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Como o Brasil elegeu cinco vezes o PT na Presidência sendo um país com a população mais à direita?

Descolamento da figura de Lula de seu partido amplia base eleitoral petista e alcança aqueles que se opõem a pautas identitárias caras à esquerda

9 set 2023 - 09h10
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Apesar da confusão feita pelas pessoas sobre o que é ser de direita ou de esquerda, perceptível principalmente quando se realizam pesquisas qualitativas, o brasileiro em sua maioria, sempre que entrevistado, coloca-se no espectro girondino da força. Em pesquisa realizada pelo PoderData, em fevereiro deste ano, mesmo após a posse de Lula, presidente oriundo da esquerda, 28% dos brasileiros se consideram de direita, 7 pontos a mais do que aqueles que se identificam como esquerdistas.

Essa percepção se dá de maneira mais clara quando se debruça sobre a opinião do brasileiro acerca dos diferentes temas comportamentais da sociedade. Em levantamento feito pelo mesmo PoderData, em janeiro, 46% dos brasileiros se dizem contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já, de acordo com a XP/Ipespe, 72% são favoráveis à redução da maioridade penal, 59% contrários à descriminalização do aborto e 75% refutam a liberação do comércio de drogas.

Com essa realidade de pensamento parece inconcebível que o país em nove eleições presidenciais democráticas, desde o final da ditadura militar, tenha eleito em cinco oportunidades um candidato que ocupasse a raia da esquerda no pleito presidencial. Lula, em 2002, 2006 e 2022, e Dilma, sua indicação, em 2010 e 2014, venceram a disputa pelo Planalto mesmo representando um pensamento antagônico ao da maioria do povo brasileiro. O mais interessante nisso tudo é que justamente nas camadas mais baixas da população, segmento no qual tiveram sua base absoluta de votos, reside a maior quantidade do sentimento conservador da sociedade.

O que une Mauro Cid a PC Farias, o tesoureiro de Collor

  • STF trata Lula como tratou Collor há 30 anos; 'manual da corrupção' não vale como prova
  • Em 2022, ano em que Lula foi conduzido ao seu terceiro mandato presidencial, o desempenho dos partidos à esquerda nas disputas regionais foi tímido. Na Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, o PT elegeu governadores. No Espírito Santo, Maranhão e Paraíba, o PSB, partido socialista, do vice-presidente Geraldo Alckmin, saiu vitorioso, assim como no Amapá, o Solidariedade, partido fundado por sindicalistas da Força Sindical e inspirado no homônimo polonês, liderado por Lech Walesa. Oito Estados que totalizam pouco mais de 44,5 milhões de habitantes, ou seja apenas 1/5 do Brasil.

    Mesmo hegemônico na esquerda, os melhores desempenhos do PT em eleições para os Estados foram em 2010 e 2014, quando elegeu cinco governadores, número que não é compatível com quem venceu tanto a Presidência da República. Desde 1989, o Brasil foi cinco vezes governado pelo PT, duas pelo PSDB e duas pelos extintos PRN (Collor) e PSL, partido pelo qual foi eleito Bolsonaro, que depois migraria para o PL. O segredo para tanto foi justamente o descolamento da figura de Lula do seu partido. Em sondagem realizada durante a eleição, o Ipespe mostrou que 10% dos brasileiros que se consideravam de direita ou centro-direita podiam votar em Lula, número importantíssimo, já que a eleição foi decidida por 0,20% dos votos.

    Com o voto da esquerda garantido pela primazia do PT nesta raia e com o entendimento de que o seu eleitor mais fiel é mais conservador nos costumes, Lula, em poucas oportunidades, faz acenos à sua base ideológica e majoritariamente foca em falar sobre a economia real, aquela do bolso do brasileiro. Discute com muita perspicácia a realidade das pessoas e tem a capacidade e a oratória, aliados a um invejável carisma, que o torna uma figura acima de espectros doutrinários. O lulismo é muito maior que o petismo ou que o esquerdismo, é uma força popular que promove um fenômeno de complexa explicação: fazer com que um país conservador eleja em sua maioria das vezes a esquerda para governá-lo.

    Estadão
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