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Ministério da Saúde só promoveu um tuíte sobre vacina

Levantamento do 'Fiquem Sabendo' mostra que pasta praticamente ignorou a vacina e priorizou promover posts sobre outras doenças

2 ago 2021 13h51
| atualizado às 13h59
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O Ministério da Saúde impulsionou apenas uma mensagem sobre vacinação contra a covid-19, no Twitter, entre 1º de fevereiro de 2020 e 31 de abril deste ano. No mesmo período, a pasta promoveu - ou seja, pagou para que o conteúdo alcançasse um público maior na rede social - 33 mensagens relacionadas a campanhas de vacinação de outras doenças, como gripe, sarampo, poliomielite e febre amarela.

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante cerimônia no Palácio do Planalto
29/06/2021 REUTERS/Adriano Machado
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante cerimônia no Palácio do Planalto 29/06/2021 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Os dados, obtidos pela agência Fiquem Sabendo, especializada na Lei de Acesso à Informação, indicam que o Ministério da Saúde privilegiou pagar por conteúdo sobre imunização contra outras doenças que não a covid no momento em que a pandemia se alastrava no Brasil e no mundo. As estatísticas fazem parte da página do Ministério da Saúde no Twitter.

O Brasil já registrou 556.886 mortes pela covid-19, e neste domingo, 1, foram notificadas 449 novas mortes pela doença.

O único tuíte pago pelo Ministério da Saúde sobre vacinação contra a covid foi publicado em 17 de março deste ano. "A vacinação contra a Covid-19 continua. Lembre-se também de continuar com todos os cuidados, como lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel e, ao sair de casa, usar máscara. Se sentir sintomas, procure um médico", dizia a mensagem, que indicava o site da pasta para mais informações.

O conteúdo foi impulsionado dois meses depois do início da vacinação contra a covid. Em 17 de janeiro, em São Paulo, a enfermeira Mônica Calazans foi a primeira brasileira imunizada no País.

Em 17 de março, o Brasil vivia seu pior momento de toda a pandemia, com colapso hospitalar, doentes sem assistência e vacinação lenta. Naquele momento, o País havia assinado contrato para compra de doses de três vacinas: AstraZeneca, Coronavac e Covaxin.

Os acordos para aquisição dos imunizantes da Pfizer e da Janssen foram assinados no dia seguinte à publicação do tuíte pago, em 18 de março. As doses da Covaxin nunca chegaram ao País, e o Ministério da Saúde encaminhou o cancelamento do contrato, em meio a denúncias de irregularidades e corrupção na contratação. A compra é investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O único tuíte pago sobre vacinação contra a covid teve o décimo maior engajamento do período de fevereiro do ano passado a abril de 2021. Entre o primeiro e o quarto mês deste ano, o ministério impulsionou apenas dois posts sobre vacinação. A pasta pagou para engajar também um conteúdo sobre imunização contra a gripe.

Além dos 34 tuítes pagos sobre vacinação, o Ministério da Saúde promoveu 51 mensagens sobre outros temas, como combate à covid - atenção a sintomas e formas de prevenção -, gravidez na adolescência e uso de preservativos.

Entre fevereiro de 2020 e abril deste ano, o Ministério da Saúde publicou um total de 4.896 tuítes. Dentre as mensagens não-pagas estão 62 tuítes sobre cloroquina e o suposto tratamento precoce contra a doença. O 'kit-covid' é composto de medicamentos ineficazes contra a covid e tem o presidente Jair Bolsonaro como grande incentivador.

O Ministério da Saúde publicou mensagens pró-cloroquina entre 21 de março do ano passado e 16 de janeiro deste ano. Durante o colapso do oxigênio em Manaus, a pasta escreveu mensagens indicando o "atendimento precoce" e o "cuidado precoce".

A média móvel de mortes pela covid no País teve mais um dia em queda no domingo, 1, e registrou 984 óbitos. No sábado, pela primeira vez desde 20 de janeiro, o índice ficou abaixo de mil no País.

 
Estadão
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