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Papel do trabalho na vida faz profissionais reverem prioridades, aponta Microsoft

Levantamento global mostra que interesse por flexibilidade e bem-estar pesa quando trabalhadores refletem sobre abrir mão de algo em nome da carreira; desafio de líderes é equilibrar interesses variados

16 mar 2022 14h51
| atualizado às 15h00
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A equação trabalho versus vida pessoal, após dois anos da pandemia da covid-19, tem levantado questionamento semelhante entre profissionais de vários países, inclusive do Brasil: "Vale a pena?". O interesse maior por flexibilidade e bem-estar está provocando novas reflexões acerca de prioridades e do papel do trabalho.

"As pessoas estão repensando sobre o que realmente estão dispostas a abrir mão por suas carreiras", diz Colette Stallbaumer, gerente geral de Microsoft 365 e Marketing para Futuro do Trabalho, em entrevista exclusiva ao Estadão.

A gigante de tecnologia divulgou nesta quarta-feira, 16, o seu Índice de Tendências de Trabalho 2022 e, segundo o relatório, 71% dos brasileiros estão mais propensos a priorizar saúde e bem-estar sobre o trabalho do que antes da pandemia, versus 53% da média geral. "Muitas das tendências observadas globalmente se mantiveram ainda mais fortes no Brasil e em outros países da América Latina", destaca a executiva.

Com base em pesquisas com 31 mil pessoas em 31 países e análises de informações sobre produtividade nas plataformas Microsoft 365, Outlook e Teams, bem como tendências no LinkedIn, a empresa elencou dados que descrevem o futuro do trabalho para ajudar empresas, líderes e funcionários a terem sucesso nesse novo cenário.

De acordo com o relatório, 47% dos funcionários em todo o mundo têm maior probabilidade de priorizar a vida familiar e pessoal frente ao trabalho. Além disso, 18% deixaram o emprego nos últimos 12 meses, por motivos como equilíbrio entre vida profissional, bem-estar, flexibilidade e, por último, remuneração - na esteira do movimento que vem sendo chamado de "grande debandada". Outros 43% dos entrevistados estão considerando fazer movimentos semelhantes. Na geração Z e entre os millennials, o dado representa 52%.

"Isso significa que acompanhar o ritmo dessas expectativas dos funcionários não será uma tarefa fácil. Sabemos que muitos desejam flexibilidade, mas, ao mesmo tempo, 47% dos líderes empresariais no Brasil dizem que sua empresa planeja exigir que os colaboradores voltem ao escritório em tempo integral no próximo ano", afirma Stallbaumer.

As análises das pesquisas indicam ainda que as prioridades e os valores dos profissionais mudaram nos últimos anos, principalmente, a partir de experiências e vantagens observadas nos trabalhos remoto e híbrido. Saúde, família, tempo e propósito têm sido mais importantes para muitos indivíduos do que os benefícios oferecidos pelas companhias. Ou seja, o trabalho está sendo visto como parte da vida e não como o todo.

"O que estamos vendo neste ano é o que chamamos de a era das grandes expectativas", explica a especialista. "Tanto os funcionários quanto as organizações têm grandes expectativas sobre como será o trabalho daqui para a frente e que podem estar desalinhadas. O desafio dos líderes é saber unir esses interesses e encontrar formas para que o trabalho híbrido realmente funcione", complementa.

Escritório precisa 'valer a pena'

As análises do relatório indicam que a desconexão entre os interesses dos colaboradores e das empresas gera uma tensão que recai sobre os gerentes. No Brasil, por exemplo, 73% deles gostariam de poder fazer mais para implementar mudanças na equipe, mas não têm influência ou recursos, e 34% sentem que a liderança realmente está fora de contato com as expectativas de seus funcionários.

Colette Stallbaumer, gerente geral de Microsoft 365 e Marketing para Futuro do Trabalho. 
Colette Stallbaumer, gerente geral de Microsoft 365 e Marketing para Futuro do Trabalho.
Foto: Divulgação / Estadão

O equilíbrio, conforme sugere o estudo, parte de uma mudança de cultura e de reavaliação do papel do escritório. Ainda mais, se levar em consideração, que 58% dos trabalhadores brasileiros pretendem mudar para modelos de trabalho remoto ou híbrido no próximo ano. "Ou seja, tentar trazer as pessoas de volta ao escritório de uma vez não é a solução", alerta Stallbaumer.

O relatório indica que os líderes precisam fazer com que o ambiente 'valha a pena'. Ocorre que apenas 31% deles no Brasil criaram acordos de equipe para definir claramente as novas normas, por exemplo, de por que e quando ir ao local. Outros 39% dos entrevistados não estão nem preocupados se os novos funcionários remotos não estão recebendo o suporte necessário para serem bem-sucedidos.

Por outro lado, a pesquisa mostra certo otimismo para o País ao constatar que apenas 27% dos líderes empresariais temem que a produtividade tenha sido impactada negativamente desde a mudança para o home office (versus 54% da média global). Entre os trabalhadores, 85% dizem que são tão produtivos ou até mais em comparação com um ano atrás.

Diálogo entre gerentes e equipes

"As pessoas estão desejando conexão humana. Estar junto pessoalmente após dois anos de trabalho remoto é uma sensação maravilhosa", comenta a gerente da Microsoft, que se encontrou recentemente com uma funcionária contratada há um ano. "Mas ela continuará morando em outra cidade por conta do trabalho híbrido. Esse é o mundo em que estamos. As pessoas estão procurando por essa flexibilidade."

O Índice de Tendências de Trabalho 2022 indica que, além de repensar o papel do escritório e capacitar os gerentes, as organizações necessitam adotar novas práticas internas que perpassam pela tecnologia, o espaço e a cultura para que o trabalho flexível se torne sustentável.

"Há pequenas ações que, juntas, podem ajudar as pessoas a terem uma experiência positiva do trabalho híbrido ou remoto e em relação à flexibilidade", salienta Stallbaumer. Ela ainda ressalta a importância do diálogo entre gerentes e equipes para estabelecer acordos e práticas de bem-estar.

"Estou fazendo isso agora com a minha equipe. Estamos decidindo, por exemplo, quando nos reuniremos pessoalmente. Teremos que ficar mais abertos e flexíveis para aprender o que funciona para as pessoas e deixar bem claro nosso comprometimento com isso", finaliza.

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Estadão
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