Família de jovem contaminado por ácido durante hemodiálise no RJ espera há 7 meses laudo da morte
Bruno Rodrigues Ventura dos Santos morreu após 18 dias internado em estado gravíssimo na UTI
A família de Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, busca por respostas sobre o que causou a morte do rapaz, ocorrida há sete meses, após uma sessão de hemodiálise em uma clínica particular de São Gonçalo (RJ). A suspeita da Polícia Civil, segundo a TV Globo, é a de que ele tenha sido contaminado por ácido peracético.
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O caso ocorreu em 22 de agosto de 2025. Ele chegou no local para fazer o procedimento, mas acabou passando mal no início do atendimento. Ele foi encaminhado para o Pronto-Socorro Central de São Gonçalo, onde ficou 18 dias internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em 9 de setembro, ele morreu.
À TV, o pai do rapaz, Márcio Luiz dos Santos, afirmou que o último laudo saiu como inconclusivo. “Diz do que o Bruno morreu, mas não diz o que levou à morte dele. A delegacia pediu esclarecimentos, pediu para o IML retificar o laudo. Está tudo parado”, afirmou.
“Ele chegou bonzinho na clínica, de lá, a gente nunca mais trouxe o Bruno para a casa. Dizem que o tempo ameniza as coisas, é mentira, ele só piora. Ele sofreu e a gente só quer que isso se resolva, porque está todo mundo vivendo a vida e a gente não vive”, desabafou.
Ainda conforme a emissora, a principal suspeita da polícia é de que ele tenha sido intoxicado pelo ácido usado na limpeza de equipamentos, possivelmente por falha operacional. O caso foi registrado na 72ª Delegacia de Polícia (São Gonçalo) como lesão corporal por imperícia, no entanto, após a morte de Bruno Rodrigues, deve ter a tipificação alterada.
Quando o caso ocorreu, a clínica estava com o certificado de regularidade vencido desde junho de 2025. Com a morte de Bruno, os pacientes que recebiam atendimento no local foram transferidos. Na época, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) fiscalizou a unidade e abriu uma sindicância para apurar o caso.
“A equipe do Departamento de Fiscalização da autarquia, que esteve no local, foi informada de que a clínica atendia em média 70 pacientes adultos. No dia da vistoria, funcionários informaram que o estabelecimento estava atendendo três pacientes, tendo em vista que os demais tinham sido transferidos para outras unidades por regulação estadual. Ainda segundo os colaboradores, a previsão é que, neste mês [em setembro], a clínica encerre suas atividades de forma temporária”, informou o Cremerj.
O Terra solicitou informações junto ao Conselho sobre a sindicância, mas não teve retorno até o momento. A reportagem também entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que informou que a investigação prossegue e é acompanhada pelo Ministério Público. O MPRJ ainda não se manifestou sobre o caso.