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Covas recebe alimentação venosa e tem acúmulo de líquido

Prefeito de São Paulo segue sem previsão de alta médica enquanto enfrenta tumores, no fígado e nos ossos

21 abr 2021
14h11 atualizado às 14h31
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14h11 atualizado às 14h31
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O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), está recebendo alimentação complementar por via venosa e apresenta acúmulo de líquidos ao redor pulmão e no abdômen. Esse acúmulo é decorrente de uma inflamação causada por um dos tumores que atingem seu fígado, motivo pelo qual segue sem previsão de alta no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Covas só deve deixar o hospital quando houver confirmação de que o volume de líquido extra foi reduzido.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB)
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB)
Foto: Divulgação/Prefeitura de SP / Estadão Conteúdo

A alimentação complementar está sendo aplicada durante a noite, mas Covas se alimenta por via oral normalmente. A opção pela complementação, segundo a equipe médica, se deu para tentar aumentar o peso do prefeito, para fortalecêe-lo enquanto passar pelo tratamento.

Apesar do cenário adverso, o infectologista David Uip, diretor do Centro de Infectologia do Sírio, afirmou que Covas apresenta boa condição clínica e se mantém apto para permanecer exercendo o cargo enquanto segue o tratamento.

"O prefeito quer que absolutamente tudo seja informado e que a equipe médica fique disponibilizada para prestar os esclarecimentos a vocês", disse o médico a jornalistas, durante coletiva de imprensa convocada para esta quarta-feira, 21, no auditório do hospital, "Ele vai para frente, vai para cima e foi eleito. Em momento algum, quer se afastar de suas atividades. Tem competência para isso e assim continuará."

Os líquidos estão acumulados no espaço pleural e espaço peritoneal, ao redor dos órgãos do tórax mas, segundo os médicos, não afetam a respiração do prefeito. O processo de drenagem desse líquido excedente teve início na segunda-feira. Os drenos, instalados nas laterais do corpo, só serão retirados quando o volume de líquido se reduzir, o que ainda não tem previsão de ocorrer.

Embora esse acúmulo seja causado pela inflamação do fígado, os médicos não vincularam sua alta médica ao sucesso no tratamento do câncer: ele poderá continuar o tratamento em casa caso os drenos se mostrem adequados para reduzir o volume. A redução é necessária para proteger os demais órgãos, em especial o pulmão, de complicações. Sua função respiratória não foi comprometida, ainda de acordo com os médicos.

No momento, Covas tem cinco tumores no fígado, um na estrutura da bacia e outro na coluna vertebral. Os novos pontos foram descobertos no dia 15, após exames complementares realizados pelo prefeito. Ele passa por um tratamento que combina dois medicamentos quimioterápicos e dois imunobiológicos.

Nesta terça, 21, após publicação de seu último boletim médico, Covas publicou mensagem em sua conta no Instagram. "A luta continua e o trabalho não pode parar. O apoio e o carinho que recebo todos os dias me dão cada vez mais força. Seguirei como sempre: de cabeça erguida e cumprindo, junto com minha equipe, nossos compromissos com São Paulo", disse o texto.

Covas não está afastado da Prefeitura e, segundo seus médicos, poderá permanecer no cargo enquanto se sentir capaz. Ele vem despachando com secretários de forma virtual, com visitas dos auxiliares mais próximos, enquanto seu vice, Ricardo Nunes (MDB), mantém uma agenda administrativa que inclui a participação em blitze contra o funcionalismo de locais que promovem aglomerações.

Na coletiva, além de Uip, estavam o diretor do Centro de Cardiologia do hospital, Roberto Kalil, o diretor do Centro de Oncologia, Arhur Katz, o oncologista Tulio Pfiffer e o diretor do Centro Clínico, Angelo Fernandez. Ele está sendo acompanhado pela junta médica e, segundo Uip, está recebendo "o tratamento mais moderno do mundo".

Covas descobriu que tinha câncer em outubro de 2019, quando exames que vinham sendo realizados para investigar o surgimento de uma trombose apontaram a existência de três tumores - um no fígado, um na cárdia (a transição entre o fígado e o esôfago) e outro nos gânglios linfáticos. Os médicos atacaram a doença com os tratamentos de imunoterapia e quimioterapia e dois dos três ferimentos chegaram a desaparecer, enquanto o ferimento no fígado havia diminuído, mas ainda persistido.

Em fevereiro deste ano, os médicos identificaram um novo tumor no fígado, e ele retornou à quimioterapia. Entretanto, ao longo desta nova etapa do tratamento, a doença se mostrou mais agressiva, se espalhando para mais pontos do fígado e seus ossos.

"O surgimento de metástase nos ossos e novos lesões no fígado mostram agravamento da doença, e por isso houve mudança de estratégia no tratamento oncológico", disse Uip.

Estadão
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