Dor de garganta em crianças: saiba como diferenciar vírus de bactéria
Médicos listam os sintomas de alerta na garganta inflamada que exigem socorro imediato nas emergências
O inverno e a consequente queda nas temperaturas aumentam a incidência de dores de garganta em crianças no Rio Grande do Sul. O ar seco, o frio e a permanência prolongada em ambientes fechados irritam as mucosas e aceleram a circulação de vírus respiratórios. O sintoma costuma vir acompanhado de coriza, tosse, rouquidão e febre, mas também pode se manifestar por meio da recusa de alimentos e líquidos, sonolência e prostração.
O médico Silvio Baptista, 1º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), explica que a maior parte dos quadros na infância tem origem viral, associada a gripes e resfriados. No entanto, o sintoma também pode indicar infecções bacterianas, que demandam uma abordagem terapêutica completamente diferente e são identificadas pelo comprometimento mais severo do estado geral da criança.
A análise combinada dos sintomas é fundamental para distinguir a causa da infecção e definir a gravidade do caso. Nos primeiros três anos de vida, os vírus dominam o cenário etiológico, e as infecções bacterianas na faringe são raras.
As características que ajudam a diferenciar os quadros incluem:
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Infecções Virais: Apresentam-se associadas a sintomas respiratórios comuns, como coriza, obstrução nasal, tosse e rouquidão.
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Infecções Bacterianas: São mais comuns em crianças maiores e costumam provocar febre alta, dor intensa ao engolir e mal-estar geral, mas sem a presença de coriza. Ao exame clínico, nota-se vermelhidão intensa, aumento das amígdalas e, frequentemente, presença de placas de secreção.
O diagnóstico preciso pode ser complexo apenas pela observação visual. Por isso, os pediatras recorrem a exames laboratoriais de triagem rápida com coleta de material da orofaringe para rastrear a bactéria Streptococcus pyogenes e confirmar a real necessidade de intervenção terapêutica específica.
A SPRS faz um alerta contundente contra o uso de medicamentos sem a devida prescrição, especialmente antibióticos, anti-inflamatórios e xaropes. Medicar o paciente por conta própria pode mascarar a evolução de patologias graves, gerar efeitos colaterais e alimentar o problema global da resistência bacteriana.
O uso de antibióticos deve ser restrito exclusivamente aos casos com confirmação laboratorial ou clínica de infecção por bactérias. A imensa maioria das dores de garganta infantis é viral e necessita apenas de suporte básico, como repouso, hidratação constante e analgésicos comuns previamente autorizados pelo médico para o controle do desconforto. Medicamentos para febre também devem ser ministrados somente quando o sintoma vier acompanhado de mal-estar.
A prevenção envolve medidas simples inseridas na rotina familiar, tais como manter os ambientes domésticos e escolares bem ventilados, agasalhar as crianças adequadamente, estimular a respiração nasal e garantir uma boa ingestão de água. Em dias de ar muito seco, o uso de umidificadores ajuda a proteger as mucosas. Oferecer líquidos mornos e adequados à idade também ajuda a suavizar o tecido da garganta.
Os pais devem ligar o sinal de alerta e encaminhar a criança imediatamente a um serviço de pronto atendimento ou emergência caso ela apresente dificuldade respiratória, prostração extrema, sonolência fora do comum, recusa total e persistente de líquidos ou febre alta que não cede mesmo após a administração dos remédios recomendados pelo pediatra. Bebês e portadores de doenças crônicas exigem monitoramento preventivo ainda mais rigoroso.
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