PUBLICIDADE

Ilha da Sicília, na Itália, registra calor histórico de 48,8°C

Cidade italiana de Siracusa, na Sicília, pode ser tido a maior temperatura da Europa desde 1956. Marca está sendo checada pela WMO.

12 ago 2021 20h22
| atualizado às 21h57
ver comentários
Publicidade

Foto: incêndios em Palermitano, Itália em 10-8-2021 , por Vigili del Fuoco (Fonte: Fotos Públicas)

A forte onda de calor que vem se espalhando sobre a Europa vem quebrando recordes históricos de calor. A temperatura de 48,8°C registrada na última quarta-feira, em 11 de agosto de 2021, na cidade de Siracusa, na ilha da Sicília, Itália, poderá ser a maior temperatura já registrada em toda a Europa, desde 1956. A Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), vai fazer a verificação oficial. O recorde de calor até então da Europa é de 48,0°C, em Atenas, na Grécia, em  10/07/1977.

 

O mapa mostra as temperaturas máximas na ilha da Sicília, em 11/08/2021. No destaque, os 48,8°C de Siracusa

Foto: Climatempo

Temperaturas máximas na Sicília, Itália, em 11-8-2021

Uma ligeira queda já ocorreu na região de Siracusa no dia 12 de agosto, mas outras áreas da Sicília ainda registravam quase 42°C.

Foto: Climatempo

Temperaturas máximas na Sicília, Itália, em 11/8/2021

 

Temperaturas extremas

A intensa onda de calor que vem alimentando os incêndios na Grécia e Tunísia também provocou temperatura surpreendentemente altas nestes países

A Tunísia, no norte da África, estabeleceu um novo recorde de temperatura para agosto. Na terça-feira, 10, a cidade de Jendouba registrou 49,0°C. A capital Tunis atingiu um pico de 48,9°C, estabelecendo recorde de calor histórico, de todos os tempos.

As temperaturas extremamente elevadas observadas na Grécia, desde o início de agosto,  se aproximaram dos recordes históricos.  Em Langadas, na região de Thessaloniki, no norte da Grécia, a temperatura chegou aos 47,1°C em 3/08/2021 e foi considerada umas das mais altas da história climatológica do país. A marca ficou apenas 0,9°C abaixo da maior temperatura já registrada na Grécia, que foi de 48,0°C no dia 10/07/1977 em Atenas. 

Por que tanto calor na Europa?

A forte onda de calor que vem sendo observada sobre parte da Europa é  causada por um bloqueio atmosférico.  A circulação de bloqueio é associada a um grande sistema de alta pressão atmosférica que altera o caminho normal de frentes frias, por exemplo, ou impede temporariamente a mistura entre massas de ar com temperaturas diferentes, uma mais quente e outra fria. 

Esta onda de calor sobre a Europa deve continuar por mais alguns dias e a tendência é que avance para a Espanha e para Portugal, , entre esta sexta e o domingo, 15 de agosto, com risco de temperaturas acima dos 45°C

O recorde  de calor na Espanha é de 47,3°C em 13/07/2017 em Montoro, Córdoba. O recorde de calor em Portugal é de 47,4°C  em Amareleja, Beja, em 01/08/2003

Bloqueio atmosférico

Ondas de calor podem ocorrer em qualquer parte do mundo e em geral estão associadas a bloqueios atmosféricos causados por grandes sistemas de alta pressão atmosférica.

A circulação dos ventos em vários níveis da atmosfera impede, ou dificulta muito, o deslocamento das frentes frias e de  massas de ar de frio de um local para outro.

Assim, uma região pode ficar vários dias consecutivos sem contato com uma massa de ar com temperatura baixa e naturalmente se aquece. Porém, quando este bloqueio atmosférico acontece no período normal de calor de uma região, como por exemplo a primavera e o verão, cria-se uma massa de ar muito quente e seca sobre um determinada área. 

Além de interferir no deslocamento normal das frentes frias e massas de ar frio, o sistema de alta pressão atmosférica também causa a subsidência do ar. Esta é uma condição típica dos sistemas de alta pressão atmosférica e faz com que o fluxo de ar predominante seja de cima para baixo.

Este movimento do ar de cima para baixo (movimento subsidente) inibe a formação e o crescimento de nuvens, diminuindo ainda mais a chance de alguma chuva.

No Brasil tivemos recentemente, na primavera de 2020, uma das ondas de calor mais severas observadas no país, que quebrou recordes históricos de calor de mais de 100 anos de medições pelo Instituto Nacional de Meteorologia. A temperatura chegou aos 44,8°em Nova Maringá (MT), em 4/11/2020 e 5/11/2020.  As altíssimas temperaturas foram associadas ao não deslocamento da instabilidade de Madden-Julian, como analisou a professora Maria Assunção Dias, do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP, em entrevista ao podcast O Clima entre Nós 

Outra onda de calor notável foi a do verão de 2014/2015 que gerou uma grave crise hídrica no Brasil.

A intensa onda de calor que já foi observada nos Estados Unidos e no Canadá no verão de 2021 do Hemisfério Norte também teve incríveis temperaturas de quase 50°C e não pode ser esquecida.

Mudança climática

Ondas de calor intensas no sul da Europa não são incomuns, mas estão se tornando mais frequentes e ainda mais intensas nos últimos anos. Um exemplo foi a onda de calor história em 2019 na Europa Ocidental. Recentemente, muitas áreas na Bélgica e na Alemanha foram devastadas por tempestades com volumes de água fora do comum, que causaram enchentes devastadoras

O aumento da intensidade e da frequência das ondas de calor e de tempestades destruidoras na Europa está sendo fortemente associado à mudança climática causada pela atividade humana, segundo o recente relatório divulgado em 9/8/2021 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, na sigla em inglês. 

Maiores temperaturas da história no mundo

Confira as maiores temperaturas já registradas no mundo, de acordo com a avaliação da  Organização Mundial da Meteorologia

A maior temperatura no mundo foi de 56,7°C no dia 10/07/1916 em Furnace Creek, na Califórnia, nos Estados Unidos.

A maior temperatura da história no Hemisfério Sul foi de 50,7°C no dia 02/01/1960 em Oodnadatta, na Austrália.

A maior temperatura da história na Europa era de 48,0°C no dia 10/07/1977 em Atenas, na Grécia, mas poderá ser superada pelos 48,8°C em Siracusa, a Sicília, na Itália, registrados em 10/08/2021.

A maior temperatura da história na América do Sul foi de 48,9°C no dia 11/12/1905 em Rivadavia, Argentina.

Fontes:

Climatempo
Publicidade
Publicidade