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'Tenho de ter o diverso para me contestar', afirma Deives Rezende Filho

CEO da Condurú Consultoria, o executivo de 60 anos diz que pede ajuda para lidar com novas tecnologias enquanto aporta maturidade e experiência para orientar os mais jovens

13 out 2022 - 10h11
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Contador de formação e apaixonado por empreendedorismo, Deives Rezende Filho considera-se CEO desde os 16 anos de idade, quando começou a trabalhar. Por isso, ele enxerga o posto além do cargo. "Ser CEO é ser líder, mas não uma liderança de comando e controle, porque isso não é sustentável", diz.

Ele defende que cabe à pessoa na liderança abrir as portas da liberdade de atuação, da flexibilidade de horário e da oportunidade de crescimento para os funcionários, uma vez que o trabalho precisa ter significado. "O líder tem de ser líder pelo exemplo, um líder servidor", afirma, hoje com 60 anos.

Com uma carreira de quatro décadas no mercado financeiro, tendo atuado com compliance, auditoria e ética, Filho se enveredou pelo caminho da diversidade e inclusão (D&I), o que também lhe abriu os olhos sobre si. "Eu não falava, eu não conhecia sobre isso. As organizações nas quais eu trabalhei me embranqueceram."

Deives Rezende Filho, 60 anos: a maturidade trouxe habilidades importantes para o cargo de CEO, como melhor comunicação, ouvir mais e orientar pessoas
Deives Rezende Filho, 60 anos: a maturidade trouxe habilidades importantes para o cargo de CEO, como melhor comunicação, ouvir mais e orientar pessoas
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Por conta do racismo estrutural direto ou velado, hoje o empresário compreende que teve o crescimento na carreira interrompido em alguns momentos. Mas os valores pessoais vindos do pai o mantiveram "trabalhando o dobro, estudando o dobro, com ética e integridade".

Nessa trajetória, ele resolveu empreender na área de D&I e há cinco anos fundou a Condurú Consultoria. Foi nesse momento que Filho se tornou CEO no título, mas a habilidade de gestão de pessoas vem desde os 19 anos, quando trabalhava em um banco e tinha uma equipe de seis integrantes para liderar.

Atualmente, o executivo convive com jovens na faixa dos 20 anos e entende que a troca é fundamental. "Tenho de ter o diverso para me contestar." Por um lado, ele aporta experiência e maturidade para dar mentorias e ser coach de carreira, além de dominar outros idiomas que ainda não integram as habilidades dos demais.

Por outro, sente dificuldade com novas ferramentas digitais, tecnológicas e conceitos como agile, BI e people analytics, nas quais pede ajuda. "Apresentação em Power Point eu sei fazer, no Canva não", brinca. "Eles entendem isso, não é um problema, mas para mim é quase uma frustração", confessa.

Ele percebe que a sociedade ainda tem uma visão pejorativa sobre pessoas na idade dele ocupar um cargo de liderança, mas vê também um movimento de mudança. "Pessoas de 30, 40 anos veem um de 50 ou 60 como antiquadas nos processos e soluções, acham que um CEO nessa idade não vai dar conta nem virar a noite."

A percepção é completamente diferente de como ele se vê profissionalmente. "Me percebo muito ligado no mercado, me vejo muito produtivo, moderno nas conversas e consigo me aprofundar quando alguém fala de gestão, feedback, avaliação de performance ou como se demite uma pessoa, porque o gestor novo não sabe nem contratar nem demitir", afirma.

Com a maturidade, Filho também aprendeu a dizer "não" para projetos e clientes em que não vê potencial ou identifica ambiente toxico. "Uma coisa que eu quero muito é ser feliz. Para mim, é muito importante dormir bem, então aprendi a falar 'não', porque quando fala 'sim' para alguém, estou negando algo para mim."

Estadão
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