Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

[Coluna]: Wagner Moura nos ensina como não ser vira-lata no exterior

12 jan 2026 - 12h21
Compartilhar
Exibir comentários

Ator mostra que dá para fazer sucesso internacional e morar em outro país se orgulhando das suas origens e sem achar que estrangeiros são superiores."Viva o Brasil! Viva a cultura brasileira"! Ao ganhar o Globo de Ouro de melhor ator de drama na noite deste domingo (11/01), Wagner Moura quebrou o protocolo e falou assim mesmo, em português, direto com a audiência do Brasil.

"Viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!", disse Wagner Moura em português
"Viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!", disse Wagner Moura em português
Foto: DW / Deutsche Welle

O ator, que faz questão de falar do seu país sempre, mostrou mais uma vez que, além de um artista genial, é também nosso super-herói anti-viralatismo.

Na madrugada, depois da vitória, Kleber Mendonça Filho, o diretor de O Agente Secreto, que ganhou também o prêmio de melhor filme em língua não inglesa, postou no Instagram um vídeo de Wagner e equipe celebrando a vitória histórica. Eles não estavam em nenhuma festa de astros internacionais fazendo social, mas cantando e sambando: "Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, o morro foi feito de samba, de samba pra gente sambar". Deu vontade de cantar junto.

Wagner, que mora em Los Angeles há quase dez anos e é reconhecido internacionalmente desde seu papel na série Narcos, de 2015, nos mostra que dá para fazer sucesso internacional, morar em outro país, se orgulhar das suas origens e não se curvar como se estrangeiros fossem superiores, sendo eles famosos e poderosos ou não.

Wagner trata todo mundo igual. Já tive a chance de entrevistá-lo algumas vezes e confirmo: ele é assim mesmo.

Orgulho de ser brasileiro

Desde que começou a campanha internacional do filme, Wagner sempre falou do Brasil, da ditadura militar, e deixou claro que se orgulhava de ser brasileiro, latino e um "representante dos imigrantes brasileiros que vivem nos EUA", como disse em entrevista para o Hollywood Reporter. Na mesma ocasião, ele falou que nunca pensou em tentar perder o sotaque brasileiro.

"Nunca entendi atores que tentam perder seus sotaques. Sou um ator brasileiro e represento uma quantidade enorme de pessoas que moram aqui neste país [EUA] e falam com sotaque." E completou: "No início, me perguntavam se eu conseguiria interpretar um personagem com sotaque padrão americano. Eu respondia que não. Primeiro, porque eu não consigo (risos), mas também porque eu acho isso meio errado. Sou um ator brasileiro", completou.

Isso pode até parecer óbvio, mas está longe de ser. Ainda mais em se tratando de um brasileiro. Fomos criados numa sociedade que nos ensina que somos piores do que cidadãos de países ricos (principalmente da Europa e dos Estados Unidos). Deve ser por isso que nos envergonhamos de nossos sotaques. É só ver quantos brasileiros são criticados por outros brasileiros por "não falarem um inglês perfeito". Na maioria das vezes, quem recebe essas críticas sabe, sim, falar inglês e se comunica muito bem. Só não fala como um norte-americano. Mas por que deveria, se a pessoa é brasileira e sua primeira língua é o português? Ao mesmo tempo, sempre que ouvimos um estrangeiro falando português errado, achamos "bonitinho o esforço dele". Somos mais generosos com estrangeiros do que com a gente mesmo.

Moro fora do país há mais de dez anos e atesto: há um tipo de imigrante que quer tanto se integrar à sociedade do país onde mora que tenta esquecer que é brasileiro e faz pouco de suas origens. Wagner é o oposto disso tudo. E nada deslumbrado.

Papéis recusados

Em entrevista para o New York Times, ele disse que se orgulhava de já ter recusado trabalhos em Hollywood e que não se contentou com papéis estereotipados. "Meus agentes diziam: 'Você é um ator brasileiro, deveria estar muito feliz com essa oferta'. E uma parte de mim sentia uma espécie de prazer em dizer 'não vou fazer isso'.

Essa é mais uma lição de um não vira-lata: por que um filme ou um papel seria bom só por ser de Hollywood? Tudo que é americano é melhor e um ator do nível de Wagner Moura deve ver isso como uma grande oportunidade? Claro que não. Os produtores de Hollywood é que devem ficar honrados por terem a chance de trabalhar com alguém como Wagner Moura.

Em tempos de ameaça à soberania da América Latina, nada como ter Wagner nos representando pelo mundo, falando com humor, clareza, crítica e orgulho sobre o nosso país. E ainda dando essas aulas de como não ser vira-lata. Mais do que nunca, ele está certo em dizer: "Viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!".

E um dos motivos de orgulho é ele mesmo.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade