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Como imagens falsas do Irã enganaram veículos de comunicação

20 mar 2026 - 17h51
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Veículos de mídia, incluindo a DW, publicaram conteúdo feito por IA da guerra no Irã, expondo a facilidade com que imagens manipuladas podem se infiltrar na mídia. Veja o que aprendemos e como identificar imagens falsas.Fotos e vídeos manipulados ou publicados fora de contexto circulam com frequência durante guerras e crises — às vezes para enganar, ou para simplesmente gerar cliques.

Durante a guerra em curso entre os EUA, Israel e Irã, o problema atingiu um novo patamar. As próprias agências de notícias receberam imagens manipuladas ou falsas, que acabaram chegando às redações por toda a Europa.

Algumas das imagens parecem ter sido geradas por inteligência artificial, enquanto outras foram alteradas digitalmente por seres humanos. Aqui está a história, o que aprendemos e como você pode identificar falsificações geradas por IA.

A saga da SalamPix

No início de março, a mídia holandesa noticiou que a ANP (Algemeen Nederlands Persbureau), a maior agência de notícias do país, removeu cerca de 1.000 fotos relacionadas ao Irã de seu banco de dados após suspeitar que algumas tivessem sido manipuladas por IA.

Dois dias depois, a filial holandesa da rede de mídia RTL informou que seu serviço de notícias, o RTL Nieuws, havia usado, sem saber, três dessas imagens em seu site e aplicativo. Depois que a ANP alertou a RTL de que as fotos foram geradas por IA, a RTL as removeu e publicou uma explicação detalhada identificando quais imagens haviam sido retiradas e por quê.

Pouco depois, a revista semanal alemã Der Spiegel reconheceu que também havia usado uma imagem manipulada por IA em sua cobertura antes de perceber que era falsa.

Em ambos os casos, agências de notícias conceituadas haviam fornecido as imagens. A RTL as recebeu por meio da ANP, enquanto a Der Spiegel as obteve via dpa Picture Alliance, ddp e Imago Images, que haviam obtido o material da agência francesa Abaca Press.

As imagens foram, por fim, rastreadas até uma agência iraniana, a SalamPix. De acordo com a Der Spiegel, a SalamPix forneceu as fotos à Abaca Press, que então as distribuiu para os bancos de dados de várias agências internacionais e, por fim, para as redações.

As agências de notícias normalmente coletam conteúdo de mídia, incluindo fotos, de todo o mundo e, em seguida, vendem e distribuem as informações para jornais, emissoras de TV e rádio, que, por sua vez, as utilizam como parte de sua própria cobertura.

Em resposta às revelações sobre imagens manipuladas por IA, muitas agências fotográficas bloquearam a SalamPix ou emitiram os chamados "avisos de retirada", instruindo os clientes de mídia com quem trabalham a remover as imagens da SalamPix de suas publicações.

Como as agências fotográficas foram enganadas

Na Alemanha, a presunção de autenticidade das agências é um conceito jurídico que ampara o uso de textos, imagens e vídeos verificados fornecidos pelas agências de notícias por veículos de mídia.

Até mesmo uma emissora global como a Deutsche Welle (DW) costuma recorrer a agências externas para cobrir eventos globais.

Mas, à medida que o conteúdo gerado e manipulado por IA se torna mais sofisticado e prolífico, distinguir imagens reais das fabricadas é cada vez mais difícil. O desafio não é apenas tecnológico, mas também logístico. Durante situações de notícias em tempo real, jornalistas e agências precisam filtrar volumes enormes de imagens de forma rápida. Em 2026, a DW recebe uma média de 140 mil imagens por dia das agências.

"A transparência é uma de nossas maiores prioridades. Sempre que mostramos conteúdo gerado por IA, ele deve ser claro e inequivocamente identificável como tal", explica o editor-chefe da DW, Mathias Stamm. "E se cometemos um erro — como no caso do uso de imagens da agência SalamPix —, nós o reconhecemos e continuamos transparentes."

