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Eduardo Bolsonaro recebe green card do governo Trump

21 jul 2026 - 06h46
(atualizado às 06h58)
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Condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo STF no mês passado, ex-deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Com o documento, ele poderá viver em território americano por tempo indeterminado.Vivendo nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro de 2025, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu nesta segunda-feira (20/07) um green card concedido pelo governo dos Estados Unidos. Com isso, ele poderá viver em território americano por tempo indeterminado.

O documento autoriza a permanência e também o acesso a trabalho e estudo nos EUA, além de garantias semelhantes às concedidas aos cidadãos americanos, como o direito de utilizar serviços públicos.

O green card não permite, no entanto, que ele vote nas eleições americanas ou tenha passaporte dos EUA - embora essa seja uma porta para efetuar um pedido de cidadania no futuro. É recomendado, ainda, que não permaneça durante longos períodos fora do país.

Alegando supostas perseguições por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Bolsonaro entrou nos EUA com um visto de turista, o que lhe garantia ficar em território americano por seis meses. Na época, disse que pretendia solicitar asilo político ao governo Trump.

A solicitação de asilo é uma das maneiras de se conseguir o green card, que muitas vezes é aprovado somente após um processo extremamente demorado e minucioso - segundo fontes próximas do ex-deputado, o pedido havia sido feito há mais de um ano.

Concessão em meio a clima tenso

A concessão do green card a Eduardo Bolsonaro ocorre em meio a um clima de tensão entre Brasil e EUA, menos de uma semana depois de o governo do presidente Donald Trump impor um novo tarifaço de 25% para produtos brasileiros - alegando "práticas comerciais desleais" por parte do Brasil.

A medida deve entrar em vigor nesta quarta-feira (22/07) e encerra uma investigação aberta há um ano sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, criada para responder a medidas econômicas "irrazoáveis ou discriminatórias" de governos estrangeiros que restrinjam o comércio americano.

A taxa vale para todos os produtos brasileiros, com exceção de 2.100 itens isentos devido à importância para a economia americana. Entre eles estão carne bovina, café, diversas frutas e verduras, laticínios, instrumentos médicos, plásticos e borracha, além de minerais e metais como carvão, cobalto, níquel e alumínio.

Na primeira rodada de tarifas impostas ao Brasil, em 2025, o presidente americano argumentou que as tarifas seriam também vinculadas a uma suposta perseguição do Estado brasileiro - principalmente, por meio do Judiciário, ou seja, do STF - ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Visto após condenação no STF

A confirmação do green card para Eduardo Bolsonaro ocorre pouco mais de um mês depois de o ex-deputado ter sido condenado pelo STF a 4 anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso de processo judicial.

Além do tempo de reclusão, Eduardo Bolsonaro foi condenado também ao pagamento de 50 dias-multa, fixados em dois salários mínimos cada, a oito anos de inelegibilidade e à perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.

Conforme a decisão do STF, Eduardo atuou nos EUA para tentar interferir no julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão.

A denúncia aponta que o próprio Eduardo afirmou, na época, ter atuado para que o governo Trump impusesse sanções a autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país. Em dezembro, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados também cassou seu mandato de deputado por acúmulo de faltas.

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