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Governo libera R$ 4,8 milhões para pesquisa sobre covid-19

Recursos irão para pesquisa coordenada pela geneticista Mayana Zatz, citada em reportagem no começo do mês

23 jun 2021 05h10
| atualizado às 07h33
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O governo federal liberou nesta terça-feira, 22, cerca de R$ 4,8 milhões para um projeto de pesquisa coordenado pela geneticista Mayana Zatz. Aprovado há mais de um ano, o projeto envolve vários laboratórios e estava com os recursos retidos. A pesquisa de Zatz foi mencionada em reportagem do Estadão no começo do mês como exemplo dos efeitos do congelamento ilegal de R$ 5 bilhões em verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (FNDCT).

 12/3/2020 REUTERS/Andreas Gebert
12/3/2020 REUTERS/Andreas Gebert
Foto: Reuters

Apesar da liberação dos recursos para a pesquisa de Mayana pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a maior parte dos recursos do FNDCT seguem na chamada "reserva de contingência", isto é, retidos. Cerca de R$ 2,7 bilhões continuam travados. O bloqueio é ilegal segundo especialistas consultados pelo Estadão, uma vez que contraria lei complementar aprovada pelo Congresso e promulgada em março deste ano.

Mayana Zatz é professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e uma das principais cientistas em sua área no País, com vários prêmios nacionais e internacionais e centenas de artigos publicados em revistas científicas estrangeiras.

Ela explica que, com a demora na liberação dos recursos, será preciso mudar o objeto da pesquisa. O tema continua sendo a covid-19, mas o projeto terá de ser alterado. Inicialmente, a ideia era estudar a forma como a covid-19 mudava a expressão dos genes das pessoas acometidas pela doença.

"A gente ia coletar amostras de mil pacientes infectados e fazer o estudo do genoma destes pacientes, com uma coleta no momento da internação e outra no momento da saída, seja com alta ou por óbito", explica ela. "Agora, vamos ter que mudar o projeto. Ainda estamos debatendo o que será feito", diz.

A pesquisadora diz acreditar que a reportagem do Estadão foi importante para a liberação dos recursos para o seu projeto, mas ressalta que o problema continua. "Claro que eu estou muito feliz de ter recebido os recursos para o nosso projeto, mas temos inúmeros pesquisadores excelentes que estão sem recursos. E também estamos perdendo os jovens que acham que não têm possibilidades de seguir carreira no Brasil", diz.

Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira diz que a liberação dos recursos ainda retidos é "essencial" para a ciência brasileira. "Continuam retidos R$ 2,7 bilhões. Seria essencial que fossem liberados logo. A novidade nesta área foi a nota aprovada pelo Conselho Diretor do FNDCT (na última quinta-feira, 17), tendo como único voto contrário o do representante do Ministério da Economia", diz ele.

O Conselho mencionado por Ildeu é o órgão responsável por decidir como os recursos do FNDCT serão gastos. Na última quinta-feira, o colegiado se reuniu pela primeira vez desde meados do ano passado e aprovou uma manifestação pedindo a liberação completa dos recursos do Fundo. A manifestação também diz que só o próprio Conselho deve definir como o dinheiro será aplicado, ao contrário do que ocorreu até agora — no momento, o Ministério da Economia tem definido onde os recursos serão alocados.

Estadão
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