Como saber se o seu filho está praticando bullying

Especialistas afirmam que perceber que uma criança é agressora é ainda mais difícil do que notar que ela está sofrendo bullying

31 jul 2019
16h16
atualizado às 16h58
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Em vigor desde 2015, a Lei nº 13.185 classifica o bullying como intimidação sistemática, quando há violência física ou psicológica em atos de humilhação ou discriminação. A classificação também inclui ataques físicos, insultos, ameaças, comentários e apelidos pejorativos.

Na lei também foi instituído do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas, em 7 de abril, para que sejam aplicadas ações de conscientização nos colégios. A data faz referência à tragédia ocorrida em 2011, quando um jovem de 24 anos invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, e matou 11 crianças.

Entre os objetivos da medida, estão a capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema; implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; dar assistência psicológica, social e jurídica.

A preocupação acerca do bullying pode ser explicada em números. Uma pesquisa realizada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), em parceria com o Ministério da Educação, revelou que 69,7% dos estudantes brasileiros declaram já ter presenciado situações de bullying dentro da escola. Além disso, um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying, segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

Identificar se uma criança pratica bullying é ainda mais difícil do que saber se ela está sofrendo a agressão, afirma a pedagoga Márcia Régis, do Colégio Presbiteriano Mackenzie. "É sutil, mas ela dá sinais. A criança acaba tendo algum tipo de agressividade nas palavras, de intimidação. Você observa que ela já tratou mal um colega, um familiar, um animal", diz.

De acordo com ela, é comum às crianças que praticam bullying a prática de colocar o outro para baixo para se autoafirmar. "É complicado de identificar, porque elas criam um comportamento dissimulado. São bonzinhos na frente dos pais", explica.

Sinais que uma criança que sofre bullying apresenta

  • Agressividade
  • Intimidação
  • Arrogância
  • Não admitem críticas
  • Colocam o outro para baixo para se autoafirmar
  • Necessidade de chamar a atenção

O professor do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade da Universidade de São Paulo (USP) José Leon Crochick afirma que a criança que pratica bullying tem a necessidade de querer se exibir e se destacar, com uso da agressão como uma maneira de mostrar a sua superioridade sobre o seu alvo.

"Tendem a ser mais arrogantes, orgulhosos e não admitirem críticas. A vítima é quem julgam que possam humilhar à vontade, sem que haja reação suficiente. Não só têm insensibilidade com o sofrimento do outro, como têm prazer de fazê-lo sofrer", afirma.

Como proceder se o seu filho pratica o bullying

Em relação ao autor da agressão, Crochick afirmou que é preciso que seja lembrado que o bullying não deve ser considerado uma brincadeira. "Enfatizar que a agressão e a violência são atitudes infantis e que há outras formas de se tornar visível, diferenciado, respeitado aos olhos dos colegas e dos professores, assim como todos o são, que não por meio da violência", aponta.

Estadão
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