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Camada de ozônio - você está destruindo a proteção do planeta?

A camada de ozônio é uma das principais barreiras contra a radiação ultravioleta do sol. Veja as principais causas dos buracos na camada de ozônio e como evitar que eles aumentem.

30 ago 2017
10h48
atualizado às 11h03
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A camada de ozônio é um dos componentes mais importantes que formam a estratosfera do nosso planeta. Ela é uma fina camada formada pelo gás ozônio (O3) que protege você, sua família e todos os outros seres vivos da Terra contra os raios ultravioleta do sol.

Mas eu uso protetor solar, preciso me preocupar com a camada de ozônio?

Bom, se a camada de ozônio deixasse de existir, seu protetor solar não ia servir para muita coisa contra os raios UV.  Isso por que grande parte da radiação que chega à Terra fica detida na camada de ozônio, que fica 25km a 30km longe de você. A pouca radiação que chega até nós já é forte o suficiente para causar sérios problemas como o câncer de pele e problemas de visão ou a destruição do plâncton marinho, que é responsável por absorver grande parte do dióxido de carbono (CO2) que emitimos.

Foto: Climatempo
Foto: Depositphotos

Altos níveis de radiação também são bastante ofensivos às plantas em geral, impactando na agricultura e diminuindo a oferta de alimentos. (Relembre tudo que você comeu hoje e faça as contas do que é origem vegetal, por exemplo).

Precisamos falar sobre o buraco na camada de ozônio

O primeiro buraco na camada de ozônio foi identificado em 1977. Em 1980, cientistas britânicos identificaram outro buraco com uma extensão de 10 quilômetros. Os buracos na camada de ozônio se formam principalmente nas regiões polares, e o mais conhecido se encontra na Antártida.

Também existem lugares onde não se formou exatamente um buraco na camada de ozônio, mas ela se tornou bastante frágil. Países como os Estados Unidos, a China e parte da Europa, por exemplo, já sentem os efeitos de uma camada 6% mais fina do que o normal.

Pesquisas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostram que a redução de apenas 1% da camada de ozônio já significa 50 mil novos casos de câncer de pele e 100 mil casos de cegueira por catarata na região afetada.

O que causa isso?

Já em 1986, a pesquisadora Susan Solomon conseguiu identificar o maior destruidor da camada de ozônio: os clorofluorcarbonetos (CFCs). Os CFCs demoram cerca de 8 anos para chegarem à estratosfera.

Na estratosfera, os clorofluorcarbonetos se desintegram, com a radiação ultravioleta, e liberam cloro e bromo. As moléculas de cloro reagem com o ozônio e se transformam em oxigênio (O2). Com isso, vão se formando os buracos na camada de ozônio, pois o oxigênio não é capaz de bloquear a radiação do sol.

A situação era tão preocupante que, já em 1987, o Protocolo de Montreal proibiu o uso de CFCs pela indústria, que na época era utilizado em geladeiras, ar-condicionado, sprays de cabelo, desodorantes...

Foto: Climatempo
Foto: Depositphotos

A camada de ozônio tem salvação?

Sim. Depois do Protocolo de Montreal, a indústria passou a pesquisar e reduzir - e em alguns casos substituir completamente - o uso de clorofluorcarbonetos. Isso já rendeu resultados otimistas para a camada de ozônio.

A mesma Susan vem acompanhando a camada de ozônio e identificou, já em 2015, que o buraco sobre a Antártida estava 4 milhões de quilômetros quadrados menor que em 2000. Em entrevista à BBC, ela conta que "o estado da camada de ozônio ainda é muito ruim, mas acho muito importante saber que o Protocolo de Montreal está realmente funcionando e tem um efeito direto no tamanho do buraco. Esse é um grande passo para nós." 

Apesar dos resultados serem significativos, o esforço deve ser constante, já que o cloro pode ficar presente na estratosfera por até 100 anos. Apesar da diminuição do uso de CFCs pela indústria, existem outros compostos químicos que destroem a camada de ozônio, como o halon, o brometo de metila, o tetracloreto de carbono (CTC) e o hidrofluorcarbono (HCFC).

Mais recentemente, um estudo da revista Nature Communications alertou para a ascensão de mais um composto químico que libera cloro na atmosfera, o diclorometano. Os pesquisadores identificaram um aumento de 8% ao ano da emissão do diclorometano. 

Se esse quadro continuar em ascensão, a recuperação da camada de ozônio pode demorar 30 anos a mais que o esperado: de 2065 ela pula para 2095.

Como você pode estar contribuindo para isso

A destruição da camada de ozônio está diretamente relacionada à presença de cloro na estratosfera. Você pode ter lido todos esses compostos químicos e estar pensando que isso tudo é preocupação do governo e das indústrias, mas isso pode estar diretamente relacionado a algumas práticas do seu cotidiano.

A sua geladeira, o seu ar-condicionado (tanto da sua casa quanto do seu carro) e o seu colchão e sofá, por exemplo, podem ter sido produzidos utilizando hidroclorofluorcarbonetos (HCFC). Apesar do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs já ter diminuído em 34% o uso desse composto pela indústria brasileira, ele continua bastante presente no mercado.

No seu cotidiano, essas substâncias são utilizadas principalmente como propelentes para aerossóis. Ou seja, desodorantes em spray, sprays de cabelo e mata insetos em aerossol estão na lista. Inaladores e alguns tipos de extintores de incêndio também estão na lista.

Foto: Climatempo
Foto: Depositphotos

Mas e agora? Preciso parar de usar inaladores e extintores?

Não é bem assim. O uso desses produtos é inevitável em algumas situações, mas você pode substituir desodorantes e sprays em aerossol por outros formatos, por exemplo.

Busque informações e compartilhe sobre o que os fabricantes dos eletrodomésticos que você compra estão fazendo para contribuir na luta contra a destruição da camada de ozônio, tipo quanto eles investem em pesquisa e inovação na área.

A meta do governo é que o uso dessas substâncias no Brasil seja reduzido para 51,6% em 2021 e completamente proibido em 2040. 

Mas desenvolvimento econômico sem agredir o meio ambiente é possível?

É sim. Clique aqui para conferir o nosso especial sobre sustentabilidade ambiental e saiba mais sobre o assunto. 

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Climatempo
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