De capital de Pernambuco a cidade histórica: 7 curiosidades sobre Olinda
Olinda reúne curiosidades históricas que vão da astronomia ao Carnaval. Veja 7 fatos surpreendentes sobre a cidade Patrimônio da Unesco em Pernambuco.
Olinda, no litoral de Pernambuco, é uma das cidades históricas mais importantes do Brasil e reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Conhecida pelas ladeiras, igrejas seculares e pelo Carnaval de rua, a cidade também guarda episódios curiosos que ajudam a contar sua trajetória ao longo dos séculos.
Muito além dos cartões-postais, Olinda mistura ciência, política, cultura popular e tradição em uma história que atravessa quase 500 anos. A seguir, veja sete curiosidades que ajudam a entender por que o município segue sendo um dos destinos mais simbólicos do país.
1. Olinda está ligada a um cometa descoberto no século XIX
Um dos fatos mais curiosos da história da cidade envolve a astronomia. Em 1860, o astrônomo francês Emmanuel Liais registrou a observação de um cometa a partir do antigo observatório instalado em Olinda, no Alto da Sé.
O corpo celeste ficou conhecido como Cometa Olinda, sendo apontado como o primeiro cometa descoberto na América Latina, marco que colocou a cidade em destaque na história da ciência.
2. Um dos primeiros movimentos pela independência ocorreu na cidade
Muito antes da Independência do Brasil em 1822, Olinda já registrava debates políticos importantes.
Em 1710, durante a Guerra dos Mascates, o sargento-mor Bernardo Vieira de Melo defendeu a separação de Portugal em uma sessão da Câmara Municipal. O episódio é considerado por historiadores como uma das primeiras manifestações com caráter independentista no país.
3. A origem do nome "Olinda" ainda gera debate entre estudiosos
Uma das histórias mais conhecidas diz que o nome da cidade teria surgido da expressão "Oh, linda!", atribuída ao donatário Duarte Coelho ao avistar a região.
No entanto, pesquisadores afirmam que não há comprovação histórica para essa versão. A hipótese mais aceita é que o nome tenha origem em localidades portuguesas ou referências literárias da época da colonização.
4. O Homem da Meia-Noite é símbolo cultural do Carnaval
Criado em 1932, o Homem da Meia-Noite é um dos principais ícones do Carnaval de Olinda. Mais do que um boneco gigante, ele é tratado como um símbolo cultural de grande valor afetivo para os foliões.
Sua saída à meia-noite do sábado de Carnaval marca o início oficial da festa no município e atrai milhares de pessoas todos os anos.
5. Olinda já foi capital de Pernambuco
Durante o período colonial, Olinda desempenhou papel central na administração da capitania de Pernambuco. A cidade foi sede política e econômica até o crescimento do Recife, que assumiu a condição de capital em 1837.
6. A cidade abriga uma das primeiras faculdades de Direito do Brasil
Em 1827 foi criada a Faculdade de Direito de Olinda, uma das primeiras instituições de ensino jurídico do país, ao lado da Faculdade de São Paulo.
A escola formou importantes nomes da política brasileira e posteriormente foi transferida para o Recife, mantendo sua relevância histórica no ensino superior.
7. Um antigo reservatório virou mirante turístico
O Alto da Sé, um dos pontos mais visitados de Olinda, abriga um antigo reservatório de água que foi transformado em mirante.
Hoje, o espaço oferece uma das vistas mais conhecidas da cidade, especialmente no pôr do sol, atraindo moradores e turistas durante todo o ano.
Olinda possui quatro títulos
A Olinda moderna ostenta quatro títulos, todos a ela atribuídos em virtude de sua exuberante beleza natural, de seu valioso patrimônio em pedra e cal, e da cultura de seu povo. São eles:
Patrimônio Cultural da Humanidade
O título de Patrimônio da Humanidade foi concedido pela Unesco em 1982, depois de uma luta iniciada pela Prefeitura em 1978, com o apoio de personalidades como o embaixador olindense Holanda Cavalcanti, o então ministro Eduardo Portela, além de Aloísio Magalhães.
Com esse título, Olinda inscreveu-se na lista de monumentos mundiais e figura ao lado de bens da humanidade como a Catedral de Notre-Dame, em Paris, o sítio arqueológico de Nemrut Dag, na Turquia, o Parque Nacional do Serengeti, na África, e a Cidade do Vaticano, entre outros 400 monumentos em todo o mundo.
Capital Brasileira da Cultura
O título foi concedido em 2005 pela ONG Capital Brasileira da Cultura (CBC), depois de campanha popular realizada durante dois meses. A conquista retratou um esforço da Prefeitura e de toda a sociedade. Mais de 11 mil pessoas e entidades declararam oficialmente seu apoio à candidatura da cidade.
Com o título, conferido pela primeira vez, a cidade foi, durante todo o ano de 2006, centro das atenções nacionais e internacionais, como principal destino turístico-cultural do Brasil.
Monumento Nacional - Lei federal n° 6863, de 26 de novembro de 1980 (Lei Fernando Coelho)
O título foi atribuído a Olinda durante o governo militar do presidente João Figueiredo e serviu para respaldar o encaminhamento à Unesco do processo de concessão do título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
Cidade Ecológica - Decreto municipal n° 023, de 29 de junho de 1982
O título foi conferido a Olinda pelo então prefeito Germano Coelho, tendo em vista as várias áreas verdes existentes na cidade, tais como o Horto d' El Rey, um dos primeiros jardins botânicos do país; o bosque de coqueiros, situado na entrada da cidade, com mais de dez mil mudas; a Mata de Passarinho, além de outros sítios de preservação do verde. O dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, patrono da ecologia, é dedicado à comemoração do título e à exaltação ao coqueiro.
Olinda além da história oficial
Mais do que um destino turístico, Olinda é uma cidade marcada por camadas de história, cultura e tradição. Seus episódios curiosos ajudam a reforçar a importância do município não apenas para Pernambuco, mas para a formação cultural e histórica do Brasil.
A mistura entre patrimônio, memória e cultura popular mantém a cidade viva e constantemente presente no imaginário brasileiro.
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