunica~~ao  - televisão, redes sociais, afim de instigar a valorização da personalidade feminina. Ademais, é necessário que as prefeituras dos municípios realizem projetos regionais de integração de mulheres cuidadoras. Isso podem ocorrer com apoio de psicólogos e auxílios financeiros às trabalhadoras que estão em vulnerabilidade social e sem renda própria , com a finalidade de diminuir o desamparo. Posto isso, espera-se uma sociedade mais justa e igualitária possa ser formada. 

Exemplo de redação nota 1.000/ Clique para ampliar
Foto: Brasil Escola

Enem 2023

O Enem 2023 aconteceu em dois domingos consecutivos, nos dias 5 e 12 de novembro. Professores elogiaram o tema da redação do Enem 2023 que trouxe para discussão o trabalho de cuidado feito pela mulher no país. 

Os assuntos que foram destaque do primeiro dia do Enem do ano passado foram: a valorização do papel da mulher na sociedade, preconceito linguístico, jogos eletrônicos como e-sports, expressões corporais por meio da dança, regime militar e o conflito entre Israel e Palestina.

Entre os temas abordados no segundo dia do exame estão: a vacina da Covid-19, agrotóxico, criptomoedas, gastos calóricos com o esporte, matemática financeira e parasitologia. 

Para mais informações, acesse a Página do Participante.                                                                                        

Brasil Escola
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