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Ciberataques a supermercados já atingem 11 países da Europa

4 nov 2026 - 12h26
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Resumo
Uma onda de ciberataques contra sistemas de refrigeração de supermercados já atingiu 11 países europeus, incluindo Reino Unido, Alemanha e Bélgica, forçando o descarte de alimentos perecíveis. A União Europeia investiga uma possível sabotagem deliberada para desestabilizar a cadeia de abastecimento do bloco. Sem pedidos de resgate ou autoria confirmada, o incidente amplia o alerta sobre ameaças híbridas contra infraestruturas críticas na Europa.

Alemanha, Romênia e Reino Unido viram alvo. UE alerta para possível tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar.Alemanha, Romênia e Reino Unido passaram a integrar nesta terça-feira (03/11) a crescente lista de países europeus afetados por uma nova onda de supostos ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de supermercados. Outros países afetados nesta semana incluem Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo.

Em outubro, no que parece ter sido uma ação hacker semelhante, centenas de supermercados na França já haviam sido obrigados a descartar produtos perecíveis devido a falhas nos sistemas de refrigeração.

Diante da escalada, a União Europeia (UE) alertou para uma possível tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar do bloco. Até o momento, o motivo dos supostos ataques permanece desconhecido, e nenhum grupo assumiu a autoria.

O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que agências da UE mantêm contato com autoridades nacionais para formular uma resposta coordenada.

"Não se trata de incidentes isolados e, naturalmente, precisamos estar coletivamente preparados e resilientes diante desse tipo de ocorrência cibernética", afirmou, sem apontar possíveis responsáveis.

"Toda a cadeia" afetada

O diretor do Centro Nacional de Segurança Cibernética britânico, Richard Horne, declarou à BBC que o problema afetou "toda a cadeia de abastecimento alimentar" no Reino Unido. Segundo ele, "tecnologias vulneráveis foram exploradas", e equipes trabalharam durante toda a noite para alertar empresas em risco.

Já na Alemanha, quatro supermercados registraram falhas, enquanto seis estabelecimentos foram afetados na Romênia, segundo autoridades e representantes das empresas.

A Bélgica está entre os países mais afetados desta semana. Dezenas de lojas pertencentes a diferentes redes de supermercados registraram falhas nos sistemas de refrigeração. O Ministério Público federal belga abriu uma investigação sobre o caso.

Enquanto isso, na Itália, relatos iniciais davam conta de 20 estabelecimentos afetados. O governo realiza reuniões de emergência com chefes dos serviços de inteligência. Autoridades reportaram impacto "extremamente limitado" sobre um pequeno número de estabelecimentos com sistemas de segurança desatualizados.

Giuseppe Spadaro, diretor de um grupo responsável por supermercados da rede Coop na Sicília, relatou que quatro das 300 lojas administradas pela empresa sofreram impactos. "Estimamos os prejuízos em vários milhares de euros. Tivemos de descartar tudo. As prateleiras estão vazias", declarou ao jornal italiano Corriere della Sera.

Atmosfera de "ameaça híbrida"

Dan Cimpean, chefe da Diretoria Nacional de Cibersegurança da Romênia (DNSC), descartou a possibilidade de ataques por agentes estatais. Segundo ele, parecia se tratar de um ataque "semiamador".

Os casos vêm ampliando a preocupação das autoridades europeias com ameaças híbridas à infraestrutura crítica desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

Em outubro, alertas sobre ameaças russas à Alemanha, por exemplo, se multiplicaram, levando o ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, a dizer que o país é alvo diário de "uma guerra híbrida".

Moscou nega repetidamente qualquer envolvimento em operações de sabotagem.

"Não se sabe quem está por trás deste ataque, e talvez isso nunca seja determinado", afirmou Katrien Eggers, porta-voz do Centro de Cibersegurança da Bélgica.

Para observadores, o fato de não terem surgido exigências financeiras pelos autores dos supostos ataques cibernéticos sugere uma possível intenção de sabotagem. O varejo é tido como alvo fácil porque opera sistemas tecnológicos complexos, que são conectados à internet e operados remotamente.

ht/md (AFP, DW)

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