"Deus não ouve a oração de quem faz guerra", diz papa Leão
Pontífice criticou uso da fé para justificar conflitos e prestou homenagem "aos cristãos do Oriente Médio". Em Israel, polícia impediu um cardeal de celebrar a missa de Domingo de Ramos.O papa Leão 14 afirmou neste domingo (29/03) que Deus "não ouve a oração de quem faz guerra", em meio à continuidade dos conflitos no Oriente Médio em múltiplas frentes.
"Este é o nosso Deus. Um Deus que rejeita a guerra, que não ouve a oração de quem faz guerra", disse ele em sua homilia do Domingo de Ramos.
Após a oração do Angelus, o pontífice prestou homenagem "aos cristãos do Oriente Médio, que sofrem as consequências de um conflito terrível e, em muitos casos, não conseguem viver plenamente os ritos destes dias santos".
No início da semana, o papa pediu um cessar-fogo na guerra no Oriente Médio, afirmando que mais de um milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas e apelando para que as partes envolvidas retomem o diálogo.
Leão 14, o primeiro papa americano, condenou repetidamente a guerra e tem insistido na necessidade de negociações.
Mas o pontífice de tem sido cauteloso em suas declarações sobre os ataques americanos e israelenses, evitando citar diretamente qualquer parte em suas condenações e apelos pela paz.
Líderes de todos os lados do conflito com o Irã têm usado a religião para justificar suas ações. Autoridades dos EUA - especialmente o secretário de Defesa, Pete Hegseth - invocaram sua fé cristã para em discursos sobre o uso da força militar contra inimigos.
A Igreja Ortodoxa Russa também justificou a invasão da Ucrânia como uma "guerra santa" contra um Ocidente que considera moralmente corrompido.
Polícia israelense proíbe cardeal de acessar igreja
Também neste domingo, a polícia israelense impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, uma das datas mais importantes do cristianismo.
"Pela primeira vez em séculos, os chefes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", afirma um texto assinado pelo Patriarcado Latino de Jerusalém, circunscrição da Igreja Católica Apostólica Romana que atende fiéis em Israel, Palestina, Jordânia e Chipre.
Aglomerações com mais de 50 pessoas foram proibidas pelas autoridades israelenses desde o início da guerra no Oriente Médio. Isso inclui sinagogas, igrejas e mesquitas.
No entanto, Pierbattista Pizzaballa, e Francesco Ielpo, guardião oficial da Igreja do Santo Sepulcro, teriam sido parados "enquanto caminhavam em caráter privado, sem qualquer característica de procissão ou ato cerimonial, e foram forçados a retornar", diz a nota.
gq (AFP, AP)