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Divórcio: como contar para os filhos, tipos de guarda e o que fazer após separação 

Especialistas explicam como agir com as crianças para que o processo seja encarado de forma positiva

26 dez 2023 - 05h00
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Crianças podem se sentir culpadas por divórcio, e por isso, diálogo é essencial
Crianças podem se sentir culpadas por divórcio, e por isso, diálogo é essencial
Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

O divórcio é um momento desafiador para qualquer família, especialmente quando há filhos envolvidos. Saber como abordar o assunto com as crianças, compreender os tipos de guarda e tomar decisões saudáveis após a separação são etapas cruciais para garantir o bem-estar dos pequenos.

Gabi Moutinho, terapeuta infantil especializada em neurociência, educação e desenvolvimento infantil, afirma que é importante que os pais conversem com seus filhos sobre o divórcio, e reforcem que a decisão é positiva para toda a família.

Segundo a profissional, é essencial compreender que as crianças têm uma tendência natural a assumir a culpa pela separação dos pais. “Isso porque a criança, essencialmente, é egocêntrica. Então, tudo é para ela, no tempo dela, do jeito dela, assim como tudo também ela acha que é culpa dela."

“Então, se os pais estão se separando, ela tem uma tendência a achar que a culpa da separação é dela. Os pais devem se preocupar em conversar para dizer que é uma decisão do papai e da mamãe e que não tem nada a ver, não tem nada relacionado à criança. Isso vai contribuir para que ela não leve com ela a culpa por conta dessa separação”, explica Moutinho.

Além disso, é crucial apresentar a separação como algo positivo, destacando os benefícios para todos os envolvidos. A terapeuta infantil também ressalta a importância do tom de voz ao comunicar a notícia e de enfatizar que ambos os pais continuarão a amar e cuidar da criança, o que é fundamental para minimizar o impacto emocional.

Em casos em que a criança pode enfrentar dificuldades emocionais significativas, um acompanhamento psicológico pode ser benéfico, especialmente se houver mudanças significativas na rotina. “Por exemplo, se os pais se separam e o pai decide morar em outro estado, em outra cidade, e aquela criança está acostumada a conviver com os dois, lógico que ele vai sentir. Se essa separação tiver que mudar a rotina da escola, se o pai ia levar e agora a mãe que vai levar. Então, qualquer mudança que venha a repercutir de uma maneira muito intensa na vida da criança é interessante que tenha acompanhamento psicológico. Mas, se não houver uma mudança significativa na rotina, não necessariamente precisa desse acompanhamento”, explica.

Mudanças na rotina podem interferir em comportamento das crianças
Mudanças na rotina podem interferir em comportamento das crianças
Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

Para a educadora, manter a previsibilidade na rotina e a boa comunicação são formas de manter a situação sob controle com os filhos, e evitar impactá-los ainda mais com a mudança familiar.

Ponto de vista legal

A presidente da Comissão Especial da Advocacia de Família e Sucessões da OAB SP, Silvia Felipe Marzagão, esclarece os pontos jurídicos sobre a guarda dos filhos após o divórcio. Marzagão explica que, para regulamentar questões como guarda, convivência e pensão alimentícia, o divórcio precisa ser conduzido pela via judicial.

No Brasil, os tipos de guarda são: a compartilhada e a unilateral, sendo o compartilhamento a regra. A guarda unilateral é uma exceção, aplicada apenas em casos específicos, como quando um dos pais não pode exercer as responsabilidades ou quando há violência doméstica.

“No Brasil, a guarda é compartilhada ou unilateral. A regra que temos é de compartilhamento, então significa que direitos e deveres com relação à prole, aos filhos, será compartilhada entre os genitores, pais e pais, mães e mães, ou mães e pais. Serão compartilhadas as responsabilidades, os direitos e os deveres”, detalha Marzagão.

“A guarda é unilateral quando um dos dois não pode exercer, abrir mão de exercê-lo ou se há questão envolvendo violência doméstica. Desta forma, o juiz também poderá, desde logo, decretar a guarda unilateral. O fato é que nós temos que pensar sempre no compartilhamento como regra, até para que possamos falar em igualdade parental, em cuidado exercido tanto pelo pai quanto pela mãe. E, a guarda unilateral, quando só um dos pais tem deveres inerentes àqueles cuidados diretos, será exceção no nosso ordenamento”, completa a advogada.

No processo de decisão sobre com quem a criança irá ficar, Marzagão destaca que, em casos consensuais, os pais podem escolher a melhor forma de guarda. No entanto, em disputas litigiosas, a decisão é tomada pelo juiz, considerando as condições de cada progenitor e quem está mais apto a oferecer o melhor ambiente para o desenvolvimento da criança.

Linguagem positiva e diálogo são essenciais para filhos encararem divórcio dos pais
Linguagem positiva e diálogo são essenciais para filhos encararem divórcio dos pais
Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

“Mesmo em casos de violência, a análise da situação como um todo será feita sempre pelo juiz ou pela juíza, então não é regra automática. ‘Ah, é uma alegação de violência, necessariamente ou automaticamente será unilateral?’ Na verdade, será feita uma análise da situação, para verificar qual é o caso, se é ou não caso de aplicação da guarda unilateral”.

A vontade da criança

É comum questionar se a vontade da criança tem peso na decisão sobre a guarda. Silvia Marzagão esclarece que, embora as crianças tenham o direito de serem ouvidas, a decisão final não deve ser baseada exclusivamente em suas preferências.

A análise da situação, com avaliação pericial psicológica e social, é crucial para determinar o que é melhor para o bem-estar da criança. “Isso é muito comum, os pais chegarem nos escritórios e perguntarem: quando o meu filho vai poder escolher com quem ele vai ficar? O filho não tem que escolher, é uma decisão que toca de fato aos adultos. Ele será ouvido, ele será ouvido em prova pericial para que se entenda a dinâmica familiar, mas ele não será necessariamente atendido”, diz a advogada.

“Precisamos pensar que, muitas vezes, a criança, especialmente os adolescentes, não têm uma percepção do que é melhor para eles com relação à vivência no dia a dia. Por exemplo: um adolescente pode querer estar com um daquele pai ou aquela mãe que seja mais permissivo e não necessariamente isso seja o mais interessante para ele em termos de criação, de estruturação familiar e de pensamentos de que nós precisamos encarar as necessidades daquela criança, daquele ser humano em desenvolvimento dentro de uma perspectiva vista pelos adultos. Então não tem escolha”, conclui.

Fonte: Redação Terra
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