Cúpula do G7 ocorre em meio a esperança de avanço na Ucrânia
Guerras no Oriente Médio e na Ucrânia estão na pauta do encontro nesta semana na França. Lula quer aproveitar encontro para reunião com Trump.O encontro do G7 acontece desta vez em Evian, às margens do Lago de Genebra, na França, a partir desta segunda-feira (15/06). Isso porque os franceses ocupam atualmente a presidência do seleto grupo das "sete principais nações industrializadas" do mundo. Em 2026, isso também significa: os europeus se encontrarão novamente com Donald Trump, o extremamente imprevisível presidente dos EUA. Os países do G7 são Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Canadá e Itália.
Grandes potências industriais, portanto - e, por isso, o G7 sempre implica medidas de segurança máximas, por medo de protestos em massa, que também já foram anunciados para Evian e arredores. Esses protestos costumam tratar de temas como migrações globais, proteção do clima, a desigualdade entre ricos e pobres - e também incluem manifestações em parte violentas. Como em 2003, quando, durante a cúpula em Evian (na época ainda como G8, com a Rússia), muitas lojas foram saqueadas e os danos chegaram a dezenas de milhões de euros.
Círculo de democracias liberais
Também em 2026 surge a pergunta antes da cúpula: esse formato - a tentativa dos líderes supostamente mais poderosos do mundo de discutir questões econômicas de forma informal e tranquila - ainda reflete as reais relações de poder? A nova superpotência China, por exemplo, não participa.
Diana Panke, professora de ciência política na Universidade Livre de Berlim disse à DW que ainda considera o formato adequado. "O G7 foi criado como um encontro informal dos importantes países industrializados da época, com orientação liberal-democrática. E a China não faz parte disso."
A Rússia foi incluída após o fim da Guerra Fria, porque inicialmente se declarava alinhada a esses valores. No entanto, desde 2014, Moscou não é mais convidada para os encontros, e o G8 voltou a ser G7.
Segundo Panke, o valor do G7 também está na boa preparação prévia feita por ministros das Finanças, Economia e Desenvolvimento, por exemplo, sobre questões comerciais. Recentemente, os ministros das Finanças se concentraram intensamente na guerra na Ucrânia:
"O essencial foi confirmar mutuamente que se rejeita a brutal guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia."
Ucrânia: há esperança de negociações de paz?
O destino da Ucrânia também será um tema importante em Evian. Fontes do governo alemão indicam que a situação militar no conflito com a Rússia mudou nos últimos meses. Após alguns avanços, a Ucrânia poderia ter esperança de que em breve se abra uma porta para negociações de paz com o presidente russo Vladimir Putin. E os europeus querem, de qualquer forma, participar disso.
Os franceses anunciaram que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, participará de uma sessão do G7 na manhã de terça-feira, embora ainda não esteja claro se por vídeo ou presencialmente.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, afirmou na quarta-feira: "Isso é muito importante para nós, pois precisamos restabelecer um consenso dentro do G7 sobre o apoio à Ucrânia."
Em outras palavras: o conflito na Ucrânia precisa voltar a atrair a atenção de Donald Trump. Já o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou no Bundestag: "Uma paz duradoura só poderá ser alcançada por meio de negociações com a participação da Ucrânia, da Rússia, dos EUA e da Europa - não será possível de outra forma."
Data ajustada devido a aniversário de Trump
Outro tema importante em Evian será a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Diana Panke acredita que a maioria dos países do G7 tentará convencer Donald Trump a encerrar o conflito o mais rapidamente possível, devido aos fortes impactos na já fragilizada economia global.
"Em primeiro plano está a necessidade de garantir que o Estreito de Ormuz volte a ser livre, seguro e acessível sem taxas, para não interromper ainda mais as cadeias comerciais."
Diante da situação global, os organizadores franceses já consideram um sucesso o fato de Trump ter confirmado sua presença. O encontro no Lago de Genebra foi inclusive ajustado de data para que ele pudesse comemorar seu 80º aniversário nos EUA, neste domingo.
Do lado americano, foi informado também o interesse em discutir as oportunidades econômicas da inteligência artificial (IA). Por isso, os franceses convidaram, entre outros, o CEO da empresa de software OpenAI, Sam Altman, de San Francisco, para o encontro.
Assim como na cúpula do G7 no Canadá no ano passado, não está previsto que os sete líderes assinem uma declaração final conjunta. Em vez disso, deverão ser firmados acordos sobre temas específicos. E todos esperam que, desta vez, não haja tensões com Donald Trump - diferente do encontro no Canadá, em 2025, que ele deixou antecipadamente.
Lula quer encontrar Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está entre os convidados de Macron para o encontro, tendo embarcado para a França neste domingo.
No evento, Lula defenderá posições favoráveis ao multilateralismo e a uma maior contribuição das nações ricas para o financiamento necessário ao enfrentamento de emergências globais, segundo informações do Itamaraty.
Está previsto que o líder brasileiro discurse pelo menos três vezes durante eventos oficiais.
À margem da cúpula, diplomatas brasileiros trabalham para agendar reuniões bilaterais entre Lula e Trump, além de uma com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Por meio desses possíveis encontros - ainda não confirmados -, o Brasil busca reverter novas tarifas sobre suas exportações para os Estados Unidos, que podem chegar a 37,5%, bem como restrições impostas pela União Europeia às importações de carne e outros produtos brasileiros de origem animal.
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