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Confronto com lancha renova tensões na crise entre EUA e Cuba

27 fev 2026 - 12h51
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Incursão de embarcação vinda da Flórida terminou com quatro mortos e feridos na costa cubana. Governo Trump nega envolvimento e reforça política de isolamento que aprofunda crise no país caribenho.Uma lancha se aproxima rapidamente da costa de Cuba nas primeiras horas da madrugada de 25 de fevereiro. Aparentemente, vem da Flórida e transporta dez cubanos exilados.

Ao se deparar com uma patrulha da guarda costeira cubana, ocorre um troca de tiros. Como resultado, quatro ocupantes da lancha morrem e outros seis ficam feridos. Segundo informações posteriores do governo em Havana, a incursão dos exilados tinha "fins terroristas".

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que não há agentes do governo americano envolvidos no incidente e que a lancha não tem relação com o país. Ele anunciou que o episódio será investigado de forma independente. Autoridades americanas informaram que dois dos tripulantes - um morto e um ferido - são, além de cubanos, cidadãos americanos.

O embate ocorre num momento de especial tensão entre os Estados Unidos e Cuba, em que o governo Donald Trump, em sua campanha expansionista na região, aposta que o regime comunista está perto do fim.

Os EUA cortaram o fornecimento de petróleo e várias fontes de renda externa que sustentam a economia e o governo de Cuba. Como consequência, o país vive uma grave crise humanitária, com longos apagões, inflação galopante, lixo se acumulando nas ruas e a escassez de itens básicos, como combustível.

Qual o papel de Marco Rubio?

Marco Rubio é considerado a força motriz da atual política americana para a América Latina e também desempenhou um papel decisivo na detenção de Nicolás Maduro, na Venezuela.

O secretário de Estado mantém uma relação especial com Cuba, país caribenho localizado a menos de 150 quilômetros da costa da Flórida - ele é filho de imigrantes cubanos nos EUA. E não esconde suas intenções para o futuro político da ilha.

"Acho que gostaríamos de ver uma mudança de regime lá", afirmou em janeiro, durante uma audiência no Senado americano. "Isso não significa que vamos provocar ativamente essa mudança", acrescentou. No entanto, ressaltou que seria uma grande vantagem para os EUA se Cuba deixasse de ser governada por um "regime autocrático".

Que pressão os EUA exercem sobre Cuba?

A intervenção militar na Venezuela no começo do ano teve graves consequências para Cuba, interrompendo as importações de petróleo provenientes de Caracas, vitais para a economia do país. Além disso, os EUA ameaçaram impor tarifas punitivas a qualquer país terceiro que tentar fornecer petróleo à ilha caribenha.

Desde então, apagões de várias horas fazem parte da vida cotidiana em Cuba. O governo teve que reduzir os horários de trabalho e escolares, e em muitos lugares os ônibus e trens pararam de funcionar. As Nações Unidas já alertaram para um "colapso humanitário" na ilha, já que a grave escassez de energia e combustível paralisa a refrigeração de alimentos, o fornecimento de medicamentos e o funcionamento das bombas de água.

Embora Rubio tenha anunciado recentemente uma ligeira flexibilização para as exportações de petróleo ao setor privado em Cuba, ele ressaltou que as licenças seriam revogadas imediatamente se o combustível fosse desviado para o exército ou o governo.

Por que os EUA consideram Cuba tão perigosa?

Washington considera Cuba uma "ameaça extraordinária" à sua segurança nacional e política externa. No fim de janeiro, o presidente Trump chegou a declarar estado de emergência nacional, o que amparou sua retórica de enfrentamento regional.

Os EUA acusam a liderança cubana de oferecer a ilha como uma base a governos inimigos. Segundo Washington, Cuba abriga a maior instalação de inteligência de sinais no exterior da Rússia, destinada a obter informações confidenciais sobre a segurança dos EUA.

Cuba também é acusada se estar cada vez mais alinhada aos interesses geopolíticos da China. Os serviços de inteligência americanos afirmam ter identificado pelo menos quatro instalações de espionagem chinesas na ilha, capazes de monitorar operações militares e comunicações dos EUA.

Washington acusa ainda Havana de oferecer refúgio a grupos terroristas internacionais, como o Hamas ou o Hezbollah. Embora não tenham sido apresentados publicamente relatórios de inteligência ou provas conclusivas, os EUA incluíram Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo internacional.

Da mesma forma, Washington considera que a difusão de ideologias comunistas por parte do regime cubano representa uma ameaça direta aos seus interesses regionais.

Desde quando existe o conflito?

O conflito entre os EUA e o atual regime de Cuba remonta à Revolução Cubana de 1959. Naquele ano, Fidel Castro derrubou o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA, e pouco depois começou a nacionalizar empresas americanas e a impor outro regime autoritário, mas desta vez independente de Washington.

Muitos presidentes americanos tentaram derrubar o governo cubano desde então. Em 1961, os EUA tentaram derrubar o jovem regime de Castro com a ajuda de exilados cubanos armados, mas fracassaram. A CIA tentou matar Castro pelo menos oito vezes. Houve inúmeras medidas de pressão econômica e sanções.

No entanto, a invasão da Baía dos Porcos fracassou e empurrou Cuba ainda mais para a órbita da União Soviética. Temendo uma nova invasão americana, Fidel Castro permitiu a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha, o que resultou na perigosa crise dos mísseis de 1962, que só pôde ser desativada com grandes esforços diplomáticos.

Como consequência dessa crise, Washington impôs um amplo embargo econômico contra a ilha, em vigor até hoje, além disso, centenas de milhares de cubanos fugiram da ditadura castrista rumo aos EUA, formando influentes comunidades eleitorais que até hoje pressionam por mudança de regime na ilha.

As relações diplomáticas entre os dois países continuam congeladas. Embora tenha havido uma breve aproximação durante a presidência de Barack Obama, as sanções foram endurecidas novamente durante o primeiro mandato de Trump e, posteriormente, sob Joe Biden.

Desde o segundo mandato de Donald Trump e a nomeação de Marco Rubio como secretário de Estado, os Estados Unidos intensificaram ainda mais a pressão. "Se o povo cubano sofre, é porque o regime impede a ajuda", declarou Rubio ao se referir ao recente tiroteio na costa cubana. Ele anunciou que os Estados Unidos só reduzirão verdadeiramente sua pressão quando o regime conceder ao seu povo "liberdade política e econômica".

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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