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Como será o resgate de passageiros no navio com hantavírus

9 mai 2026 - 09h06
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Organizada entre diversos governos e OMS, operação nas Ilhas Canárias deverá durar dois dias. Quase 150 pessoas estão à deriva no Atlântico.Depois de vários dias à deriva no Atlântico, as quase 150 pessoas a bordo do cruzeiro atingido por um surto de hantavírus começam a vislumbrar uma saída. Um complexo resgate a partir das Ilhas Canárias está sendo organizado por autoridades locais, governo espanhol, vários outros países e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Passageiros sob suspeita de infecção pelo hantavírus já foram retirados individualmente do cruzeiro
Passageiros sob suspeita de infecção pelo hantavírus já foram retirados individualmente do cruzeiro
Foto: DW / Deutsche Welle

O navio MV Hondius deverá chegar às Ilhas Canárias no início da manhã de domingo (10/05), dando início a uma operação ao longo de dois dias.

Vários países já confirmaram o envio de aviões para repatriar os próprios cidadãos, incluindo Alemanha, França, Bélgica, Irlanda, Holanda e Estados Unidos. A União Europeia (UE) também fornecerá duas aeronaves para o resto dos cidadãos do bloco.

EUA e Reino Unido apoiam também a retirada de cidadãos de fora da UE cujos países de origem não têm condições de providenciar o transporte aéreo. Há ainda procedimentos para este grupo sendo planejados em conjunto pela Espanha, Holanda, a empresa proprietária do navio e a sua seguradora.

Sem permissão para atracar

A perspectiva da chegada do navio causou controvérsia na Espanha. Autoridades regionais das Ilhas Canárias recusaram o plano do governo nacional e da OMS, que envolvia autorizar a embarcação atracar.

Em vez disso, ela permanecerá ao largo da costa, enquanto os passageiros passarão pela triagem e retirada entre o meio-dia de domingo e a segunda-feira do horário local. É a única janela de tempo em que, segundo as autoridades de saúde, as condições meteorológicas permitirão a operação.

Os passageiros poderão levar apenas bens essenciais, mas não a bagagem completa, que deverá ser primeiro desinfectada. Eles serão encaminhados a uma zona completamente isolada.

"Nem as bagagens nem o corpo da pessoa falecida serão desembarcados nas Ilhas Canárias. Eles continuarão a bordo com parte da tripulação," disse a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García Gómez. O navio, que tem bandeira holandesa, seguirá então para a Holanda.

Espanhóis desembarcarão primeiro

Os cidadãos espanhóis serão os primeiros a desembarcar. A ordem para o resto dos passageiros será determinada por autoridades de saúde. Só poderão sair aqueles cujos voos de evacuação já estiverem prontos para decolar.

Após serem examinados a bordo, os passageiros serão levados em embarcações menores e, depois, transferidos de ônibus para o aeroporto. De lá, voarão de volta a seus países de origem.

O chefe da OMS,Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à Espanha neste sábado para supervisionar a operação junto com autoridades espanholas. Ele disse estar em contato com o capitão e um funcionário da agência de saúde das Nações Unidas.

De acordo com uma carta enviada pelos ministros das Relações Exteriores e da Saúde dos Países Baixos ao Parlamento no fim da noite de sexta-feira, a Espanha ativou o mecanismo europeu de proteção civil para manter de prontidão um avião de evacuação médica equipado para lidar com doenças infecciosas de alto risco.

Caso alguém adoeça, os médicos a bordo do navio informarão as autoridades espanholas, e o avião de evacuação "será enviado a Tenerife para que a pessoa doente possa ser rapidamente transportada por via aérea para o continente europeu".

"Não é uma nova covid"

No porto de Granadilla de Abona, da ilha de Tenerife, moradores expressam receio. "Depois da Covid-19, qualquer coisa envolvendo um vírus deixa as pessoas com medo," disse um morador à agência AFP.

A OMS vem tentando tranquilizar o público, afirmando que o risco de uma disseminação mais ampla é "absolutamente baixo". O hantavírus em circulação no navio era da cepa Andes, da América do Sul, única transmissível entre humanos.

"Este é um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa que está realmente infectada", disse o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, acrescentando que o surto "não é uma nova covid".

Não há relato de mais pessoas a bordo com sintomas de hantavírus. Três passageiros morreram desde o início do surto. Outras cinco pessoas deixaram o navio sob suspeita de infecção, das quais três foram confirmadas.

Suspeita-se que duas mulheres na Espanha possam também ter sido infectadas. Elas estavam no mesmo voo que a mulher holandesa que morreu após deixar o cruzeiro. Ela e o marido, que também morreu, foram os primeiros casos detectados da doença. Ambas estão em isolamento.

ht (Reuters, AFP)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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