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Argentina pode retomar quarentena após aglomeração e recorde

Recorde de 1.141 casos em 1 dia fez presidente argentino cogitar retorno à quarentena rigorosa que durou 80 dias

12 jun 2020
09h18
atualizado às 09h18
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Estádio Monumental, em Buenos Aires
Estádio Monumental, em Buenos Aires
Foto: Agustin Marcarian / Reuters

Após uma rígida quarentena de 80 dias, o governo argentino liberou ruas e parques de Buenos Aires na segunda-feira 8 à noite para atividades ao ar livre. As cenas de multidões aglomeradas e sem máscaras fez o presidente Alberto Fernández escrever alarmado para o prefeito Horacio Larreta Rodriguez dizendo: "Isto está mal, não pode continuar".

O temor do governo argentino é com a disparada no número de casos de coronavírus: o país vizinho registrou na quinta-feira 11 mais um recorde diário de infecções notificadas, com 1.226 nas últimas 24 horas, o que elevou o total desde o começo da pandemia para 25.987. Segundo o relatório do Ministério da Saúde, 735 pessoas morreram até agora de covid-19 em território argentino, 18 delas nas últimas 24 horas. O foco da pandemia continua sendo a Área Metropolitana de Buenos Aires (Amba), com um total de 12.487 casos.

Das 25.987 infecções ocorridas na Argentina, 3,8% foram importadas, 41% foram causadas por contatos próximos de pessoas contagiadas anteriormente, 38,3% foram resultado da circulação comunitária e 16,9% estão sob investigação epidemiológica. Foram concedidas até o momento 7.991 altas, 30,7% do número total de casos detectados.

O aumento no número de casos ocorre em meio a reabertura de províncias. Diante da velocidade de contágio, o presidente já cogita acionar o retorno à fase 1 da quarentena, ou seja, ao bloqueio mais rigoroso, atrelada ao ritmo da disseminação do vírus.

Escolas permanecem fechadas, assim como estão proibidos eventos esportivos ou culturais. Voos comerciais só serão retomados em 1.º de setembro. Mas houve permissão para a retomada para as atividades físicas, à noite, e a liberação de algumas ruas e parques. Esse processo irritou Fernández.

"Se digo que podem passear por uma praça, saem para correr e lotam a praça. A dúvida é se a solução é abrir mais praças. Se faço isso, estou convidando mais gente a correr", disse o presidente Alberto Fernández em uma entrevista a Radio Mitre.

Desde o começo da pandemia, o governo argentino tentou achatar a curva de casos no país, por isso impôs uma quarentena severa, apenas com serviços essenciais, que começou em 20 de março e está prevista para terminar no dia 28.

Apesar de ter sido prorrogada uma vez, o governo da Argentina decidiu relaxar os bloqueios com o objetivo de alcançar a fase 5, conviver com a pandemia. Há dois tipos de bloqueios em vigor: o mais rígido, com proibição de movimentação e isolamento social, em regiões que concentram mais casos. É o caso da região metropolitana de Buenos Aires - que inclui a capital e 13 distritos - que concentram 85% dos casos. O outro bloqueio, em províncias com menos casos, prevê apenas o distanciamento social.

Diferente do Brasil, na Argentina os Estados são chamados de "províncias" e possuem ministros específicos. O ministro da Saúde da província de Buenos Aires, Daniel Gollán, alertou nessa quinta sobre os riscos do fim da quarentena obrigatória.

Ele concorda com Fernández que, com o aumento dos casos de contaminação, o mais prudente seria aumentar as restrições e retroceder de fase na abertura gradual, que vem sendo feita há duas semanas. Desta forma, a região passaria da fase 3 (onde se permite a circulação de 50% das pessoas) para a fase 2 (onde apenas 25% das pessoas podem circular).

"Se a quarentena for suspensa, em 15 ou 20 dias começaremos a ver as imagens de Nova York, Manaus, Itália ou Espanha, com cadáveres empilhados em câmaras frigoríficas ou em residências de idosos", afirmou Gollán.

"Você precisa retroceder de fase. Estamos na parte ascendente da curva. Quando os casos começam a dobrar, a curva deve ser achatada. Agora, temos de implementar medidas de contenção que reduzam o número de infecções", disse o vice-ministro, Nicolás Kreplak, ao defender que na região metropolitana de Buenos Aires, apenas trabalhadores de serviços essenciais deveriam ser autorizados a sair de casa.

Pandemia avança na América Latina

A pandemia de coronavírus superou novos patamares na América Latina: são quase 1,5 milhão de pessoas infectadas na região que se estende do México à Terra do Fogo, passando pelas ilhas do Caribe, e 71.104 morreram. O Brasil tem o maior número de mortos, cerca de 40 mil, o terceiro país mais afetado do mundo.

O México, o segundo país latino-americano com mais mortos na pandemia, superou os 15 mil óbitos para uma população de 120 milhões de habitantes. Além disso, registrou na quarta-feira 10 seu maior número de contágios em 24 horas: 4.833, elevando o total de infecções a 129.184.

O Peru, com uma população de 33 milhões de pessoas, vem em seguida, com 5.903 vítimas fatais e 208.823 casos. No Chile também se multiplicam os casos, assim como no Panamá e na Costa Rica, sobretudo na fronteira com a Nicarágua, o Haiti e o Suriname.

O clima vai complicar a situação no continente. Segundo a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o início do inverno austral aumentará a incidência de doenças respiratórias na América do Sul. A intensa temporada de furacões nos próximos meses no Atlântico, que mobiliza equipes de emergência, também complicará a resposta à pandemia nas Américas do Norte e Central, especialmente no Caribe, disse na terça-feira 9 a diretora da OPAS, Carissa Etienne. / AFP e REUTERS

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Estadão
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