Começou o Inverno: veja o que esperar da estação em todo o país
A nova estação começa sob o impacto de um ciclone extratropical e de uma forte massa de ar polar que promete derrubar as temperaturas em quatro regiões do país
Estudos sobre o início da estação mais fria do ano indica uma virada radical nas condições do tempo em grande parte do Brasil. O inverno de 2026 começou oficialmente às 5h24 deste domingo, trazendo o solstício que marca a noite mais longa do ano. Para os próximos dias, os principais institutos de previsão alertam para a chegada de uma potente frente fria, associada a um ciclone extratropical, que vai avançar rapidamente pelo Centro-Sul do país.
Ciclone e massa polar trazem a primeira frente fria do Inverno
Nesse sentido, o impacto inicial do fenômeno deve ser sentido já nesta segunda-feira com o registro de temporais e ventos fortes. Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais estão na rota das instabilidades. De acordo com os meteorologistas, essa primeira grande onda de frio de 2026 será abrangente e provocará quedas bruscas nas temperaturas, afetando inclusive importantes áreas produtoras do agronegócio.
Além disso, a retaguarda desse sistema trará uma massa de ar de origem polar de forte intensidade, fazendo o cenário mudar a partir de terça-feira. Com o afastamento das nuvens carregadas, o ar gelado toma conta do Sul do país, onde os termômetros devem despencar para marcas abaixo dos 5°C. O especialista da Climatempo, César Soares, destacou a força do fenômeno que está por vir para os próximos dias no país:
"A tendência é que o começo do inverno seja marcado por mais episódios de frio. Nesse período, massas de ar de origem polar devem avançar com mais frequência pelo país e podem chegar até áreas do Norte do Brasil, provocando quedas bruscas de temperatura."
Geada ampla e risco de neve marcam o mês de julho
Contudo, o pico dessa massa de ar polar está previsto para acontecer entre os dias 24 e 26 de junho, quando o frio ganha ainda mais amplitude e força. O fenômeno deve provocar geadas amplas em praticamente toda a Região Sul e alcançar, de maneira mais pontual, o extremo sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Há também uma chance real para a ocorrência de neve e chuva congelada nas áreas mais altas das serras gaúchas e catarinenses.
Da mesma forma, a amplitude do sistema será suficiente para causar o fenômeno da friagem em pontos do Norte e do Centro-Oeste. Cidades como Goiânia, Brasília e até municípios de Rondônia, do Acre e do sul do Amazonas podem registrar marcas abaixo dos 15°C. O interior paulista, o Triângulo Mineiro e o sul da Bahia também sentirão o reflexo dessa mesma frente fria, que empurrará o vento gelado muito mais ao norte do que o habitual para esta época.
Olhando para a frente, os especialistas apontam que o mês de julho deve se consolidar como o período mais rigoroso de toda a estação. Duas fortes massas de ar polar são esperadas para as próximas semanas — uma na metade e outra bem no final do mês. Ambas terão capacidade para manter as madrugadas congelantes no Sul e no Sudeste, enquanto o Norte e o Nordeste seguirão com o tempo predominantemente seco e quente.
Influência do El Niño e a previsão de calor em agosto
Por outro lado, o comportamento do clima deve sofrer uma mudança drástica na segunda metade da estação. A partir da segunda quinzena de agosto, o cenário de frio intenso perde força. As temperaturas voltam a subir rapidamente em quase todo o país. Por fim, a tendência é de que o final do inverno registre picos de calor e marcas acima da média climatológica no Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.
Essa gangorra térmica e a irregularidade das chuvas possuem uma explicação oceânica direta. O fenômeno El Niño voltou a se formar oficialmente na primeira semana de junho e ganhará muita intensidade ao longo do trimestre. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico deixará a Região Sul mais úmida do que o normal. Além disso, os volumes de chuva estarão bem acima da média histórica para o sudoeste do Paraná, enquanto o extremo norte e a faixa leste do Nordeste enfrentarão uma seca severa.
Em suma, a dinâmica climática de 2026 exige atenção redobrada da população e das autoridades de defesa civil. Enquanto as primeiras semanas demandam cuidados com o frio extremo, as geadas e a umidade, o final do inverno exigirá alertas voltados para a baixa umidade do ar e o risco de queimadas. Resta acompanhar as atualizações diárias dos radares para entender a velocidade com que cada nova frente fria cruzará o continente.
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