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'Despoluição do Pinheiros não vai ser para natação', diz presidente da Sabesp

Segundo o presidente da Sabesp, Benedito Braga, o objetivo principal é fazer com que "o rio tenha utilidade para a população na região metropolitana de São Paulo"

26 set 2019
22h26
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O projeto novo Rio Pinheiros, do governo do Estado de S. Paulo, de despoluição do rio, não tem a pretensão de deixá-lo propício para banhos ou consumo, mas para retomar a chance de haver vida nele. É o que afirmou nesta quinta-feira, 26, o presidente da Sabesp, Benedito Braga.

"Ninguém está falando de um rio que vai estar disponível para natação, para esportes de contato direto com a água. Ninguém está falando em beber a água do Rio Pinheiros. Estamos falando de um rio que tenha 100% do tempo condições aeróbias. Dessa maneira, ele deixa de cheirar mal", explicou Braga no evento Rios por um Triz - Despoluição dos Rios Pinheiros e Tietê promovido pela SOS Mata Atlântica no MuBE. "É o que foi feito em outras partes do mundo. Muitas vezes dão exemplo do Tâmisa (Londres), do Sena (Paris). Eles, de fato, não cheiram mal, mas não se pode ter contato direto com suas águas", complementou.

Segundo ele, o objetivo principal é fazer com que "o rio tenha utilidade para a população na região metropolitana de São Paulo". Em vez de tentar a despoluição direta, o foco será dado aos córregos que deságuam no rio, para que não chegue nele a carga poluidora, por meio das estações de recuperação da água do córrego. O desafio, diz, é tirar 2,8 mil litros / segundo de esgoto das sub-bacias do Pinheiros, como Jaguaré, Pirajuçara, Águas Espraiadas, para ter, até 2022, um rio com qualidade de poder ser utilizado.

Foram lançados 14 pacotes de licitação no valor de R$ 1,5 bilhão, dentro de uma estratégia de contratos de performance. Além da entrega da obra, vai se checar se foi obtido o resultado desejado nos córregos. O governo vai medir a chamada DBO (demanda bioquímica de oxigênio) para ver se está abaixo de 30 mg/l, o que permite a vida aquática, como peixes mais generalistas.

Subsecretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Trani explicou que o objetivo principal é permitir que o rio possa ser usado pela população. "Não tendo o odor, melhorando as margens - ressaltando que os últimos 15 anos fizemos um enorme trabalho, o chamado Pomar Urbano. E agora vamos plantar mais 30 mil árvores em parcerias com permissionários. Ou seja, tratada a margem do rio, melhorada a qualidade da água e fazer as conexões, quebrar as barreiras do rio com a cidade, esse é o objetivo dos rios urbanos", disse Trani. "O objetivo é a população poder chegar ao rio. Hoje não existe um lugar em que as pessoas possam parar o carro para visitar o rio. E o projeto vai ter vários, uma série de ideias para a integração rio-cidade", complementou.

Segundo Braga, a expectativa é que as pessoas possam usar as margens para lazer, fazer um piquenique. "Haverá passarelas sobre o Pinheiros de maneira que as pessoas possam usar as duas margens. Com o aumento do calado - da profundidade do rio -, poderia haver uma navegação turística do Pinheiros", disse Braga.

Os dois representantes do governo do Estado foram sabatinados no evento pelas pesquisadoras Marta Ângela Marcondes, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Pérola de Castro Vasconcellos, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) , por Edison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, e pela deputada estadual Marina Helou (Rede), que lança no próximo dia 11 a Frente Parlamentar Ambientalista pela Defesa das Águas e do Saneamento.

Pérola pontuou que estudos científicos mostram que a recuperação de um corpo d'água envolve a recuperação do ecossistema em seu entorno. "É preciso ter uma infraestrutura verde. Não vai resolver só tirando a sujeira do rio. Se não tiver uma boa coleta de resíduos, na primeira chuva a sujeira volta para o rio. É factível fazer tudo isso em um projeto de tão curto prazo?", questionou.

Braga reconheceu que é impossível. "Para recuperar o ecossistema teria de tirar todo mundo das favelas que têm na beira dos córregos. O que estamos falando nesse projeto é do possível. A cidade cresceu de forma desorganizada. Mas começamos a pensar em um modelo mais sistêmico", disse. "É impossível fazer tudo em três anos, mas vamos no caminho. Precisamos pensar nas micro-bacias e unir todas as pessoas. Neste projeto, o que está nas contas é trabalhar a questão de resíduos em uma área que envolve cerca de 3,5 milhões de pessoas", complementou Trani. O vídeo com o evento completo pode ser visto no facebook da SOS Mata Atlântica.

Estadão
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