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Arie Halpern: gatilhos de mudanças climáticas e a preservação da Amazônia

5 dez 2019
14h58
atualizado às 16h07
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Se os efeitos cumulativos do aquecimento global podem ser dramáticos, um fator ainda mais assustador vem tirando o sono dos cientistas. É cada vez mais claro que a partir de um certo nível de aquecimento, alguns gatilhos podem ser disparados, e a mudança climática passaria então a se retroalimentar. Esse ponto de inflexão, segundo o último relatório do IPCC (o órgão da ONU para mudanças climáticas) não é de 5 ou 6 graus como se chegou a pensar no passado, mas foi revisado para apenas 2 graus Celsius. Dentre os principais riscos estão o descongelamento do solo florestal do Canadá e da Rússia, o chamado "permafrost"; a liberação de uma enorme quantidade de metano que está resfriada no fundo do oceano na forma de "esponjas"; e o declínio da Amazônia, que pode se transformar em savanas se houver secas mais prolongadas seguidas de incêndios provocados pelo próprio aquecimento da Terra.

Foto: DINO / DINO

Recentemente, um assustador artigo publicado por cientistas do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter e do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam deu conta que esses disparadores estão se mexendo. E justamente a Amazônia estaria mais próxima desse limiar. Ela já perdeu cerca de 17% de sua cobertura desde 1970, e alguns modelos indicam que ela pode colapsar totalmente se - em conjunto com o aquecimento global - o desmatamento ultrapassar 20%.

Essa é uma situação extremamente crítica, talvez o maior desafio já enfrentado pela humanidade em seu conjunto, e mudanças de padrão tecnológicos são fundamentais para lidar com esse problema, como tem sido observado numa série de setores. A questão hoje não é tanto a de criar novos equipamentos mais limpos para gerar energia ou propiciar transporte de qualidade. Eles já existem, e são inclusive economicamente viáveis. Mas, sim, enfrentar os reveses que estão sendo impingidos às políticas de contenção de mudanças climáticas por visões míopes e mesquinhas, que nos colocam e às futuras gerações em risco.

Efeito-estufa

A principal preocupação dos climatologistas do mundo se relaciona à intensificação do efeito estufa. Ele ocorre porque o carbono acumulado na atmosfera permite que os raios do Sol penetrem até o solo, mas impede que uma parte do calor - cada vez maior - volte a ser dispersada pelo espaço. Por isso se chama "efeito estufa"; é como se estivéssemos em um carro fechado: o vidro deixa a energia do Sol entrar em forma de luz, mas não deixa que ela saia na forma de calor.

Estudos científicos realizados desde os anos 1970 consideram que a atividade humana intensificou esse acúmulo de gás carbônico na atmosfera desde que se iniciou a Revolução Industrial, há cerca de 200 anos. Durante todo esse tempo, estivemos (e ainda estamos) utilizando carbono que estava armazenado e dispersando-o pelo ar. Isso é feito de duas maneiras. A primeira é a queima de material fóssil para gerar energia; ou seja, usar petróleo ou carvão, materiais que são compostos em grande parte por carbono, para alimentar motores ou usinas termelétricas. A segunda, que tem muito a ver com o Brasil, consiste na eliminação de florestas, cuja biomassa (os troncos, galhos, folhas, raízes) armazenam carbono: no corte ou na queima desse material, as moléculas se desintegram e o carbono vai para a atmosfera na forma de gás. Por esse motivo, os setores energético e tecnológico desempenham papel fundamental no combate ao aquecimento global.

Com informações: France Press, Phys, IPCC



Website: http://www.ariehalpern.com.br/gatilhos-de-mudancas-climaticas-e-a-preservacao-da-amazonia/

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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