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Empresário suspeito no caso Covaxin depõe à CPI nesta 5ª

Comissão quer esclarecer grau de envolvimento de Danilo Trento com Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos

23 set 2021 08h04
| atualizado às 12h46
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Danilo Trento chega ao Senado para depor à CPI
Danilo Trento chega ao Senado para depor à CPI
Foto: Pedro França / Agência Senado

A CPI da Covid ouve nesta quinta-feira, 23, o empresário Danilo Trento. A pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a comissão tomará o depoimento de Trento para  esclarecer, entre outros fatos, qual o grau de envolvimento dele com Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, empresa que representou a indiana Bharat Biotech, fabricante da Covaxin no contrato para compra dos imunizantes pelo Ministério da Saúde. 

Conforme o senador, Danilo Trento é sócio da empresa Primarcial Holding e Participações, com sede em São Paulo e no mesmo endereço da empresa Primares Holding e Participações, cujo sócio é Francisco Maximiano.

"Recebemos também informações de que Danilo e Maximiano viajaram juntos à Índia para as negociações em torno dos testes de covid e da vacina Covaxin", explicou em seu requerimento o parlamentar. 

Alguns senadores acreditam ainda que Danilo Trento tenha relações comerciais com o suposto dono da FIB Bank, Marcos Tolentino. A FIB Bank foi a empresa escolhida pela Precisa para oferecer garantia no contrato de compra da vacina. Apesar do nome, não se trata de um banco e, pelas investigações, a instituição não teria condições mínimas de arcar com a garantia oferecida. 

A intenção do Ministério da Saúde era comprar 20 milhões de doses da Covaxin do laboratório indiano Bharat Biotech, mas em 29 de julho o contrato foi definitivamente cancelado, após as denúncias de irregularidades apresentadas à CPI pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e seu irmão Luís Ricardo, que é funcionário do Ministério da Saúde. Com isso, o pagamento não chegou a ser efetivado pelo governo. 

Habeas corpus

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu em parte um pedido da defesa de Danilo Trento determinando que ele seja tratado como investigado na CPI da Covid. O ministro assegurou a Trento o direito de não assinar termo de compromisso na qualidade de testemunha e o de não responder sobre fatos que impliquem autoincriminação durante o depoimento ao colegiado.

Além disso, Barroso ordenou que não sejam adotadas, pela CPI, medidas restritivas de direitos ou privativas de liberdade como consequência do uso da titularidade do privilégio contra a autoincriminação.

O ministro também garantiu a Trento o direito de ser assistido por advogado e de manter comunicação reservada com ele durante o depoimento. As informações foram divulgadas pelo STF.

Coaf

Em 19 de agosto, por iniciativa do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI aprovou requerimento ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) de Danilo Trento e da empresa Primarcial Holding e Participações. As informações solicitadas são do período desde 2019 até agosto passado. 

Quebras de sigilo

A CPI também aprovou nesta quinta-feira dois requerimentos de quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do diretor Institucional da Precisa, Danilo Trento, e de seu irmão Gustavo Trento. 

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que apresentou um requerimento para as quebras de sigilo, disse que Danilo Trento recebeu R$ 630 mil da empresa 6M Participações, que é de Francisco Maximiano, que, por sua vez, já transferiu R$ 92 mil a Trento. Além disso, o senador lembrou que Danilo Trento já alugou jatinho em nome da 6M, e o irmão dele, Gustavo Trento, trabalha na Precisa Medicamentos, recebendo salário mensal de R$ 6 mil. 

A partir de documentos em posse da CPI, Danilo Trento, Francisco Maximiano e Marcos Tolentino são parceiros de negócio há pelo menos cinco anos.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Fonte: Agência Senado
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