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Maduro decreta 'quarentena radical' e critica Bolsonaro

Presidente afirmou que novo aumento de casos na Venezuela é causado pela variante brasileira

22 mar 2021 07h34
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A Venezuela inicia nesta segunda-feira, 22, uma "quarentena radical" para combater a nova onda de casos do novo coronavírus no país. A medida, anunciada pelo presidente Nicolás Maduro durante um pronunciamento na TV estatal nesse domingo, 21, deve durar duas semanas.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas
24/01/2021 Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas 24/01/2021 Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS
Foto: Reuters

A determinação vem em um momento de piora da pandemia no país. Pela primeira vez desde outubro do ano passado, a Venezuela registrou mais de mil novos casos de covid na semana passada. De acordo com Maduro, a segunda onda no país está diretamente relacionada à variante brasileira da covid-19, já detectada no país.

"Estamos diante da presença de uma segunda onda, sem dúvida alguma. A partir de sexta, 16 de março, detectamos, já na Venezuela, uma segunda onda do coronavírus, que tem como causa fundamental a chegada da variante brasileira ao nosso país, sem dúvida alguma", disse Maduro, confundido a data.

Ao se referir à variante brasileira, Maduro também aproveitou para criticar a resposta de Jair Bolsonaro à pandemia, chamando o presidente brasileiro de "irresponsável". Nas palavras do presidente venezuelano, o Brasil se tornou "a maior ameaça do mundo" em termos de saúde pública.

"É alarmante. Eu diria que está angustiante ver os relatos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de todo o Brasil, e a atitude irresponsável da direita trumpista brasileira. A atitude irresponsável de Jair Bolsonaro com o povo do Brasil", afirmou Maduro. E completou: "O Brasil se tornou a maior ameaça do mundo em relação à pandemia do novo coronavírus, assim já reconhecem os especialistas de todo o mundo. O Brasil é uma ameaça para o mundo hoje. Por culpa de quem? De Jair Bolsonaro. Que em meio ao colapso, em vez de pedir ajuda aos distintos setores - científicos, médicos, políticos - o que faz é confrontar para que o povo não faça quarentena, para que o povo não use máscara. Uma loucura, de verdade. Algo que não tem nome."

De acordo com o balanço da pandemia apresentado por Maduro na TV estatal, a Venezuela tem uma taxa de 27 casos ativos de covid-19 para cada 100 mil habitantes. Segundo os dados mais recentes da Universidade americana Johns Hopkins, o país confirmou 817 novos casos da doença no domingo, com 10 mortes.

Recomendações polêmicas

Apesar das críticas a Jair Bolsonaro, Nicolás Maduro e o presidente brasileiro já estiveram alinhados sobre a resposta a ser dada à pandemia. Em maio do ano passado, Maduro defendeu publicamente o uso de cloroquina - medicamento sem eficácia comprovada para a doença, também defendida por Bolsonaro - para pacientes com covid-19.

Antes, em outra recomendação polêmica, o presidente da Venezuela incentivou o consumo de uma mistura de ervas com mel e limão como forma de combater uma eventual infecção de covid-19.

Estadão
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