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Desafios do Ensino Médio começam no Fundamental

Mesmo com avanços na série histórica, Ensino Médio ainda tem resultados mais baixos que etapas anteriores. Resultados podem estar ligados a defasagens que se acumulam ao longo da trajetória escolar, apontam especialistas

16 out 2026 - 17h03
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Resumo
Os baixos índices do ensino médio brasileiro refletem defasagens acumuladas desde o ensino fundamental, etapa em que o Ideb cai e a minoria atinge proficiência adequada no 9º ano. Além das lacunas pedagógicas, a falta de interesse impulsiona o abandono escolar. Especialistas alertam que reverter esse cenário exige fortalecer os anos finais do fundamental com recomposição de aprendizagem, apoio socioemocional e projeto de vida, preparando os jovens para as exigências e escolhas futuras.

Os desafios enfrentados pelo ensino médio brasileiro começam antes mesmo de os estudantes chegarem a essa etapa. Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 chamam atenção para dificuldades que se acumulam ao longo da trajetória escolar, especialmente nos anos finais do ensino fundamental, entre o 6º e o 9º ano.

Foto: Instituto Sol / DINO

Apesar dos avanços registrados na Educação Básica, com os melhores resultados desde o início da série histórica, iniciada em 2005, os dados evidenciam um desafio persistente na educação brasileira: quanto mais avançada a etapa de ensino, menores são os índices registrados. Na rede pública, os anos iniciais do ensino fundamental alcançaram um IDEB de 6,1, contra 5,0 nos anos finais e 4,3 no ensino médio.

Para especialistas em educação, parte dos desafios enfrentados pelos estudantes no ensino médio está relacionada a dificuldades que começam a se acumular antes mesmo de sua entrada nessa etapa, tanto no domínio de conhecimentos essenciais quanto na relação que os jovens estabelecem com a escola.

"Quando olhamos para os resultados do ensino médio, precisamos considerar toda a trajetória que levou o estudante até ali. Muitos jovens chegam a essa etapa com dificuldades de aprendizagem acumuladas ao longo dos anos. Se queremos melhorar os resultados, precisamos fortalecer também a formação que acontece antes", afirma Júlia Borges, diretora-executiva do Instituto Sol, organização que atua na ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda.

Aprendizagem: um desafio que se acumula

Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que compõem o cálculo do Ideb, ajudam a dimensionar as dificuldades enfrentadas pelos estudantes. Na rede pública, apenas 38,3% dos alunos concluem o 9º ano com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e 18,8% em Matemática.

Os indicadores mostram a importância de fortalecer a aprendizagem ainda no ensino fundamental. Ao chegar ao ensino médio sem dominar conhecimentos essenciais, o estudante precisa lidar simultaneamente com a recuperação de conteúdos anteriores e com novas exigências curriculares.

Esse cenário reforça a necessidade de investir em estratégias de recomposição da aprendizagem, acompanhamento individualizado e identificação precoce das dificuldades, evitando que as defasagens se aprofundem ao longo da trajetória escolar.

Aprendizagem e perspectivas de futuro precisam caminhar juntas

Além das lacunas de aprendizagem, os anos finais do ensino fundamental representam um período de mudanças importantes na relação dos estudantes com a escola. A etapa coincide com o início da adolescência, quando os jovens passam por transformações sociais e emocionais, ampliam seus interesses e começam a construir perspectivas sobre o próprio futuro.

Ao mesmo tempo, a rotina escolar se torna mais complexa, com diferentes professores, novos componentes curriculares e maiores exigências de autonomia.

A importância de fortalecer o vínculo dos jovens com a educação também aparece nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) Educação, divulgada pelo IBGE em 2026. Entre os jovens de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio e abandonaram os estudos ou nunca frequentaram a escola, 25,6% apontaram a falta de interesse em estudar como principal motivo.

O indicador chama atenção para uma dimensão que vai além do acesso à escola: a necessidade de garantir que os estudantes encontrem sentido na experiência educacional e consigam relacionar o aprendizado às suas possibilidades de futuro, criando condições para que os jovens conheçam diferentes possibilidades de formação, identifiquem seus interesses e compreendam como a continuidade dos estudos pode contribuir para seus projetos de vida.

Essa dimensão ganha ainda mais relevância diante das escolhas que os estudantes precisam fazer ao ingressar no ensino médio, quando se deparam com diferentes percursos de formação e passam a tomar decisões que podem influenciar suas trajetórias acadêmicas e profissionais.

"Um jovem que chega ao ensino médio com dificuldades importantes de aprendizagem e sem conseguir enxergar perspectivas para o próprio futuro enfrenta uma barreira dupla. Precisamos trabalhar essas duas dimensões desde o ensino fundamental, fortalecendo tanto a aprendizagem quanto a capacidade de cada estudante de reconhecer seus interesses e visualizar oportunidades", destaca Júlia.

Fortalecer os anos finais para transformar a trajetória escolar

Diante desse cenário, ganha importância a construção de políticas e iniciativas voltadas especificamente aos anos finais do ensino fundamental, considerando tanto o desenvolvimento acadêmico quanto as necessidades dos estudantes nessa fase da vida.

Entre as estratégias estão a identificação precoce de dificuldades de aprendizagem e de riscos de abandono escolar, a ampliação de ações de tutoria, o fortalecimento dos vínculos com a escola e a criação de espaços de orientação sobre diferentes possibilidades de formação e trabalho.

Essa perspectiva também orienta a atuação do Instituto Sol por meio do Programa Aurora, voltado a estudantes dos anos finais do ensino fundamental, especialmente do 9º ano da rede pública. A iniciativa combina reforço em Língua Portuguesa e Matemática, orientação de estudos, desenvolvimento socioemocional e atividades de projeto de vida para ampliar o acesso dos jovens a oportunidades educacionais no ensino médio.

Para Júlia, a atenção a essa etapa precisa ocupar um lugar cada vez mais central no debate sobre os resultados da educação brasileira. "O ensino médio tem desafios próprios e precisa de soluções específicas. Mas não podemos esperar que ele resolva, sozinho, dificuldades construídas ao longo de anos. Fortalecer os anos finais do ensino fundamental é uma parte fundamental desse processo, para que os jovens cheguem mais preparados e com razões para continuar estudando", conclui.

Website: https://www.institutosol.org.br/

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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