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Tosse, nariz escorrendo e dor de garganta são principais sintomas de casos positivos de covid

Análise da Abrafarma considera queixas reportadas por quem buscou testes em farmácias; no 1º semestre deste ano, foram 3,3 milhões de exames em 2.608 farmácias do País

4 ago 2021 22h01
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Um levantamento inédito da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) traçou o perfil e os principais sintomas das pessoas que buscam testes de farmácia para saber se está com covid-19 ou se já foi infectado pelo vírus. Conforme o estudo, feito em parceria com a plataforma Clinicarx, a procura é feita principalmente por adultos de 18 a 39 anos (49%). Entre os resultados de teste de antígeno positivo, os principais sintomas relatados foram tosse (68,7%), nariz escorrendo (53,6%) e dor de garganta (49%).

Outras queixas foram dificuldade para respirar (18,1%), febre (11,9%) e perda de olfato (9,5%). Esses sintomas eram mais frequentemente ligados à covid-19 no primeiro ano da pandemia. Mas um estudo científico divulgado em junho mostrou que os sintomas podem apresentar diferenças de acordo com as variantes. Dor de cabeça e gargante, além de coriza, são sintomas mais associados à variante Delta e Gama e os sinais do corpo têm ficado mais parecidos com os de uma gripe forte.

A análise considerou 3,3 milhões de testes realizados no primeiro semestre deste ano em 2.608 farmácias do País. Desde maio do ano passado, as redes já realizaram mais de 9,1 milhões de testes, dos quais quase 2 milhões foram positivos.

Atualmente, as farmácias oferecem os testes sorológicos, para verificar se a pessoa já foi infectada pelo vírus, e os de antígeno - realizados com saliva ou secreção nasal -, que indicam se a pessoa está com o vírus no momento do teste. A pesquisa mostrou ainda que 10% dos clientes que testaram positivo para covid-19 não tinham sintomas da doença.

Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, diz que o estudo é importante para mostrar que um farmacêutico treinado, seguindo protocolos corretos, pode ajudar a gerar dados para entender a pandemia e orientar os pacientes a procurar ajuda médica. "Toda vez que uma pessoa vai a uma farmácia fazer um teste é porque está com sintomas ou está cuidando de alguém que está com covid, se expôs de alguma maneira e quer tirar a dúvida", diz.

"No fundo, é um serviço de autogestão das pessoas, da saúde, e a gente tem de evoluir para as pessoas se testarem, ter capacidade de se isolar, de acompanhar sua doença até se restabelecer. Esse painel mostra o poder que tem quando a gente entrega uma ferramenta como o teste rápido das pessoas e quando tem um profissional que orienta e indica que a pessoa vá ao hospital para receber o atendimento necessário", afirma Mena Barreto.

Os testes de farmácia são fortemente criticados desde a sua introdução no País e ainda carregam estigma. Mas também atraem por serem mais acessíveis que o RT-PCR, considerado padrão-ouro para detecção da doença e que pode superar os R$ 400. Na farmácia, os preços variam entre R$ 70 e R$ 100. Segundo Barreto, os testes evoluíram e, atualmente, oferecem precisão no diagnóstico, desde que as pessoas façam o teste de acordo com o que pretendem detectar.

"Todo mundo foi aprendendo muito ao longo da pandemia, desde as primeiras impressões sobre a doença até os testes. A solução que a indústria encontrou até foi rápida, mas os primeiros kits tinham um número de falso-positivo grande. Hoje, os kits que são usados no Brasil são os top de linha em acurácia e especificidade, se forem realizados com o protocolo correto, com a janela imunológica correta", afirma Mena Barreto.

Presidente da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Gouveia diz que a urgência da situação fez com que um grande volume de testes fossem aprovados no Brasil. A entidade iniciou, em abril do ano passado, uma força-tarefa para analisar a qualidade das opções disponíveis.

"Chegamos a ter 633 testes diferentes autorizados, mas nem todos eram diferentes, porque várias empresas podiam registrar os produtos. Então, tínhamos dois ou três testes registrados por importadores diferentes. Fizemos a avaliação de kits para coronavírus com 13 laboratórios e já analisamos mais de 16 mil amostras em tempo real de brasileiros. Temos mais de 70 kits avaliados." As informações sobre os testes estão disponíveis no site: testecovid19.org.

De acordo com Gouveia, os testes disponíveis em farmácia podem se integrar a outras tecnologias e auxiliar no processo de retomada das atividades. "É uma tecnologia de ponta em dispositivos pequenos. Com a integração de dados e sistemas, consegue ter resultados em grandes serviços de saúde, pode estar ligado a grandes redes de informação."

Avaliação do médico é fundamental, diz professor da USP

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Lotufo diz que, com o avanço da vacinação, esse tipo de teste não traz contribuições para a população em geral. Para ele, a opção nem deveria ter recebido aprovação. "Esses testes não têm nenhum sentido para a pandemia, porque têm acurácia baixa e a informação que passam é confusa até porque dão às pessoas a falsa sensação de segurança. Além disso, com a vacina, não tem sentido fazer esse tipo de teste."

Outra aplicação, segundo Lotufo, seria para o monitoramento da circulação do vírus em escolas, conjuntos residenciais e empresas. Mas, alerta o médico, quem suspeita de infecção deve procurar avaliação de um médico. "Os testes só deveriam ser feitos dentro de uma avaliação médica para ter o diagnóstico e iniciar o acompanhamento da doença."

Para entender:

Testes disponíveis para covid-19

1ª fase da doença: entre 2 e 8 dias da possível infecção

  • RT PCR: coleta de amostra por swab naso e orofaringeo feita em laboratório;
  • Teste Rápido de Antígeno: amostra por swab nasal ou por saliva feita em laboratório ou farmácia.

2ª fase da doença: após o 8º ou 9º dia da doença

São realizados testes sorológicos:

  • Teste rápido de anticorpo (gota de sangue) realizado laboratório ou farmácia;
  • Laboratoriais (sempre com amostra de sangue venoso, ou plasma);
  • ELISA;
  • Quimioluminescência;
  • Eletroquimioluminescência.

O que os testes detectam:

  • RT-PCR: vírus;
  • Antígeno: a proteína liberada pelo vírus;
  • Anticorpo: verifica se houve a produção de anticorpos, indicando que a pessoa já se "curou".

Os anticorpos:

  • IgA: bem no ínicio da doença;
  • IgM: pessoa ainda pode eventualmente estar transmitido;
  • IgG: pessoa fez a soroconversão. Ela já passou pela doença e não transmite mais.

Fonte: Carlos Gouveia, presidente da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL)

Estadão
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