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Prefeitura de SP diz que alertou Estado sobre baixo estoque de vacina no sábado passado

O desabastecimento, que chegou a atingir mais de 60% dos locais de aplicação nesta segunda-feira, 21, levou a gestão municipal a interromper a aplicação nesta terça, com retomada prevista para a quarta-feira, 23

22 jun 2021 19h34
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O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse nesta terça-feira, 22, que o governo do Estado foi avisado no sábado, 19, sobre o reduzido estoque de vacinas contra a covid-19. O desabastecimento, que chegou a atingir mais de 60% dos locais de aplicação nesta segunda-feira, 21, levou a gestão municipal a interromper a aplicação nesta terça, com retomada prevista para a quarta-feira, 23.

Aparecido disse ao Estadão que o pedido por mais vacinas foi feito pelo secretário adjunto e pelo próprio prefeito Ricardo Nunes (MDB), uma vez que no sábado a Prefeitura tinha apenas 59 mil doses em estoque. Para manter a vacinação no fim de semana, a cidade chegou a usar 16 mil doses da AstraZeneca que originalmente estavam reservadas para a segunda dose. O estoque já foi reposto.

Apesar do pedido no sábado, a entrega de um novo lote de vacinas só ocorreu por parte do Estado nesta terça-feira, 22. A gestão do governador João Doria (PSDB) enviou 181,8 mil doses de Coronavac (primeira dose) e 30 mil da vacina da AstraZeneca (segunda dose) à capital para continuar a vacinação. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse que distribui as vacinas de acordo com as quantidades enviadas pelo Ministério da Saúde e com base no público-alvo a ser imunizado em cada município.

Aparecido acredita que a falta de doses na cidade foi uma consequência da grande procura por vacinas. Ele disse que 93% do público de 50 a 59 anos foi imunizado nos últimos dias. "Felizmente, estamos tendo uma grande adesão à campanha na capital", falou. Em entrevista à Rádio Eldorado, o secretário informou que 1,2 milhão de doses foram aplicadas na cidade entre segunda e quarta-feira da semana passada.

Segundo o Estadão apurou, na avaliação do governo do Estado a medida de suspensão adotada pela Prefeitura poderia ter sido evitada, dada a chegada de novas doses nesta terça-feira.

Estoque afeta vacinação em outras quatro capitais

Ao menos outras quatro capitais suspenderam a aplicação da vacina contra a covid-19 nesta terça-feira, 22, por falta de doses. Aracaju, Campo Grande, Florianópolis e João Pessoa foram as cidades afetadas. O Ministério da Saúde recebeu mais doses nesta terça-feira, mas ainda não sabe quando as vacinas serão distribuídas. Na última semana, o País aumentou o ritmo de vacinação e bateu recorde aplicando 2.220.845 doses em um único dia.

Em Florianópolis, a procura também é grande, e a falta de doses atrapalha o andamento da campanha de vacinação. "Temos capacidade para vacinar dez mil pessoas por dia, mas só recebemos nove mil doses por semana", disse o médico Carlos Alberto Justo da Silva, secretário municipal de Saúde.

Silva explica que a cidade mapeou quantos moradores há em cada faixa etária e a campanha só avança quando há doses suficientes para imunizar todas as pessoas com determinada idade. "Assim, as pessoas sabem que não precisam se aglomerar nos postos porque não vai faltar vacina", explica. Para garantir a maior cobertura possível, os profissionais do programa Estratégia Saúde da Família (ESF) fazem busca ativa das pessoas que não comparecem à vacinação.

"Atualmente temos 1,8 mil doses de AstraZeneca e mil doses de Coronavac, todas para a segunda dose. Dependemos de um novo envio do Ministério da Saúde para continuar a campanha", disse o secretário.

O Ministério da Saúde faz previsões mensais sobre o total de doses que o País deve receber, mas dificilmente essa projeção é cumprida e a pasta acaba diminuindo a quantidade esperada. Isso atrapalha o planejamento dos Estados e municípios. "A gente cai sempre no mesmo problema. A entrega de doses não segue o cronograma correto e ficamos nessa campanha incerta", aponta a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Para Ethel, a suspensão pontual da vacinação nas cidades é prejudicial para a campanha como um todo. "Com isso, é criado um problema de desconfiança, incerteza e falta de informação. Isso vai, inclusive, diminuindo a procura porque as pessoas se cansam", diz.

Neste mês, o Brasil esperava receber 37,9 milhões de doses de vacinas, mas só recebeu 29,2 milhões até o momento. Deste total, dois milhões de doses chegaram nesta terça-feira: 1,5 milhão da Janssen e 528 mil da Pfizer. É a primeira remessa de doses da Janssen ao País.

Sobre as vacinas que chegaram nesta terça, ainda não há definição de quantas doses serão entregues a cada Estado. Segundo o Ministério da Saúde, a divisão é feita em reunião com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que ainda não ocorreu.

Quando a entrega das doses da Janssen ao Brasil foi anunciada, a orientação inicial do Ministério da Saúde era para que as doses ficassem concentradas na capital porque o lote chegaria perto da data de vencimento e precisaria ser aplicado rapidamente. No entanto, a Anvisa ampliou o prazo de validade da vacina, o que facilitou a logística. O secretário executivo da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Eduardo Ribeiro, falou que a vacina de dose única será distribuída entre todas as cidades do Estado./COLABOROU MARIANNA GUALTER

Estadão
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