Exemplos publicados e identificados pela DW

Após as primeiras reportagens sobre a SalamPix, a DW revisou sua própria cobertura e descobriu que também havia usado imagens da agência. Posteriormente, a DW removeu todas as imagens da SalamPix e publicou notas de correção em cada artigo alterado para explicar o conteúdo modificado.

Um exemplo é uma cena de rua aparentemente realista retratando um suposto ataque com mísseis em Teerã, mostrando carros amarelos (possivelmente táxis) em primeiro plano, prédios ao fundo e fumaça subindo atrás deles.

Ao examinar mais de perto, no entanto, foram identificadas várias falhas típicas do uso de IA.

As mais nítidas são os escritos na parede e no carro, que parecem texto — até serem examinados mais de perto. Ao ampliar a imagem, fica claro que não se tratam de palavras em farsi ou árabe. Na verdade, não é nenhum idioma, mas um pseudotexto sem sentido, uma falha comum em imagens geradas por IA.

Outro erro típico em imagens geradas por IA é a presença de edifícios e objetos com formas estranhas que desafiam a lógica. Neste caso, também encontramos uma janela de carro com formato estranho e paredes e janelas salientes do edifício que está acima do carro amarelo no centro da imagem.

Se você ampliar o carro e o ônibus no canto inferior esquerdo da imagem, também verá que eles têm formas estranhas e não correspondem a nenhum modelo existente.

Este é outro exemplo de imagem gerada por IA. Ela retrata um homem vestido todo de preto com uma arma na mão. A legenda fornecida dizia: "Forças de segurança iranianas armadas em Teerã abrindo fogo para reprimir manifestantes durante protestos em 8 de janeiro de 2026."

Mais uma vez, vemos falhas da IA: os dois sapatos não combinam; a pessoa parece ter um pé diferente do outro. A sombra da pessoa (especialmente a mão direita, acima da arma) não corresponde ao corpo.

A mesma mão também parece anatomicamente incorreta, com um pedaço aparentemente faltando entre o polegar e os dedos.

A equipe de verificação de fatos da DW também analisou imagens mais antigas fornecidas pela SalamPix e, assim como o Süddeutsche Zeitung, um dos maiores jornais diários da Alemanha, encontrou irregularidades nas imagens publicadas.

Uma das imagens analisadas pela DW é a que aparece no topo desta reportagem. Ela foi descrita como uma cena de manifestantes iranianos em confronto com as forças de segurança durante um protesto contra o regime iraniano na cidade de Mahabad, em novembro de 2022.

A imagem apresenta erros típicos de IA daquela época: as mãos, especialmente os dedos, de várias pessoas na imagem estão deformadas ou parecem feitas de madeira. As janelas do prédio à esquerda não estão alinhadas no mesmo ângulo. E o rosto da pessoa na extrema direita da imagem está distorcido.

Como identificar imagens geradas ou manipuladas por IA

À medida que as ferramentas de IA melhoram, tem ficado cada vez mais difícil distinguir quais imagens são fabricadas. Isso significa que tanto usuários comuns quanto jornalistas profissionais correm o risco de serem enganados.

Organizações de mídia, incluindo a DW, estão investindo fortemente no treinamento de equipes para detectar e desmascarar manipulações de IA.

Veja algumas dicas de como identificar imagens geradas por IA:

Procure uma versão em alta resolução:

Amplie bem a imagem: há algo que pareça estranho?

Verifique os detalhes com cuidado:

Os objetos se misturam, especialmente no fundo? Você nota algo sem lógica ou inconsistente?

Examine o texto visível:

Existem sinais, símbolos ou placas de veículos incomuns?

Procure por marcas d'água:

Você vê logotipos ou marcas de ferramentas de IA generativa como DALL·E, Midjourney, Veo, Sora ou Gemini? O SynthID do Google também pode revelar marcas d'água ocultas em algumas imagens geradas por IA.

Encontre a fonte:

Tente uma busca reversa de imagens. Ferramentas como o Google Lens ou o Yandex podem mostrar mais contexto ou se a imagem já apareceu antes.

Verifique com especialistas:

Veja se existe uma verificação de fatos, por exemplo, de uma organização certificada pela International Fact-Checking Network (IFCN).

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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