COP30 entra na reta final com pendências de agenda e manifestações indígenas
Após a Marcha pelo Clima, que reuniu mais de 70 mil pessoas, foi entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a "Carta dos Povos"
Nesta semana, a COP30 retomou suas negociações na segunda semana do evento sob fortes chuvas, pressão da sociedade civil e manifestações indígenas.
As expectativas eram, e continuam sendo, para um maior avanço nas agendas já definidas, como as definições dos indicadores de adaptação, planos para a transição energética, financiamento climático, que caminha sob empecilhos, e a adesão de mais países a fundos como o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre).
A partir de 8h30, indígenas e ativistas se uniram na Marcha Global Indígena pelo Clima, que começou na Aldeia COP, localizada na Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (UFPA), e caminhou até o Bosque Rodrigues Alves, na Travessa Lomas Valentinas. Dentre outras reivindicações, a marcha foi uma manifestação a favor da preservação e demarcação de territórios tradicionais.
Após a Marcha pelo Clima, que reuniu mais de 70 mil pessoas no dia 15, foi entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a "Carta dos Povos", documento feito por povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, ativistas e mais de 62 países, que reúne 15 demandas dos territórios para as negociações climáticas.
Em paralelo, também no dia 17, a ministra Sonia Guajajara anunciou a demarcação de 10 territórios indígenas em 7 diferentes estados brasileiros.
Confira a lista:
1. TI Vista Alegre (AM - Mura)
2. TI Tupinambá de Olivença (BA - Tupinambá)
3. TI Comexatibá (BA - Pataxó)
4. TI Ypoí Triunfo (MS - Guarani)
5. TI Sawré Ba'pim (PA - Munduruku)
6. TI Pankará da Serra do Arapuá (PE - Pankará)
7. TI Sambaqui (PR - Guarani)
8. TI Ka'aguy Hovy (SP - Guarani)
9. TI Pakurity (SP - Guarani)
10. TI Ka'aguy Mirim (SP - Guarani)
Negociações entram em semana decisiva
Mais uma vez, foram pedidas ações mais resolutivas para a implementação de acordos como o Acordo de Paris, buscando maior avanço na transição energética e justiça climática. Para o Fundo de Adaptação, que visa mitigar consequências já causadas por desastres e situações atípicas decorrentes das mudanças climáticas, países como Bélgica, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Espanha e Suécia confirmaram doações que chegam a US$ 58,5 milhões (aproximadamente R$ 311,8 milhões, de acordo com a cotação atual).
Mas ainda há uma lacuna para definir os indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA), já que países africanos, árabes e outros bloquearam o consenso sobre o pacote de indicadores, pedindo ajustes nas propostas apresentadas.
Agora, a cúpula entra na fase chamada de Segmento de Alto Nível, a "segunda fase da COP", que possibilita um envolvimento mais político de líderes e negociadores para a definição dos tópicos finais de discussão na conferência.
As pendências que ainda não avançaram na agenda envolvem medidas mais diretas para o financiamento climático, lacunas em metas climáticas envolvendo, por exemplo, ações para a transição energética segundo o Acordo de Paris, além de medidas unilaterais de comércio, como propostas de diferentes tributações para emissões de carbono, e novas propostas de relatórios e atualizações dos planos climáticos nacionais: ou seja, as metas de cada país para cumprir acordos internacionais, conhecidas como NDCs, em processo de revisão dentro do ciclo do Acordo de Paris.
O financiamento climático segue com entraves após países menos desenvolvidos demandarem maior contribuição financeira dos países desenvolvidos. Segundo coletiva de imprensa realizada ao fim do dia, a presidência anunciou que divulgará até o dia 18 um rascunho de um novo documento com decisões e planos sobre esses pontos.
Blue Zone: Painéis adotam maior pressão sobre hipocrisia da cúpula e negociadores
Enquanto as negociações acontecem, a Blue e a Green Zone da COP30 sediam múltiplos e diferentes painéis, que abordam diversas frentes, soluções e temas de debate relacionados às mudanças climáticas. No painel "A resposta somos nós: contribuições dos territórios dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais extrativistas à ação climática global", lideranças indígenas e extrativistas reforçaram como é inviável que a conferência siga com negociações que não avancem de fato em medidas e ações para os povos que mais sofrem com os impactos climáticos.
* Larissa Mariano é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero. Atuou em redações de entretenimento e economia, com passagens pelo portal Terra e pelo Jornal Joca. Atualmente, também produz conteúdo para o PlanetaEXO, plataforma que desenvolve o ecoturismo no Brasil.