Doação de órgãos pediátricos: Entenda o desafio e o drama das crianças na fila
No Setembro Verde, o Hospital Pequeno Príncipe faz um alerta sobre a gravidade da espera por transplantes na infância e reforça o diálogo familiar como chave para salvar vida
A campanha Setembro Verde destaca a urgência da doação de órgãos pediátricos no Brasil, onde a recusa familiar chega a 45%. O transplante infantil é dificultado pela exigência de compatibilidade física de tamanho, o que amplia o tempo de espera e a mortalidade na fila. Especialistas reforçam que dialogar e conscientizar as famílias em vida são passos essenciais para desmistificar o tema, diminuir as negativas e salvar a vida de crianças que necessitam de novos órgãos.
Com o início do Setembro Verde, a conscientização sobre a doação de órgãos pediátricos ganha destaque diante de estatísticas alarmantes divulgadas pelo Ministério da Saúde. No Brasil, mais de 49 mil pessoas aguardam por procedimentos cirúrgicos, sendo que a recusa familiar é o principal entrave: em cerca de 45% das oportunidades, o procedimento não é autorizado pelos parentes. No Hospital Pequeno Príncipe, a pequena Isabela, de apenas 11 meses, recebeu um novo coração após três meses de espera, ilustrando o impacto direto da autorização em salvar vidas infantis.
Doação de órgãos pediátricos
O cenário é desafiador porque a doação destinada às crianças enfrenta limitações técnicas severas. O cirurgião Fábio Navarro, responsável pelo Serviço de Transplante Cardíaco do hospital, pontua que a compatibilidade física reduz as opções de doadores: "Órgãos infantis costumam ser compatíveis, em geral, com receptores de tamanho semelhante, o que significa que o número de doadores possíveis é bem menor. Isso faz com que crianças, na maioria das vezes, esperem mais tempo na fila por um órgão de tamanho adequado".
O impacto da conscientização e os números da fila
Para contornar o tempo de espera e a perda de pacientes durante a fila, especialistas reforçam a necessidade de abordar o tema previamente em vida. De acordo com informações compiladas pelo Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), em 2025 foram registrados 586 transplantes de órgãos em crianças, mas 50 faleceram enquanto aguardavam a cirurgia. O cirurgião destaca ainda que "falar sobre isso ajuda a desfazer mitos, antecipa este tema sensível às famílias, para que estas, tendo maior conhecimento, possam tomar uma decisão pela doação de órgãos, mesmo em um momento de muita dor".
A mãe da garota receptora do novo coração, Caroline Antônia da Silva de Paula, reforça a transformação provocada pelo procedimento na rotina da família: "A doação de órgãos é um ato de amor, de esperança e de empatia com o próximo. Hoje, saio com a minha filha com vida. Minha Isabela terá um futuro". A instituição, que já realizou centenas de intervenções do gênero ao longo de décadas de atuação, segue atuando para esclarecer dúvidas e expandir o número de procedimentos no país.
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